Entrevista Especial

Entre tapas e
beijos sindicais

DANIEL LIMA - 05/11/2005

Os dois principais sindicalistas com atuação no Grande ABC trocam tapas e beijos nesta entrevista. LivreMercado fez as mesmas perguntas para José Lopez Feijoó e Cícero Martinha Firmino da Silva. O primeiro comanda o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que envolve São Bernardo e Diadema. O segundo dirige o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Por conta de diferenças não tão ideológicas quanto possa parecer, Feijoó e Martinha convergem e divergem principalmente quando o enunciado da pergunta se desloca do campo regional para o nacional. 

Cutista e petista, Feijoó defende o governo Lula da Silva. Ramal da Força Sindical, central de oposição ao governo federal, Martinha fustiga a política econômica. Nem Feijoó nem Martinha foram informados de que as respostas que transmitiram através de computadores seriam confrontadas pelos leitores, porque integrariam as mesmas e tradicionais páginas amarelas de LivreMercado. 

A surpresa que ambos terão ao ler este trabalho provavelmente será proporcional à satisfação de apreciarem semelhanças que os caracterizam e possivelmente também à eventual irritação de observarem as diferenças que os marcam. Ou não seriam assim as assertivas em defesa do movimento sindical no Grande ABC, duramente criticado pelos conservadores como um dos elementos que explicariam a evasão industrial? Não seriam assim as sentenças contraditórias para um mesmo temário, como, por exemplo, o desempenho do mercado de trabalho de quase três anos do governo Lula da Silva? 

É provável que LivreMercado alcançaria êxito se tivesse colocado Martinha e Feijoó frente a frente para um debate. Negociadores habilidosos no campo trabalhista, provavelmente eles não se recusariam a se enfrentar no campo de idéias. Entretanto, como outubro foi temporada quente na área sindical em São Bernardo, com greve na Volkswagen, achamos melhor levá-los para a arena virtual. O resultado vale ser conferido.  

Até que ponto o movimento sindical do Grande ABC estaria preparado para participar do plano de recomposição da força automotiva planejado pelo prefeito de São Bernardo, William Dib? Há ambiente para atrair empresas, diferentemente dos tempos em que se colocou a atuação sindical como um dos pontos do esvaziamento econômico?

José Lopez Feijoó — O movimento sindical no ABC, propriamente os metalúrgicos, têm uma longa tradição de negociação de políticas industriais e de desenvolvimento, sejam regionais ou nacionais. Queria relembrar o acordo da Câmara Setorial do Setor Automotivo no início dos anos 90, que significou uma verdadeira revolução, permitindo o crescimento da produção e o investimento em novos produtos e plantas no País. Posso lembrar ainda os acordos de novos veículos feitos com a Volkswagen para a produção dos modelos Fox e Pólo, e o mais recente de todos, o acordo que acabamos de concluir com a Ford depois de cinco anos de intensas negociações para a fabricação de um novo modelo de automóvel na planta de São Bernardo. 

É preciso notar que era voz corrente que a empresa poderia deixar a região. O prefeito de São Bernardo é bem-vindo se pretende se incorporar a esse desafio do desenvolvimento do ABC. Quem sabe ele poderia tomar como primeira medida encontrar uma solução para os moradores do conjunto residencial construído ao lado da estamparia da Ford e aos fundos da Mahle Metal Leve e Mercedes-Benz, que coloca em risco aquela importante área industrial. Quem sabe ele poderia valorizar esse patrimônio, criando políticas de proteção a essas áreas industriais para que não se repita em São Bernardo o que ocorreu em outras regiões que perderam seu patrimônio industrial.

Cícero Martinha Firmino da Silva — Acho que todas as condições são favoráveis para reconstruir tanto a indústria automobilística como outras. Temos uma região que permite fácil escoamento da produção via porto de Santos. E que aumentará ainda mais esse potencial com a chegada do Rodoanel. Estamos na região de maior contingente de consumo do Brasil, que oscila entre o terceiro e quarto lugar no Brasil. 

Com relação ao movimento sindical, percebo que está mais do que nunca preparado para receber as empresas na região. Tivemos a experiência de como lidar com as várias situações das empresas. Tanto que as empresas que ficaram estão muito bem. Hoje, se for comparar salário que é pago com as condições da mão-de-obra e custo de escoamento da produção, nossa região é altamente competitiva, pois, estamos muito bem preparados. Acho que agora é o momento de envolver o movimento sindical da região com a comunidade, o Poder Público; enfim a sociedade organizada, para redimensionar toda essa estratégia para a retomada do desenvolvimento industrial.

