Morreu de morte encomendada a ameaça que pairava sobre a cabeça do prefeito Aidan Ravin, de Santo André. Um acordo fechado com ex-aliados que pretendiam destronar o petebista, por conta de financiamento irregular da campanha eleitoral que o levou ao Paço de Santo André, liquidou de vez com as preocupações governistas.
Aidan Ravin não perderá mais o mandato, ou não está mais ameaçado de responder a uma demanda indigesta com repercussões sempre desagradáveis.
Fui o primeiro jornalista a quem recorreram os potenciais denunciantes, em fevereiro do ano passado. Escrevi vários artigos sobre o caso. Outros veículos de comunicação, alguns para ser mais claro, também noticiaram. Menos o Diário do Grande ABC, engajado na administração de Aidan Ravin.
O sumiço dos ex-aliados, depois de anunciarem que levariam as irregularidades à Polícia Federal, é sintomático do acordo.
Vive-se num mar de tranquilidade no Paço de Santo André depois do encontro das águas de interesses financeiros e políticos.
Como se observa, bem assessorado por forças políticas que vão além do território do Grande ABC, o prefeito Aidan Ravin não está dormindo de touca, embora lhe faltasse sensibilidade após os primeiros sinais de dissidência.
Aidan Ravin andou vacilando ao desdenhar o potencial bélico de ex-aliados e neutralizá-los sem desgaste. Pecadilhos de arrecadação de fundos em disputa eleitoral são pecadilhos da maioria. Seria o cúmulo da incompetência gerencial se tropeços redundassem em cassação do mandato do prefeito legitimamente eleito em Santo André.
Há governantes que aprontaram muito, mas muito mais para alcançar o poder, e jamais passaram por qualquer contingenciamento ético, quanto mais jurídico-eleitoral.
Os valores monetários das irregularidades da campanha eleitoral seriam algo como um delito de pé-de-chinelo, perto do que se tem conhecimento no mercado de votos.
Antes que os apressadinhos instalem informações deste espaço em bitola inadequada, garanto que tive acesso à documentação que consubstancia as irregularidades. Não me foram entregues cópias do material, mas estes olhos hipermétropes que um dia a terra há de comer viram as provas dos crimes e acompanhou a ênfase com que ex-aliados, agora novamente aliados, interpretavam as denúncias que não ultrapassaram os limites dos bastidores.
Foram crimes de ingenuidade, é verdade, porque a vitória de Aidan Ravin contra uma máquina mesmo que rachada do PT era tão improvável (faltou um pouco mais de um ponto percentual de votos para Vanderlei Siraque fechar a disputa no primeiro turno) que o candidato petebista mal se preocupou com o processo formal de disputa.
Resultado consumado, vitória alcançada, deslumbramento comemorado, imperialismo imposto, sobraram divisionismos e ameaças de retaliação. O caso foi esticado além da conta, até que chegou num ponto em que algo precisava ser feito. E assim se fez.
É verdade que há sempre a perspectiva de recaída dos ex-aliados que se arrumaram recentemente com o prefeito de Santo André. A desconfiança é mútua. Há pendências que precisam ser consolidadas com ações. Mas nada que deva escorregar pelos vãos dos dedos da segurança geral e irrestrita de que nada mais ocorrerá que possa constranger o Chefe do Executivo. Até porque a aproximação de algumas peças do tabuleiro legislativo, inclusive com petistas cada vez mais dóceis ao Paço Municipal, assegura tranquilidade.
Santo André vive um momento muito especial na política. A fauna diversificada de outros tempos passou por experimento genético que a torna semelhante. Darwin só não morre de inveja, de raiva e de susto porque, como se sabe, já morreu faz tempo.
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26/01/2026 VEJA A SELEÇÃO DO PREFEITO PERFEITO