Política

Regina e Vanessa têm tudo para
ganhar; Maria Inês, para perder

DANIEL LIMA - 14/08/2012

Pesquisas oficiais e pesquisas extraoficiais dão conta de que tudo se encaminha para a Província do Grande ABC consagrar duas mulheres titulares de Executivos a partir da próxima temporada. Regina Maura Zetone, em São Caetano, e Vanessa Damo, em Mauá, estariam com o caminho bem fertilizado de votos, principalmente a primeira, herdeira por mérito da aprovação recorde do prefeito José Auricchio Júnior. A outra mulher a concorrer para valer a uma Prefeitura na Província do Grande ABC, Maria Inês Soares, é uma provável derrotada, embora se esforce muito para capitalizar o prestígio de Dilma Rousseff, petista como ela. O problema maior de Maria Inês é que o nível de rejeição após oito anos desastrados à frente da Prefeitura, entre 1997 e 2004, pesa num eleitorado majoritariamente de centro-direita.

 

Afirmativas peremptórias durante o período eleitoral carregam volume sempre perigoso de risco, mas o que seria do jornalismo se faltasse aqui e ali quem resolvesse escrever ou falar o que sente nas andanças regionais, não é verdade? Por isso, de zero a 10 diria que, apesar de um adversário com prestígio como o vereador Paulo Pinheiro do outro lado do campo, Regina Maura tem 80% de possibilidades de sucesso. Vanessa teria 60% e Maria Inês não mais que 30%.

 

Dois fatores agem sincronicamente para adensar a votação da petebista Regina Maura Zetone, vista e revista pelo prefeito José Auricchio como símbolo de competência técnica a serviço da municipalidade. Primeiro, a alta aprovação do titular do Palácio da Cerâmica, por  tudo que se fez ao longo de oito anos. Segundo, algo como a cereja do bolso, a medalha de ouro olímpica do ginasta Arthur Zanetti, atleta produzido em casa, no ambiente de investimentos da Prefeitura, uma quase eterna campeã dos Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior. Quem conhece as entranhas antropológicas de São Caetano sabe aferir o orgulho de contar com um medalhista olímpico.

 

PT e PMDB juntos

 

Estava esquecendo de um terceiro vetor que fortalece a candidatura de Regina Maura na reta de chegada: a disseminação na população de São Caetano de que o descartado acordo formal entre o PMDB de Paulo Pinheiro e o PT de Edgard Nóbrega, algo que representaria mais que soma zero, menos 10, acabou de ser consolidado informalmente. Ou seja, o PT resolveu desacelerar o ritmo para tentar, com suposta transferência de votos ao oposicionista do PMDB, mudar o rumo eleitoral francamente favorável a Regina Maura.

 

Fortalece essa informação uma outra, ensaiada faz tempo mas também longe dos holofotes do noticiário porque há certo pudor em se revelar determinada vertente da simbiose entre peemedebistas e petistas também em nível municipal, ou intermunicipal, já que as duas agremiações associaram-se para eleger Dilma Rousseff. Trata-se do seguinte: o staff de Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo e coordenador-geral do PT na Província do Grande ABC, está operando para dar mais fôlego a Paulo Pinheiro. Inclusive com a adoção de consórcio de capitalização de recursos para financiamento da campanha eleitoral. Há petistas de vários municípios locais que reclamam da transfusão de dinheiro para Paulo Pinheiro a partir de gestões em São Bernardo, porque estariam à escanteio. Mas também não faltam petistas que procuram dissuadir a informação. Dizem que Paulo Pinheiro é um risco muito maior que Carlos Grana em Santo André e Donisete Braga em Mauá e, portanto, não teria prioridade de investimentos.

 

O que o PMDB de Paulo Pinheiro mais teme (e é natural esse temor) é a descoberta da parceria com os petistas, algo muito difícil de comprovação material, mas nem tanto de percepção. Acreditam que seria a desmoralização do projeto de tomada do Palácio da Cerâmica, porque o partido de Lula da Silva está a léguas de distância de obter sucesso num eleitorado que não consta da quase totalidade da agenda reformista de centro-esquerda, porque já solucionou internamente os dramas brasileiros ao longo da história. A perspectiva de que PT e PMDB sejam observados sob a mesma lente de desconfiança da população de São Caetano é temida pelos oposicionistas. Daí Paulo Pinheiro ter, lá atrás, recuado ante a proposta petista de coligação. O que foi negado publicamente está sendo implementado oficiosamente.

 

Pesquisa Vox Populi

 

Se Regina Maura Zetone tem tudo para matar o jogo sem grandes atropelos no primeiro turno, até porque São Caetano não comporta dois turnos, em Mauá a situação de Vanessa Damo não é tão confortável, mas também está sob segurança relativa. Dificilmente a disputa deixará de ir para o segundo turno, porque há uma enxurrada de concorrentes, mas a tendência é de que o desgaste petista possivelmente se acentuará na esteira do mensalão.