Num exame retrospectivamente histórico do movimento sindical, o senhor acha que as lideranças dos trabalhadores forçaram a barra e justificam, por isso, parte das críticas que atribuem ao setor a queda da força industrial da região?

José Lopez Feijoó — Primeiro, é preciso registrar que não concordamos com a crítica de que o movimento sindical é responsável por qualquer tipo de esvaziamento econômico do ABC. E a resposta anterior demonstra nossa preocupação com essa riqueza industrial. 

Segundo, é preciso também registrar que todas as lutas foram feitas conforme as circunstâncias e da maneira que o momento histórico e a conjuntura exigiam. Na década de 70, as empresas protegidas pela ditadura militar se negavam a negociar e impunham rígida repressão nos locais de trabalho. As greves naquele período visavam forçar mudança de comportamento, exigindo que as empresas adotassem postura de negociação. Os movimentos, portanto, desempenharam importante papel na democratização das relações de trabalho. 

Depois disso, os trabalhadores se organizaram muito, o que proporcionou processo cada vez mais intenso de negociações para a correção de problemas que normalmente se transformavam em ponto de tensão, gerando desgastes e confrontos desnecessários. Diria que as lideranças nunca forçaram a barra e sempre que fizeram uma luta foi porque houve intransigência das empresas, ou porque aproveitavam das políticas restritivas do Estado. 

O ABC continua uma das mais importantes regiões industriais do País. É verdade que empresas foram embora, mas também é verdade que a reestruturação produtiva e a guerra fiscal nos roubaram fábricas. A redução de empregos nem sempre ocorre pela fuga de empresas, mas também por força da reestruturação produtiva que quase sempre poupa mão-de-obra. 

É também verdade que outros investimentos vieram para a região. Exemplos são o pólo de cosméticos em Diadema, o Arranjo Produtivo Local para o setor de autopeças, ferramentaria e plástico, que pode atrair novas empresas, a recente medida do governo federal que assegurou a ampliação do pólo petroquímico, e na qual o movimento sindical teve grande participação, e a criação do pólo industrial de Sertãozinho em Mauá.

Cícero Martinha — O movimento sindical de certa forma até forçou a barra, mas porque era necessário. Estávamos naquele momento do capitalismo vivendo realidade em que os empresários usufruíam tudo que a ditadura militar lhes havia garantido. As empresas sequelavam os trabalhadores e arrochavam salários. Nos primeiros movimentos, os trabalhadores tiveram de lutar, pois perceberam que perderam, ao longo dos anos da ditadura, 34% do valor real dos salários. Não era um problema só do movimento sindical. As empresas vinham do costume de se aproveitar do poder do Estado. A DRT estava a serviço das empresas, assim como a polícia e o governo da ditadura militar lhes davam toda a cobertura. Por isso, justificava-se, naquele momento, aquela reação dos trabalhadores.

O senhor concorda ou não que haja diferenças de tratamento entre capital e trabalho nos sindicados dos metalúrgicos da região sediados em Santo André, São Bernardo e São Caetano? Como o senhor, sucintamente, definiria o perfil de cada um desses sindicatos?

José Lopez Feijoó — É de conhecimento dos leitores que os metalúrgicos de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra e os metalúrgicos de São Bernardo e Diadema decidiram unificar suas entidades, gerando o sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Um processo de disputa eleitoral numa determinada fábrica levou parte da diretoria derrotada a desrespeitar a vontade da categoria tentando romper com a unificação. Essa é uma batalha que ainda não terminou e continuamos representando os metalúrgicos de muitas fábricas naquelas cidades. O direito de representação é objeto de disputa na Justiça. 

Com relação aos metalúrgicos de São Caetano, nas últimas campanhas salariais atuamos de forma conjunta, o que trouxe benefícios aos trabalhadores. Apesar das diferenças programáticas e ideológicas entre a CUT e a Força Sindical, prefiro atuar no sentido de buscar pontos de unidade que possam favorecer os trabalhadores.

Cícero Martinha — Acho que mesmo sendo uma região muito próxima, temos características diferentes. O Sindicato de São Bernardo, mesmo tendo contingente de empresas de autopeças, eletroeletrônicas, de indústria de máquinas e de setores diferenciados, teve de ter uma preocupação com as montadoras, Volks, Scania, Ford, Mercedes, Karman-Guia etc. As montadoras é que faziam o grande mote para gerar qualquer reação na mídia. Tornou-se Sindicato de Montadoras. 

