O deputado federal Celso Russomanno (PPB-São Paulo) promete colocar Santo André no mapa da guerra fiscal se ganhar as eleições para a Prefeitura programadas em 2004. A decisão é anunciada pelo próprio parlamentar, aliado do candidato a governador Paulo Maluf. Celso Russomanno antecipa os planos de concorrer ao Paço de Santo André sintomaticamente alinhados à fome de bater para valer na administração do petista João Avamileno.
Do alto de 80 mil votos conquistados nas eleições municipais de 2000, quando ficou atrás apenas de Celso Daniel, Russomanno é considerado concorrente de peso ainda mais forte. Além da ausência do prefeito assassinado em janeiro último, o deputado deverá usar como palanque um discurso de probidade na gestão pública na correnteza de denúncias -- até prova em contrário, eleitorais -- contra o Partido dos Trabalhadores em Santo André.
Embora não fundamente a fórmula que adotará para jogar a cidade na guerra por investimentos com base em privilégios fiscais, Celso Russomanno afirma que faria tudo para manter empresas e criar empregos num Município que afirma frequentar com assiduidade geralmente pouco notada. Resultado de espécie de compensação territorial por desistir de concorrer em 2000 com o então candidato Paulo Maluf à Prefeitura de São Paulo, a opção de Celso Russomanno por Santo André naquele ano faz estragos nos adversários também neste 2002 -- sem contar a perspectiva de embolar o meio-de-campo na disputa pelo Paço em 2004. Afinal, o candidato à reeleição ao Congresso Nacional conta este ano com avalanche de votos na cidade que sonha governar a partir de janeiro de 2005. Bem diferente, portanto, dos apenas 4.986 alcançados no pleito proporcional de 1998. Esse quadro pode atrapalhar um dos possíveis aliados de seus planos para chegar à Prefeitura, o também deputado Duilio Pisaneschi, igualmente de olho no Paço Municipal e acusado de participar dos bastidores das denúncias contra o PT.
Por que o senhor voltou a transferir o domicílio eleitoral para São Paulo, com a promessa de que retornará a Santo André?
Celso Russomanno -- Transferi meu domicílio eleitoral para São Paulo por haver questionamento jurídico a respeito do domicílio eleitoral em Santo André e para não correr o risco de não poder ser candidato a deputado federal. Após as eleições, retorno o domicílio eleitoral para Santo André, a fim de acabar com todos os questionamentos a respeito.
O senhor não está preocupado com a interpretação de que domicílio eleitoral é uma coisa, atuação municipal é outra? Traduzindo: o senhor se manterá distante de Santo André, cidade que pretende comandar a partir de 2005?
Celso Russomanno -- Não estou distante e jamais me manteria distante da cidade. Venho acompanhando as denúncias que fiz no ano 2000 referentes aos desmandos, atos de improbidade administrativa e contratos sem licitação, entre outras. Tenho estado presente nessas questões e participado ativamente no desenrolar das investigações junto ao Ministério Público. Tenho participado de eventos sociais da cidade e mantido contato com lideranças de bairros, recebendo-as em meu escritório sempre de portas abertas. Além disso, montei um escritório do PPB em Santo André, mostrando que estou sempre presente e que estarei cada vez mais. Afinal tive 80 mil votos na cidade. Foram 80 mil eleitores que confiaram em meu trabalho. Independente de qualquer coisa, jamais poderia ficar longe de Santo André.
Quais as diferenças que se apresentarão aos candidatos oposicionistas em Santo André nas eleições de 2004, não só diante da não participação do prefeito Celso Daniel mas, principalmente, do assassinato do ex-titular do Paço Municipal?
Celso Russomanno -- De uma forma ou de outra, o prefeito Celso Daniel não poderia participar de nova eleição, uma vez que já estava no segundo mandato consecutivo e isso abriria espaço para que outros candidatos se apresentassem. Porém, diante do quadro de corrupção envolvendo a Prefeitura de Santo André divulgado em todos os meios de comunicação, fica evidente que no pleito municipal a população terá outra conduta, pois está muito decepcionada com as denúncias.
Qual sua avaliação sobre as denúncias? Trata-se, como argumenta o PT, de ferramenta político-eleitoral para atingir a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva? Se Celso Daniel não tivesse sido assassinado nas circunstâncias já conhecidas, o senhor acha que haveria denúncia dessas supostas irregularidades?
Celso Russomanno -- Denúncias existem desde o ano 2000. Na verdade, são 17 representações criminais que fiz quando era candidato a prefeito de Santo André. Essas denúncias foram todas protocoladas no Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal e na Polícia Federal. Venho acompanhando o andamento de todas e não se trata de uma questão partidária ou perseguição política, até porque o senhor Luiz Inácio Lula da Silva nada tem na a ver com essas questões. Ocorre que existem irregularidades na administração municipal e devem ser apuradas. Uma das minhas atribuições como deputado é fiscalizar o poder público.
