Política

Teixeira, candidato de Marinho,
está superestimando eleitorado?

DANIEL LIMA - 21/07/2014

Presidente licenciado do São Bernardo Futebol Clube e executivo-chave-do-cofre de confiança e de outras coisas mais do prefeito Luiz Marinho, Luiz Fernando Teixeira lançou informalmente (informalmente?) ontem a campanha a deputado estadual. Há um excesso deliberado e atrevido de projeção de votos que não faz bem ao candidato. A consumação do sucesso alardeado virou obrigação e, portanto, reduziria o impacto positivo que uma campanha mais discreta proporcionaria.  


 


Sabe-se, entre outras inovações extraordinárias do candidato, que o Legislativo de São Bernardo foi ampliado e conta agora com 30 vereadores. Afinal, foi esse o número de parlamentares que, segundo o Diário do Grande ABC, participou da festa de ontem. Quem entende de política sabe que quando vereadores de outras praças apoiam determinado candidato alguma coisa há de estranho além de eventuais dotes de oratória da vida pregressa do candidato. 


 


Mas isso é de menos, convenhamos. O que mais salta à vista como modelo de esnobismo eleitoral na contramão destes tempos em que a classe política é vista como o resto do resto do resto, salvo as exceções de praxe, é que um evento supostamente com quatro mil convidados seja realizado e divulgado sem a menor cerimônia em tom de festa popular. Uma festa popular de cartas marcadas, é claro.


 


Mesmo que não tenham sido quatro mil convidados, porque o Diário e tantas outras mídias cultivam a mania de inflar números, trata-se de gente suficiente para causar interrogações, quando não estupefação. Luiz Fernando Teixeira parece detentor de um marketing de relacionamento político de fazer inveja a velhos caciques e a novatos com idêntica inspiração de sucesso nas urnas.


 


Luiz Fernando Teixeira, um noviciado em política partidária, concorrente sem o testemunho pretérito das urnas, provavelmente conta com um aditivo de sensibilização que desafia a capacidade de interpretação de quem pretende entender política.


 


Enchendo a bola


 


Tudo indica que Luiz Fernando Teixeira está com a bola toda de financiamento eleitoral. Afinal, desconhecido da maioria dos eleitores, restrito que sempre ficou a uma parcela ínfima do eleitorado futebolístico e a pequenos nacos dos servidores públicos de São Bernardo, além de rebarbas do prestígio fragmentado dos vereadores locais que lhe dão apoio, o dirigente esportivo foi destacado por companheiros partidários e também por aliados com potencial de arrebentar a boca do balão de votos.


 


Já atribuem a Luiz Fernando Teixeira responsabilidade, mais que a potencialidade, de consumar-se um dos megavencedores do pleito no Estado. Colocam-no como eventual recordista de sufrágios. Dão-lhe cordas nesse sentido porque acreditam de fato ou, enciumados mas protegidos pela dupla face da hipocrisia, traçam uma perspectiva de conotação festeira mas reconditamente traiçoeira?


 


O que isso significa? Significa que, mesmo eleito, mas com votação menor do que a pretendida e anunciada, Luiz Fernando Teixeira terá a vitória minimizada pelos opositores e relativizada pelos próprios apoiadores de ocasião.


 


E tem mais: por mais votos que venha a ter, mas sempre abaixo das projeções exageradamente otimistas, nada será suficiente para embalar a candidatura que pretende à sucessão de Luiz Marinho se não fizer de São Bernardo o palco da consagração. Se não for o mais votado do partido na cidade, sua inscrição automática ao governo municipal em 2016 seria contestada internamente. Ana do Carmo, deputada há três legislaturas, e Teonílio Barba, sindicalista metalúrgico, também concorrem ao Legislativo Estadual pelo PT.


 


Será que haverá votos para os três petistas em São Bernardo ou eles, principalmente Luiz Fernando Teixeira, vão precisar mesmo de eleitores de outras praças para chegar à Assembleia?


 


Puxadinho comprometido


 


O puxadinho eleitoral de São Caetano, aonde conduziu o esquema de financiamento que fez de Paulo Pinheiro prefeito, não é dos mais auspiciosos para Luiz Fernando Teixeira. Além da invertebrada rejeição de São Caetano ao PT, a descoberta de que Paulo Pinheiro não passou de cavalo de Troia petista e a constatação de que o prefeito concorre seriamente para repetir o desastre administrativo do folclórico Raimundo da Cunha Leite, nos anos 1980, praticamente dinamitaram as possibilidades de Teixeira alcançar votação retumbante.


 


Em outras praças eleitorais da região há candidaturas petistas que se rivalizam em todos os sentidos com Luiz Fernando Teixeira. Ninguém suporta invasão de espaços. A regionalidade de votos é conversa fiada para boi dormir quando há forças políticas locais organizadas e com potencial de avançar.


 


Com tudo isso que envolve o candidato Luiz Fernando Teixeira, e com mais novidades que o tempo há de revelar, é certo que a campanha a deputado estadual na Província do Grande ABC não terá as marcas da mesmice.


 


A perspectiva de que Luiz Fernando Teixeira poderia fazer uma dobradinha informal com Alex Manente, concorrente a deputado federal, esboroou na medida em que o petista saiu equivocadamente a campo a distribuir catiripapos no jovem que, juntamente com Orlando Morando, concentra maior potencial de votos na classe média de São Bernardo. O mesmo Orlando Morando, mais uma vez na disputa pela permanência na Assembleia Legislativa, igualmente alvo de golpes verbais de Luiz Fernando Teixeira.


 


Poderes poderosos


 


O dirigente esportivo que conta com as costas largas do ex-presidente Lula da Silva e do prefeito Luiz Marinho, mas que não parece cair no gosto da primeira dama Nilza de Oliveira, embora essa suposta rejeição também possa ser vista como manobra dissuasiva para temperar os destemperos internos do partido, o dirigente esportivo, dizia, chamou Morando e Manente para uma briga que somente a ele interessa. Não foi correspondido e com isso perdeu o que imaginava ser uma escadinha para tornar-se mais conhecido do eleitorado.


 


De qualquer forma, quem subestimar os poderes públicos e privados de Luiz Fernando Teixeira, um dos mandachuvas da Província do Grande ABC, poderá dar com os burros nágua. Afinal, é um dos poucos sobreviventes, ou mais que isso, beneficiários, da política editorial do Diário do Grande ABC durante toda a gestão de Luiz Marinho. A reportagem publicada na edição de hoje é mais uma prova de que Teixeira é uma questão de honra na galeria de candidatos preferenciais do jornal mais tradicional da região.


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