O Sindicato de Santo André, por sua vez, não tinha montadoras, mas empresas eletroeletrônicas, de autopeças, máquinas do porte da Philips, Alcoa, Alcan, TRW, Eluma, Dura, Borlem, Tupy Fundições, Antônio Prat’s Masó, etc. E desde a sua essência foi um sindicato preparado para atender melhor os trabalhadores e negociar com empresas de grande peso na região. O Sindicato de São Caetano é de uma única empresa, da montadora GM.

Até que ponto o sindicato que o senhor comanda se preocupa com os desempregados do setor?

José Lopez Feijoó — A preocupação que temos com o desemprego é muito grande. Ressalvo que o problema do desemprego só será resolvido com o crescimento econômico continuado. Por isso nos envolvemos em debates sobre políticas regionais de desenvolvimento. Temos nos empenhado em negociar novos produtos e investimentos com as empresas, como já citei. Procuramos criar condições concretas para a geração de novos postos de trabalho. 

Quero registrar que no governo Lula foram criados sete mil novos postos de trabalho para metalúrgicos, depois de muitos e muitos anos de demissões. Temos parcerias ainda com o Banco do Povo de Santo André, com a Central de Trabalho e Renda e em todos os cursos de nosso convênio com o Senai reservamos vagas para trabalhadores desempregados. Há ainda nosso esforço no desenvolvimento da economia solidária, criando cooperativas de produção. 

Cícero Martinha — Um sindicato classista deve ter a bandeira de luta contra o desemprego. Por isso, a criação do Centro de Solidariedade ao Trabalhador, nos sete anos de existência com o apoio da Força Sindical, se tornou diferencial significativo no nosso relacionamento com os companheiros desempregados. Atendemos 1,5 milhão de trabalhadores e 50 mil trabalhadores voltaram para o mercado de trabalho. Metalúrgicos ou não.  

Como o senhor acompanha o noticiário internacional que dá conta cada vez mais do desmonte do Estado do Bem-Estar Social? Um exemplo clássico pode ser retirado, inclusive, da vitória de uma candidatura de objetivos neoliberais na Alemanha.

José Lopez Feijoó — Há de fato um ataque do neoliberalismo contra as conquistas dos trabalhadores no mundo inteiro. É verdade que esse ataque na Europa é muito forte. Essa tentativa de desmonte, contudo, enfrenta resistência muito grande, a ponto de dividir votos como na última eleição alemã. O governo Schoreder não deu as respostas necessárias à população que o elegeu. Ao mesmo tempo em que povo alemão protestou votando na sua adversária, Angela Merkel, também mostrou receio de que a eleição dela possa significar nova onda de ataques aos direitos. Por isso os votos ficaram divididos.

Cícero Martinha — Pode ser um erro, mas o ser humano tem um jeito natural de ser individualista. O que contamina, acredito, as posturas dos Estados e de cada País. É o que a gente vê cada vez mais, mesmo tendo algumas coisas que acontecem extemporaneamente, quando o individualismo prevalece. Não teremos o bem-estar social no mundo se não tivermos o lema do velho Karl Marx, “trabalhadores do mundo, uni-vos”. Hoje, falo que poderíamos avançar e falar “sociedades do mundo, uni-vos”. Os países enfrentam problemas específicos de ataques terroristas e de tragédias causadas pela natureza. E como vemos nos Estados Unidos, de repente um país tão forte se torna tão frágil. O que nos mostra que a solidariedade internacional se torna cada vez mais presente e necessária.

O senhor acha que o empresariado de pequeno e médio porte do Grande ABC está preparado para eventual composição de comissão de trabalhadores, como pretende a reforma sindical? E há trabalhadores em condições de entender as atribuições que terão sem radicalizar as relações entre capital e trabalho?

José Lopez Feijoó — As empresas resistiram muito no início do nosso processo de organização no local de trabalho por meio das comissões de fábrica, processo que tivemos de construir com duras batalhas nos anos 80. Hoje, depois, de muito tempo, não só consolidamos esse modelo aqui no ABC como avançamos para a implantação dos Comitês Sindicais de Empresa. 

Por isso, as relações de trabalho evoluem satisfatoriamente e se nós ficarmos esperando que todos os empresários entendam o direito democrático dos trabalhadores se organizarem no local de trabalho, é possível que nunca no Brasil tenhamos esse direito reconhecido. A reforma deve ser feita e a própria existência do modelo e o exercício e a prática da organização sindical produzirão o necessário equilíbrio para que todos possam evoluir. Isso trará benefícios para ambas as partes porque representa equilíbrio nas relações e melhora o ambiente de trabalho, permitindo que problemas sejam resolvidos e fazendo com que muitos dos passivos trabalhistas sejam eliminados por meio da negociação.

