Administração Pública

Paulinho Serra, Paulo Serra
ou Paulinho Ravin? Escolha

DANIEL LIMA - 08/12/2016

Será que vai ser preciso esperar muito tempo, a partir de primeiro de janeiro, para se chegar à definição clara sobre quem será o próximo prefeito de Santo André? Teremos Paulinho Serra, como todos conhecem, Paulo Serra, como o marketing combinado com a mídia pretende que seja, ou contaremos com Paulinho Ravin, uma mistura do Paulinho Serra vereador com o ex-prefeito Aidan Ravin? 

É por existirem essas três dimensões no horizonte que decidi ser prudente: enquanto não contar com certeza de que teremos de fato um prefeito à altura das necessidades básicas de Santo André, continuarei a chamar o tucano eleito por esmagadora votação (nem poderia ser diferente) de Paulino Serra, porque esse é seu nome de batismo político. As demais mídias que sigam a rasgar tudo o que publicaram ao longo dos anos sobre Paulinho Serra e o chamem de Paulo Serra. 

Os bastidores políticos em Santo André indicam, por enquanto e até prova de nomeações em contrário, que Paulinho Serra está muito mais para Paulinho Ravin do que para Paulo Serra. Traduzindo em miúdos: Paulinho Serra converge para uma gestão associadíssima ao mais do mesmo. Tradução ainda mais radical: Paulinho Serra direciona-se a uma gestão ligadíssima ao que existe de pior do mais do mesmo. 

Possivelmente insatisfeito com a quase totalidade de fracassos do então petebista Aidan Ravin, Paulinho Serra flertaria também com algumas peças mais que descartáveis que deram sustentação à Administração do petista Carlos Grana. 

Paulinho Grana, não

Nem essa possibilidade, entretanto, me leva a inserir derivativo relacionado ao nome do atual prefeito de Santo André, no caso Paulinho Grana. O petista que está em fim de mandato conservou mesmo que a duras penas, embora cedesse muito além do razoável, muitos dos mandamentos do partido ao qual está filiado desde os tempos de metalúrgico. Não é o caso de estabelecer juízo de valores partidários em questão. O que está em jogo é um mínimo de coerência, que tem tudo a ver com comprometimento social. 

A adaptação “Paulinho Grana” seria uma agressão ao conceito petista de ser. O conceito petista de ser significa que, por mais que faça articulações e se entregue a combinações com terceiros, o núcleo de gestão não vira uma casa da sogra. 

O PT das coalizações que redundaram no Mensalão e no Petrolão entregou os anéis da distribuição de vantagens, mas preservou os dedos da centralização dos maiores recursos financeiros e do conjunto de ideologias, mesmo que ultrapassadas. 

Bandidagem à espreita 

É muito pouco provável que Santo André se dê conta de que seguirá administrado por grupos que giram nocivamente no entorno e nos interiores do Paço Municipal. O escândalo do Semasa, que colheu parte da bandidagem que atua no mercado imobiliário de Santo André (embora o Ministério Público tenha inexplicavelmente salvado todos os empresários de denúncias mais que esperadas), só não se repetirá na formalidade, mas seguiria o mesmo roteiro. Quero dizer com isso que as irregularidades serão repetidas, embora não se tenha nenhuma convicção de que apareça um denunciante ou delator ou alcaguete como o advogado Calixto Antônio Júnior.

Mas não é apenas o setor imobiliário que poderá cavar a sepultura política de Paulinho Serra que, portanto, jamais chegaria a Paulo Serra e muito se aproximaria de Paulinho Ravin. Há nomes tão estapafúrdios a constar da relação de prováveis secretários e adjuntos (e que já atuam nos bastidores) que o melhor mesmo é se precaver. Esperem o pior possível para suportar os impactos. Se Paulinho Serra desmentir as previsões, todos teremos de comemorar. 

Para que os leitores entendam sem mistificações ou imprecisões o conceito de Paulinho Serra, de Paulo Serra e de Paulinho Ravin, um breve resumo cai bem.

Paulinho Serra foi vereador sem brilho e secretário de mobilidade urbana sem lastro, até que a sorte lhe bateu à porta e ele se tornou prefeito num ambiente de exclusão sumária do finalista eleitoral Carlos Grana. Ter sido vereador sem brilho e secretário municipal (petista) sem arcabouço técnico são situações que se compreendem, mesmo que não se aplaudam. 

Vereador com brilho é muito raro, quando não impossível, num sistema de gestão pública que privilegia o Executivo. As ínfimas possibilidades de interferir na Administração transformam vereadores em vaquinhas de presépio dos titulares dos Paços Municipais. Ou em empedernidos oponentes igualmente sem brilho. 

Ser secretário obscuro e controverso é uma mancha na carreira pública de Paulinho Serra. Ele se deixou levar pelas mesmas forças de pressão que agora querem nacos importantíssimos da gestão de Santo André. Acreditava Paulinho Serra que a secretaria concedida por Carlos Grana, a reboque das manifestações populares de 2013, possibilitaria muita visibilidade e respeito. Deu com os burros nágua. O que existe na mobilidade urbana de Santo André é um amontoado de problemas que jamais foram sequer minimizados e um passivo orçamentário que colocará Paulinho Serra contra a parede. Gratuidades ao sabor da moda vão ter de ser parcialmente desativadas. 

Difícil ser Paulo Serra 

Para Paulinho Serra virar Paulo Serra vai ser preciso um turbilhão de transformações. A começar por desalojar da Administração gente mais que viciada na arte da malandragem. 

Sem requisitar e contar com a atuação de técnicos de valor, preferencialmente fora da roda de apaniguados de prefeitos anteriores, Paulo Serra será apenas uma marca impressa ou digitada nos veículos de comunicação portadores de imunodeficiência crítica adquirida. 

Não acredito, sinceramente, que Paulo Serra existirá nos próximos quatro anos como principal representante do que interessa de fato à sociedade de Santo André – uma gestão reformista como ponto de partida a transformações que o Município clama. 

Paulinho Ravin seria a pior das opções possíveis. O que chamei de zebra de branco ao vencer as eleições municipais de 2008 contra o petista Vanderlei Siraque, após um primeiro turno no qual contabilizou apenas 22% dos votos, foi o que de mais destrutivo se viu na gestão do Município neste século e provavelmente nos últimos 50 anos. Aidan Ravin terceirizou a gestão de Santo André a grupos políticos e econômicos que só fizeram lambanças. A colcha de retalhos lhe custou caro, ao não se eleger nas eleições seguintes a deputado federal e tampouco, na sequência, a prefeito. Paulinho Ravin seria o fim de carreira de um prefeito cujo bônus da vitória retumbante se esgotaria em pouco tempo. 



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