Política

Produtor de espuma, Carlos Grana
pode acelerar projeto “Volta, Aidan”

DANIEL LIMA - 29/04/2014

Se houvesse na Província do Grande ABC um título ao marqueteiro do ano, o prefeito Carlos Grana, de Santo André, ganharia disparadamente. Grana é o maior produtor de espuma da Província. Aprendeu com o mestre Lula da Silva. A diferença é que Lula é Lula, homem bafejado pela sorte macroeconômica e também porque reúne carisma que os seguidores procuram assimilar mas, apesar de todos os esforços, não passam de caricaturas mal-ajambradas.  


 


Grana faz de qualquer varejo um atacado de pretensas emoções. Quem acompanha o noticiário seria capaz de acreditar que Celso Daniel foi um engodo como gerenciador público. Mas a realidade é que Carlos Grana é o campeão do Observatório de Promessas e Lorotas desta revista digital. Tudo devidamente comprovado, sem mistificação. Os insumos são originalmente produzidos pela própria máquina de ilusões da Administração Municipal.  


 



Não se deve perder tempo neste espaço com a relação de bobagens que o prefeito de Santo André destila quase que diariamente aos leitores de jornais e ouvintes de rádio. Grana é um administrador completamente despreparado para lidar com o orçamento público, sobre o qual transmite a sensação de ser tão íntimo quanto um piloto de avião do chão da Amazônia.  


 



Tão despreparado é o prefeito Carlos Grana que estica um contingenciamento monstro do orçamento, porque descobriu que o que pretendia para revolucionar a gestão do Município não foi combinado com os russos das finanças municipais. Contingenciamento de recursos nada mais é que a escassez do dinheiro público disponível à execução orçamentária preparada no calor da paixão e sob o fervor da ignorância. Carlos Grana lembra um descuidado motorista que numa viagem longa despreza custos de combustível e de pedágios.  


 



Campanha eleitoral 


 



A tolerância da mídia com Carlos Grana, ao encher-lhe a bola com coisas miúdas e ao passar em branco nas tranqueiras que ele destila, chegou ao ponto de o prefeito colocar nas ruas 500 servidores públicos comissionados para propagar reuniões do Orçamento Participativo sem que uma voz sequer se ouvisse para dizer o óbvio: tudo não passa de política partidária, de processo eleitoral, de tudo que se imaginar como subterfúgio a ludibriar a boa fé, menos gestão responsável.  


 



Nada menos que 50 grupos de funcionários públicos comissionados (ou seja, aqueles que não são efetivos porque na maioria dos casos são cabos eleitorais disfarçados de servidores) se espalharam (segundo o noticiário) pelas ruas de Santo André para convocar a população às plenárias que vão discutir uma miserável participação financeira da sociedade no orçamento municipal. Dizem as notícias que foram distribuídos 80 mil jornais de conteúdo sobre as regras do programa e outras quinquilharias. Tudo disfarçado na tentativa de melhorar a imagem de um prefeito eleito com apenas um terço dos votos disponíveis.  


 



Grana tem um poder de convencimento assustador, caso se admita que do outro lado do balcão de ouvintes e leitores existam apenas boçais ou gente que acredita em Papai Noel. Questionado pelo jornal ABCD Maior sobre o uso dos comissionados (sem que esse “questionado” tenha qualquer conotação incisiva, mas meramente protocolar) Carlos Grana disse literalmente: “A gente não vai gastar dinheiro para fazer a divulgação, os comissionados já estão pagos. É um comprometimento. O comissionado é comprometido integralmente com o governo”.  


 



Show de sofismas 


 



Pensando bem, mas bem mesmo, o prefeito de Santo André tem razão em todos os parágrafos reproduzidos. Não se vai gastar dinheiro porque os comissionados já estão pagos e eles de fato estão comprometidos com o governo. Entretanto, quando vista sob ângulo de cidadania, a declaração de Carlos Grana é uma afronta. Primeiro porque os comissionados representam custos imensos à Administração de Santo André. Segundo porque o comprometimento do trabalho que executarão está plugado nos interesses políticos que o levaram aos respectivos cargos. Terceiro porque os comissionados são integralmente comprometidos com o governo, não com o Município.


 



Para tentar transmitir a ideia de que os comissionados da Prefeitura de Santo André são profundamente comprometidos com os contribuintes, chegou-se a divulgar que estariam decididos a substituir os coletores de lixo durante a greve que estourou e logo foi debelada. Tudo não passou de manobra para pressionar os grevistas a retornarem ao trabalho.  


 



O prefeito Carlos Grana é especialista em sofismas. Não à toa atuou no grupo de arapongas de campanhas presidenciais de Lula da Silva. Grana é bom de bico. É incapaz de maltratar publicamente quem quer que seja, mas as histórias que fontes irrepreensíveis contam sobre sua ação nos bastidores são de lascar. Quando a noite chega, todo gato de astúcia é pardo na seara de estratégias do petista.  


 



Escola de especialistas 


 



Carlos Grana é diplomado na escola do sindicalismo mais combativo e mais sedutor do Brasil, que emergiu no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e se alastrou por todos os cantos. Não à toa transformou a Administração de Santo André em imenso condomínio de interesses cruzados, quando não conflitantes. Os bobalhões de direita que pensam tê-lo domesticado mal sabem que estão sendo enrolados.  


 



Grana jamais vai se afastar das diretrizes sindicais que têm horror ao capitalismo e à classe média, embora os sindicalistas estejam cada vez mais dedicados a variáveis do capitalismo e à mobilidade social.  


 



A Acisa presidida por Evenson Dotto assinou ainda outro dia com um jantar de adesão explícita à medíocre Administração de Carlos Grana um atestado público de entreguismo combinado com oportunismo e recheado de ingenuidade. Mas como também tem pitadas de vantagens circunstanciais, por que então recusar a dança? Outrora reduto de uma direita burra, incapaz de formular propostas de interesses da sociedade, a Acisa virou uma associação de projetos que passam ao largo dessa mesma sociedade.  


 



O ex-prefeito Aidan Ravin, dizem assessores, está adorando tudo isso. E tenta conter o ímpeto de estrategistas eleitorais que já não suportam mais a volúpia de sair com a campanha “Volta, Aidan”. Querem reservá-la ao momento adequado, as eleições de 2016. Grana não está pondo o bloco dos comissionados nas ruas à toa. Reforçar o PT nas eleições deste ano significa encher o tanque de combustível a recíprocas em 2016, porque de política ele entende. Grana não dá ponto sem nó. Idiotas são aqueles que caem na besteira de acreditarem que ele é totalmente manipulável.


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