Cícero Martinha — Acredito que os empresários podem não estar inteiramente preparados, mas precisam se preparar. E os trabalhadores talvez não estejam inteiramente preparados, mas querem chegar lá. Quem vai prepará-los são os empresários e sindicalistas mais conscientes. É importante ter representação dentro das empresas, pequenas e médias, para resolver os próprios problemas. Precisamos chegar a esse ponto de equilíbrio, que é muito importante. E trabalhadores e patrões que ainda não estão preparados, vão aderir rapidamente ao perceber que as comissões ajudam a resolver os seus problemas. As negociações do PLR têm dado bom exemplo desse tipo de aproximação.

Considerando-se que o Grande ABC de hoje está muito empobrecido e problemático em relação ao Grande ABC do final dos anos 70, quando surgiu o Novo Sindicalismo, que avaliação o senhor faz sobre os efeitos daquele movimento? 

José Lopez Feijoó — O ABC não é uma região pobre. É o terceiro ou quarto mercado consumidor do País. Como o Brasil todo, acumula problemas que não existem em função do vigor do movimento sindical. O contrário seria imaginar que onde não houvesse sindicato as regiões seriam ricas e a economia desenvolvida. Mas não é isso que a gente constata. As regiões mais empobrecidas são aquelas de menor grau de organização sindical e social. 

O ABC é uma região econômica importante e tende a evoluir ainda mais com a chegada da Universidade Federal. Acho que o sindicalismo contribui organizando os trabalhadores para tomada de consciência sobre a importância do desenvolvimento regional. Demonstro isso com o congresso de nossa categoria, que está em andamento, cujo tema central é o debate sobre o desenvolvimento local influindo no desenvolvimento nacional.

Cícero Martinha — Aquele movimento foi importante. Existia uma acomodação dos empresários e dos governantes. Os prejudicados eram os trabalhadores. Queriam crescer em torno da miséria dos trabalhadores. Os trabalhadores estavam com os salários defasados e arrochados. Aquelas mudanças foram importantes, pois melhoraram as condições dentro das fábricas e a relação capital e trabalho. O movimento foi válido. E temos que aproveitar aquela experiência histórica para aperfeiçoar a relação capital e trabalho.

O recrudescimento da greve na fábrica da Volkswagen em São Bernardo seria um sintoma de que o movimento sindical do Grande ABC está voltando ao aguerrimento do passado?

José Lopez Feijoó — A recente greve na Volks tem menos a ver com o valor do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados da empresa (PLR) e mais com o endurecimento das relações de trabalho que a montadora vem promovendo no mundo inteiro, com reflexos no Brasil. Ao descumprir ou atacar acordos, a Volks desrespeita os trabalhadores e acumula uma série de ressentimentos e de mágoas. 

Não é normal, e isso eu disse nas assembléias em porta de fábrica, uma greve por PLR durar tanto. Na verdade, os trabalhadores quiseram mandar um recado à empresa: de que precisa rever a forma dura como vem tratando a categoria, e denunciar a deterioração nas relações de trabalho que vem sendo promovida no mundo inteiro, talvez por uma nova filosofia que se instalou a partir da sua matriz. 

Cícero Martinha — Não, não acredito. Imagino mais ou menos como atua a diretoria do Sindicato de São Bernardo. A diretoria é mais ou menos uma seleção de 74. Em 70, quando fomos tricampeões mundiais, e trouxemos definitivamente a Taça Jules Rimet, tínhamos uma seleção com uma mescla de jovens com bastante energia e talento, profissionais maduros também com talento e visão. O que acontece com a atual diretoria de São Bernardo é mais ou menos o que aconteceu com os valores que compunham a Seleção de 74. Por algum motivo, os melhores quadros de São Bernardo precisaram ocupar outros espaços e deixaram as vagas a pessoas que ainda não estão preparadas. 

As seleções que ganharam a Copa do Mundo eram uma mescla de jovens com muita garra e jogadores mais maduros que agregavam grandes valores e experiência. Acho que São Bernardo está passando por uma crise de direção. E poderiam estar preparados agora se os talentos que estão em outras áreas pudessem dar um pouco de assessoria para esses jovens que estão começando a desenvolver a ação sindical.

Qual sua avaliação sobre o governo Lula da Silva no plano de mercado do trabalho?

José Lopez Feijoó — A avaliação só pode ser positiva. Nesses pouco mais de dois anos e meio foram três milhões e meio de novos empregos com carteira assinada, a massa salarial e o ganho do trabalhador estão crescendo. As campanhas salariais são positivas por conta do crescimento econômico, com os trabalhadores conquistando aumento real de salários e elevando a participação nos lucros e resultados. Tudo isso demonstra o efeito positivo do governo Lula sobre mercado de trabalho. 