 

O jornal ABC Repórter acaba de publicar uma pesquisa oficial da Vox Populi (instituto que goza de respeito e credibilidade, porque não foi laçado à unha para produzir numeralhas sob encomenda,  como tantos aventureiros na praça) que coloca Vanessa Damo bem à frente do segundo colocado, o petista Donisete Braga, deputado estadual que liderou, com outros dois companheiros, a derrubada do prefeito Oswaldo Dias de concorrer à reeleição. Esse ponto – a trairagem doméstica, intestina – só não aparece entre os motivos da rejeição a Donisete Braga porque o Vox Populi não o propôs aos entrevistados. Se o fizer, notará que há certos comportamentos vistos como imperdoáveis por uma parcela de eleitores que prezam a palavra, o companheirismo, a transparência, a coerência  e outros atributos. 

 

Conta o jornal ABC Repórter que Vanessa Damo soma 32% dos votos estimulados, contra 19 de Donisete Braga. Diniz Lopes (PR) conquistou 9% e é seguido de perto por Atila Jacomussi (PPS) com 7%. Já Irmão Ozelito (PTB) tem 5%, Edmar da Reciclagem (PSDB)  2%, enquanto Paulo Bio (PV) e Professor José Silva (Psol), fecham com 1% das intenções de voto. Tive dificuldades para acessar as planilhas da pesquisa do Vox Populi no site do jornal ABC Repórter. Acessar eu acessei, mas foi praticamente impossível aferir os números de cada candidato no critério de votos válidos. O release da publicação informa que os 32% estimulados de Vanessa Damo são 43% de votos válidos. Não informa sobre os demais.

 

Um dado que a pesquisa expõe e que embala a perspectiva de vitória de Vanessa Damo é que 65% dos entrevistados afirmaram ter grande possibilidade de votar na deputada estadual. Na pesquisa espontânea, em que o entrevistado não precisa recorrer a uma cartela para definir em quem pretende votar, Vanessa Damo conta com 23% dos votos, ante 14% de Donisete Braga. Os demais, individualmente, têm menos de 5%.

 

Também vale a pena ser avaliado outro ponto da pesquisa da Vox Populi, sobre eventual segundo turno entre Vanessa Damo e Donisete Braga, quadro mais factível com a tradição em Mauá e com a divisão dos votos válidos entre vários candidatos. A deputada peemedebista seria eleita com 43% dos votos, contra 26% do deputado petista. Transformando tudo em votos válidos, teríamos 62% para Vanessa e 38% para Donisete. Se o resultado de eventual segundo turno fosse medido pela percepção dos eleitores sobre o nome do vencedor, a filha do ex-prefeito Leonel Damo teria 72% da preferência, ante 28% do petista.

 

Como o ABC Repórter anuncia que pretende destrinchar a pesquisa do Vox Populi, é possível que eu volte a comentá-la.

 

Tomara que um instituto desse gabarito venha com nova safra de consulta, porque sou um devorador de números. Aliás, não consigo entender essa reviravolta em minha vida, manifestada desde meados da última década do século passado, porque nos tempos escolares sempre fui arredio à matemática. Pensando bem, a explicação é simples: tive de ir à luta bem depois dos bancos escolares porque os malfeitores numéricos que pintaram na região (e vários que por aqui ainda procuram se locupletar) tentaram e tentam vender gato de desindustrialização por lebre de desenvolvimento econômico. Sempre sob aplausos dos covardes de sempre.

 

Desconfiança geral

 

Bem, sobre Maria Inês Soares, petista que concorre em Ribeirão Pires, nem mesmo integrantes da alta cúpula informal da agremiação na Província do Grande ABC acreditam em sucesso. Os índices de rejeição são estratosféricos. Maria Inês Soares era carta fora de qualquer baralho de competitividade eleitoral petista até que, por conta da onda de mulheres na política, à esteira de Dilma Rousseff, houve consenso em reerguê-la. Só se esqueceram do passado da então prefeita e também da necessidade de distinguirem-se mulheres de mulheres, ou seja, Marias Inês de um lado, Reginas e Vanessas de outro.

 

As mulheres, como sabemos, são suas individualidades na hora de passarem pelo escrutínio popular. Não se vota isoladamente no suposta sexo frágil. Vota-se num conjunto de valores ou supostos valores individuais, masculinos ou femininos. Mais femininos em caso de igualdade de atributos entre homem e mulher. Não seria o caso de Ribeirão Pires. Mas só novas pesquisas decidirão para valer se, mesmo rateando, Maria Inês Soares teria alguma margem de manobra para emplacar vitória. Três mulheres eleitas numa mesma rodada de votos na Província do Grande ABC representariam um choque de gênero. Seria também de gestão pública?



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