Política

Tetra petista na Província fica
difícil. Marinho deveria agradecer

DANIEL LIMA - 03/09/2014

O prefeito dos prefeitos da Província do Grande ABC está entrando na zona de turbulência emocional com a possibilidade de ter de carimbar o calhamaço estatístico que atestaria a derrota de uma candidatura petista à Presidência da República numa geografia de três vitórias consecutivas. O tetra do PT na região está ameaçadíssimo tanto quanto em nível nacional.


 


A diferença é que os estragos locais seriam mais contundentes. Além de danos colaterais políticos com repercussões nas eleições municipais seguintes, também poderiam abalar projetos de investimentos do governo federal considerados certos nas próximas temporadas. 


 


A candidatura de Dilma Rousseff dá sinais de esgotamento entre os paulistas na exata medida em que a ex-senadora Marina Silva ganha pontos sobre pontos. Faltam pesquisas eleitorais que retratem a situação na região. A primeira e última do instituto do Diário do Grande ABC não me é confiável por razões que já expliquei em várias análises. Provavelmente somente as urnas eleitorais vão dar as respostas. Mas a tendência de a Província como um todo acompanhar os números de regiões metropolitanas do País é histórica, com algumas variáveis.


 


Tetra é ponto de honra


 


Ganhar a eleição presidencial na Província do Grande ABC é ponto de honra para o prefeito de São Bernardo, também prefeito do Clube dos Prefeitos. Coordenador da campanha de Dilma Rousseff no Estado de São Paulo, Marinho sabe que está com o prestígio ameaçado depois de o destino meter a mão nas mesquinharias políticas que pretendiam esquadrinhar Eduardo Campos como a melhor alternativa a Dilma Rousseff.


 


Luiz Marinho já admite aos amigos mais chegados que tem perdido o sono. Só não estaria perdendo cabelo porque a genética lhe seria favorável. E, pelo andar da carruagem, vai perder muito mais sono ainda. Há estragos múltiplos a espicaçar a paciência desse ex-operário e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.


 


Entretanto, pensando bem, ele deveria agradecer. Paradoxalmente, o quadro eleitoral desfavorável à candidata petista poderá lhe servir de alívio. Explico: quanto maior a exposição de Luiz Marinho ao jornalismo independente, mais ele se arrebentará entre rochedos de estreiteza doutrinária, de afoiteza verbal e de inelasticidade intelectual.


 


A derrota de Dilma Rousseff, possível no calendário de transformações políticas no País, evitaria, portanto, que Luiz Marinho retornasse ao cenário nacional após concluir o segundo mandato de uma Administração de São Bernardo tipicamente de operador de obras e de manipulador de ações econômicas, quando não de bobagens históricas como a construção de um aeroporto internacional na região dos mananciais.


 


Não tenho por Luiz Marinho respeito intelectual, mas não deixo de reconhecer seu valor como tocador de obra e de profundo conhecedor da geografia física e social de São Bernardo. Quem um dia acreditou que pudesse se tornar um Celso Daniel sem a mesma inspiração mas com muito mais transpiração está frustrado. 


 


Marinho é pobre demais no exercício teórico de questões tópicas ou ramificadas que recomendem olhar no horizonte que não seja em forma de concreto e cimento.


 


Em defesa da Petrobrás


 


Outro dia ele deu declarações inacreditáveis sobre a crise na Petrobrás. Fossem transplantadas a um ambiente mais amplo de questionamentos, aquelas frases de militante político não de um chefe de Executivo o desmoralizariam completamente. Marinho teve o desplante de afirmar que a quadrilha que agia na maior empresa nacional é obra da imprensa antipetista.


 


Toda vez que é instado a sair do figurino provinciano de fazedor de obras, Luiz Marinho acaba por revelar as fragilidades de quem se acostumou a contar sempre e sempre com retaguardas a toda prova, no caso os metalúrgicos que lhe garantiram acertos com as montadoras e também o amigo Lula da Silva, protetor em todas as instâncias. Tirem-lhe os trabalhadores sindicalizados e cegamente corporativistas e façam desaparecer o ex-presidente para ver o que acontece. Pouco lhe sobrará.


 


Por isso, Luiz Marinho deveria agradecer aos céus pelo momento político aparentemente constrangedor como coordenador estadual de uma candidatura presidencial em transe.


 


Enquanto permanecer na quase clandestinidade da mídia nacional Luiz Marinho não terá os calcanhares de Aquiles à mostra e muito menos exibirá os fundilhos.  Quanto mais Dilma Rousseff cair nas pesquisas, mais Luiz Marinho gozará da imagem de conciliador que o dia a dia da política tem provado não passar de embuste por conta com coerção compulsória dos metalúrgicos em pé de guerra. Quem negocia naquelas circunstâncias está à cavaleiro.


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