Quais são as diferenças entre as denúncias contra a administração do PT em Santo André e as oferecidas contra o candidato ao governo do Estado, Paulo Maluf?
Celso Russomanno -- Na administração do PT em Santo André existe um esquema montado entre parte do comando da administração e empresários, através do qual são feitos contratos sem licitação, sem tomada de preços e com endividamento da cidade muito grande. Já na questão que envolve o doutor Paulo Maluf, o Ministério Público vem tentando provar desvio de dinheiro para fora do País, fato que até a presente data não foi comprovado. De qualquer forma, havendo denúncias, deverão ser apuradas, independente de quem quer que seja.
O senhor considera João Avamileno um candidato menos problemático do que Celso Daniel?
Celso Russomanno -- O prefeito João Avamileno continua não governando. Não governava antes quando vice-prefeito e não governa agora, haja vista que o senhor Klinger de Sousa continua mandando na cidade, mantendo a estrutura anterior mesmo sem a presença do senhor Celso Daniel. Gostaria muito de vê-lo governando de fato Santo André.
Qual seu conceito de governar um Município para justificar a declaração de que João Avamileno não exerce essa atividade? Sua declaração não poderia ser interpretada como uma provocação já com vistas às eleições de 2004?
Celso Russomanno -- De forma nenhuma. Minha interpretação diz respeito aos escândalos envolvendo série de denúncias e desmandos. Quando um prefeito assume a administração de um Município, presume-se que tenha homens de sua confiança e principalmente o domínio desse Município. Acredito que o senhor João Avamileno não possui esse domínio, pois os que mandavam na cidade continuam mandando, com exceção agora do senhor Klinger de Sousa, afastado justamente por todas essas denúncias.
Diante da possibilidade de concorrer também contra Duilio Pisaneschi e Newton Brandão, o senhor considera a disputa estrategicamente mais complicada?
Celso Russomanno -- De jeito nenhum. Na eleição passada tive apoio do deputado Duilio Pisaneschi, bem como do deputado Newton Brandão. Tenho certeza de que no próximo pleito iremos encontrar um caminho para a disputa eleitoral em Santo André. Entretanto, considero que ainda é muito cedo para se falar na sucessão municipal. Estamos às vésperas de uma eleição para presidente, governadores, senadores e deputados.
Sua candidatura teria pressupostos de acordo em eventual segundo turno com candidatos mais próximos de seu perfil ideológico ou o senhor considera que não há fórmula capaz de conciliar as diferenças?
Celso Russomanno -- A política é feita de diálogo, prática que continua pautando minha vida. Independente de partidos políticos, sou homem de bom senso. Comigo, diálogo sempre haverá. Desde que sem corrupção.
Se tivesse que optar por uma dobradinha com Duilio ou com Brandão, qual preferiria?
Celso Russomanno -- Ambos são meus amigos. Com certeza dobraria com os dois, apesar de não termos falado sobre o pleito deste ano, pois tudo tem seu tempo e no momento oportuno iremos conversar.
O senhor concorda com o ex-coordenador técnico de pesquisas da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC que afirma que a região não sofreu evasão industrial?
Celso Russomanno -- Absolutamente não! Não concordo. Basta andar pela Avenida Industrial para ver a quantidade de empresas que foram embora. Entendo que seja preciso apoio para toda a região, pois existe uma guerra fiscal declarada, através da qual são oferecidos isenção de impostos municipais, terrenos e grande quantidade de vantagens. Santo André, por exemplo, tem tudo para continuar sendo pólo industrial. Falta apenas vontade política. Como prefeito de Santo André, entraria na guerra fiscal sim. Faria tudo para manter empresas e empregos, procurando trazer novas empresas para o Município.
Como o senhor resolveria a questão-eixo de entrar na guerra fiscal, que pressupõe privilégios de várias formas para atrair ou manter empresas, se Santo André já tem um parque industrial instalado e a atração de novas indústrias, com benefícios locacionais e tributários, por exemplo, desequilibraria o sentido de concorrência interna? Um exemplo: como uma autopeças já instalada sem os benefícios da guerra fiscal vai competir com uma autopeças atraída pelas vantagens intrínsecas da guerra fiscal?
Celso Russomanno -- Os benefícios tanto para quem já está na cidade como para empresas que quiserem se instalar devem ser os mesmos. Na minha gestão, a lei será igual para todos. Não haverá concorrência desleal, até porque, defesa do consumidor e livre concorrência são matérias que domino, sempre defendi e jamais permitiria que tal fato ocorresse.
Quais são os principais problemas que Santo André enfrenta hoje do ponto de vista social? Como faria para minimizá-los?