Outras coisas ainda precisam ser feitas. Os juros e o superávit primário estão altos e precisam ter rota mudada. A tabela do Imposto de Renda também precisa ser corrigida e o salário mínimo precisa continuar aumentando bem acima da inflação. Num balanço mais abrangente, a política é positiva. A categoria cresceu e as últimas campanhas salariais e as negociações de PLR foram muito boas, não só pelas vantagens econômicas, como por novas cláusulas sociais.

Cícero Martinha — Avalio que houve uma promessa de geração de empregos que não conseguiu gerar. Deveria ter jogado aberto. Deveria dizer para a sociedade que precisava de ajuda para gerar empregos. Afirmando, com clareza, por exemplo: “Vamos ter de enfrentar a guerra da dívida externa”. Acabaram ficando só na promessa. Estão dizendo que criaram empregos e na verdade não criaram coisa nenhuma. Se a gente comparar a taxa de crescimento demográfico nesses três anos e as taxas de geração de emprego, vamos ver que as vagas criadas não correspondem à geração de emprego coisa nenhuma.

O que diferencia o governo Lula da Silva e o governo Fernando Henrique Cardoso no mercado de trabalho?

José Lopez Feijoó — A diferença mais gritante entre o governo Lula e o de FHC é o volume de emprego. FHC gerou a média de oito mil empregos por mês ao longo de oito anos e o governo Lula gera uma média de 100 mil postos ao mês. Setores inteiros que estavam destruídos, como o naval, vivem hoje em processo de franca recuperação. A balança comercial com FHC era deficitária, com Lula é superavitária. Hoje existem políticas de inclusão social e combate à pobreza, envolvendo oito milhões de famílias. 

Além disso no governo Lula não se vê ataque aos direitos dos trabalhadores. Um dos primeiros atos do atual governo foi retirar do Congresso a projeto de reforma do artigo 618 da CLT, que tinha o objetivo de eliminar direitos históricos. O governo Lula é muito superior seja qual for o foco de comparação ao governo FHC.

Cícero Martinha — No mercado de trabalho, FHC vendeu as estatais a troco de banana, prometendo gerar empregos. E não gerou coisa nenhuma. O que fez pelos empregados foi reduzir a inflação. Prometeu que surgiriam mais empregos nas empresas privatizadas e nada aconteceu. E o do governo Lula, que prometeu 10 milhões de empregos, e até agora diz que gerou três milhões, o que fez foi usar a DRT não para fiscalizar as condições precárias de trabalho, mas para pegar um trabalhador informal e passar para o emprego formal. O patrão registra hoje e manda embora daqui a três meses, antes da experiência. Não é taxa de emprego coisa nenhuma. É uma enganação de emprego, de construção de estatísticas. 

Qual é a avaliação que o senhor faz quando confronta a realidade do movimento sindical no Grande ABC de hoje e o que se encontra nos três principais pólos econômicos do Estado, depois da Grande São Paulo, no caso São José dos Campos, Campinas e Sorocaba? 

José Lopez Feijoó — Os companheiros de Sorocaba têm desenvolvido uma política de organização muito parecida com a nossa. Em sua última eleição implantaram, inclusive, os comitês sindicais de empresa. Somos parceiros em muitas negociações de campanhas salariais. Temos excelente relações porque é um sindicato comprometido e responsável. Os outros dois casos prefiro não comentar porque tenho divergências importantes, mas acho que o sindicato de São José dos Campos cometeu um grave erro quando saiu da CUT, prejudicando os trabalhadores que tinham a central como pólo de articulação nacional das diversas lutas que devem ser feitas.

Cícero Martinha — Acho que começamos grandes lutas aqui, por melhores salários e condições de trabalho. Aqueles três pólos chegam hoje ao que já conquistamos. Se a gente lutar apenas por mais salários e coisas imediatas, não resolveremos quase nada numa economia globalizada. Daqui a pouco, os exemplos que estão aqui no Brasil passam para outros países da Ásia e Leste Europeu. Precisamos ter uma política nacionalista voltada para as coisas do Brasil. O Brasil tem de ser repensado a partir da nossa região. Daqui saíram as grandes questões nacionais. Daqui surgiu a indústria do automobilismo, as experiências históricas e recentes do Brasil. É aqui que temos, portanto, as experiências históricas que nos permitem repensar o Brasil. Para alavancar o progresso do Brasil.



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