A candidatura mais que certa do empresário Paulo Skaf ao governo do Estado como espécie de linha auxiliar do PT em eventual segundo turno torna ainda mais discreta a carga de atividades das unidades locais do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). O potencial candidato peemedebista trafegaria ainda por uma zona de conforto de botar os pés em duas canoas, do PT e do PSDB, mas a tendência de reforçar os votos do petista Alexandre Padilha num possível segundo turno influencia as relações dos representantes empresariais na região.
Por mais que o Ciesp tenha baixa capilaridade institucional, com reduzido índice de associados na região e no Estado de São Paulo, a marca é representativa e indutiva à minimização da imagem anticapital que o PT cultivou durante muitos anos até cair na gandaia de negócios mais que frondosos, legais e ilegais, éticos e não éticos.
Por isso, a candidatura de Paulo Skaf foi arquitetada numa conjunção entre peemedebistas e petistas da cúpula nacional. O vinculo entre Fiesp e PT daria bons frutos principalmente em municípios médios e pequenos do Interior do Estado, pontos frágeis da agremiação.
Sem liberdade política para falar em nome do Centro das Indústrias, os dirigentes da instituição na região procuram contornar mais que consolidadas rusgas com os petistas que estão no poder e que no passado não tão distante distribuíam catiripapos verbais, ideológicos e outros tantos em defesa dos trabalhadores. As escaramuças entre capital e trabalho deixaram rastro de ressentimentos que a política partidária, com imenso manancial de distribuição de benesses, trata de amenizar.
Estar próximo ao centro do poder político não é mau negócio na avaliação de empresários geralmente no fio da navalha entre lucro e prejuízo num País em que a indústria de transformação é espécie de Geni do capitalismo.
Não é de hoje (e provavelmente não será diferente nos próximos tempos) que as representações empresariais da região estão a léguas de distância dos anseios das respectivas classes. Na quase totalidade dos casos o que vale mesmo é a aproximação com os donos do poder político. Há os dirigentes zelosos com a representatividade corporativa, mas mesmo esses raramente dão um passo além do conveniente. Represálias são sempre uma resposta dos donos do poder.
Retaliações em forma de fiscalização mais rígida, principalmente numa região de cultura sindical forte e que há mais de uma década tem relação direta com o Poder Central, ficar calado, fingir que se converteu em aliado ou mesmo entregar-se aos petistas são as maneiras encontradas para contornar as dificuldades empresariais.
Cooptação disfarçada
O poder de fogo do PT ampliou-se gigantescamente na Província do Grande ABC entre outros motivos porque conta com o suporte sindical da CUT (Central Única dos Trabalhadores), irmã siamesa em ideologia e em pragmatismo de acasalamentos com representantes do capital. Esperar que as cidadelas dos empresários na região resistiriam à cooptação mesmo que disfarçada seria ingenuidade demais.
Quem vive os bastidores do capital e do trabalho na Província do Grande ABC nestes tempos de controle federal e regional petista conta histórias do arco da velha. A diplomacia pública entre sindicalistas e empresários é apenas uma máscara. No dia a dia das fábricas a mensagem subliminar das chefias dos trabalhadores é de arrogância ante as vantagens ambientais de que usufruem tendo as costas largas das forças políticas.
A baixa produtividade da Mercedes-Benz em São Bernardo, conforme mostrou a revista Exame desta quinzena, analisada neste espaço ontem, é muito mais regra que exceção. Tudo porque há impedimentos sindicais a qualquer tentativa de sincronia dos custos trabalhistas com critérios de competitividade capitalista.
Quem ousar romper os paradigmas traçados pelas poderosas lideranças sindicais correrá sérios riscos de redução ou paralisação da produção. E ai daqueles que ousarem comunicar a Imprensa. Há um terrorismo velado a envolver empresas e trabalhadores. Aperfeiçoou-se a maneira de obter ganhos trabalhistas. Nos tempos oposicionistas do PT, o estardalhaço era o prato principal. Agora que é situacionista, não convém chamar a atenção. Há um receituário de medidas corretivas a ser aplicado. São dogmas de cartilhas forjadas em assembleísmos. O estrangulamento da indústria regional, nada muito diferente do quadro nacional, estica a corda de paciência.
Fontes preservadas
Há certos cuidados deste jornalista em manter contato com empresários industriais porque não pretendo torná-los alvo da arremetida petista à versão única dos fatos. Ainda recentemente fui convidado a realizar uma palestra no Ciesp de São Bernardo. Alertei os dirigentes sobre o risco daquela ideia. Petistas de plantão, antes defensores da democracia da informação, não suportam contraditórios. Os titulares do Ciesp bancaram aquela noite em que não fugi à coerência desta revista digital. Não demorou 15 dias para que os interlocutores do Ciesp se juntassem à Administração Luiz Marinho.
O PT comandado pelo ex-sindicalista que posa de bom moço fez articulações locais e também junto à Fiesp para recomendar blindagem dos titulares da representação do Ciesp em São Bernardo. Mais que isso: acertaram medidas para que convivessem em harmonia, já que, até então, viviam às turras mesmo que disfarçadas.
Ciesp e PT, quem diria, têm tudo a ver. E o pior é que não foi o PT de Luiz Marinho que mudou, porque no fundo, no fundo, os petistas de carteirinha não suportam o capitalismo. Exceto quando se trata de enriquecimento ilícito e financiamento eleitoral. Sem contar, é claro, que o Estado é uma fonte eterna e inesgotável a falcatruas. Está aí o novo escândalo da Petrobrás que não me deixa mentir.
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09/02/2026 DUAS FACES OCULTAS DA ENTREVISTA DE DIB