Celso Russomanno -- Existem sérios problemas na periferia. A pobreza é muito grande, sem nenhuma condição de higiene, muito aquém, portanto, do que determina a Organização Mundial de Saúde. Não há saneamento básico, com esgoto a céu aberto e falta de água encanada, agravado pelo fato de não haver um plano de governo ou uma política pública para minimizar as condições sub-humanas em que vivem milhares de pessoas. Uma das primeiras coisas seria dar condição digna de moradia a essas pessoas, promovendo a construção de casas populares em regime de mutirão, conjugado com trabalho social, dando orientações de higiene e ensinando como viver em comunidade. Com a melhoria da educação e da saúde pública, conseguiríamos diminuir sensivelmente as intermináveis filas nos hospitais e pronto-socorro da cidade, trazendo melhoria na qualidade de vida da população.
O senhor conhece a proposta do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial a respeito da transformação da Grande São Paulo em novo Estado nacional? O senhor acha que a questão metropolitana precisa de tratamento diferenciado do tradicional?
Celso Russomanno -- Não conheço a proposta do Instituto Fernand Braudel. Contudo, entendo que grandes centros necessitam de tratamento diferenciado. Milhares de pessoas saem de suas cidades com destino à Grande São Paulo procurando empregos e oportunidades por acreditar numa vida melhor. Grande parte acaba em favelas. Deveria haver uma política de incentivo à atividade agrícola do País para que as pessoas do campo permanecessem no campo em condições dignas. Necessitamos que haja crescimento organizado e um plano diretor bem elaborado para grandes centros, como a Região Metropolitana de São Paulo.
Como o senhor diz desconhecer a proposta do Instituto Fernand Braudel se a principal revista regional do País, exatamente LivreMercado, que circula preponderantemente no Grande ABC, região na qual se insere Santo André, Município que o senhor pretende dirigir, publicou Reportagem de Capa a respeito do assunto? Sua assessoria não o informou a respeito?
Celso Russomanno -- Li a Reportagem de Capa Estado da Grande São Paulo é a Salvação, de LivreMercado. Entendo que a criação de um Estado novo implica primeiramente na construção de uma segunda máquina estatal, o que custaria muito caro para o povo paulista. Há que se considerar ainda que com a Lei de Responsabilidade Fiscal os gastos com pagamentos de funcionários têm limites. Temos visto a criação de novos municípios e as experiências não têm resolvido os problemas das cidades. Não acredito que desmembrar o Estado de São Paulo resolva o problema da segurança, senão teriam desmembrado a Ilha de Manhatan da cidade de Nova York e teriam solucionado os problemas daquela região metropolitana. A questão da segurança pública, muito abordada pelo americano Norman Gall, deve ser resolvida com a unificação das polícias, com a necessidade de um secretário de Segurança que tenha pulso e prestigie a Polícia, como foi feito em Nova York no chamado Plano de Tolerância Zero. O problema dos 39 municípios com 17 milhões de habitantes também pode ser solucionado com uma Secretaria de Estado Especial para a Região Metropolitana. Essa secretaria poderia desenvolver as idéias citadas na matéria de LivreMercado. É preciso lembrar que a Capital de São Paulo tem a segunda arrecadação do País, depois do Estado de São Paulo. A questão não é falta de dinheiro e sim de moralidade nos gastos públicos e vontade política de fazer. Até porque os índices de sonegação são altíssimos, principalmente no que tange ao ICMS e ao ISS. Quanto à transformação das administrações regionais em subprefeituras, acredito que deveria ser implantado de imediato e com orçamento próprio, pois a população estaria mais perto de resolver seus problemas.
Quais serão seus argumentos para sensibilizar o eleitorado de Santo André a prestigiá-lo nas urnas?
Celso Russomanno -- Meus argumentos são sempre os mesmos. Trabalho pela igualdade social com muita seriedade, combatendo a corrupção e as coisas erradas, como sempre pautei minha vida.
O senhor acha que em função das denúncias envolvendo a Prefeitura de Santo André o tema-eixo da disputa à Prefeitura será exatamente a questão da probidade administrativa?
Celso Russomanno -- Com certeza, é o que venho pregando sempre: probidade administrativa. Acho que é obrigação dos políticos serem honestos e corretos. Acredito que, com as associações de bairros, vou conseguir administrar a cidade com fiscalização, ou seja, cada metro quadrado de obra contratada, cada serviço contratado, tem que ser fiscalizado pelas associações de bairros bem como por entidades civis, casos de OAB, Crea e outras. Todos têm a obrigação de fiscalizar. Irei chamar ao exercício da cidadania todas essas lideranças para que não ocorra nenhuma irregularidade. Iremos fazer de Santo André a melhor cidade da região.
O senhor está preparado para os oposicionistas à sua candidatura que dirão tratar-se de forasteiro?
Celso Russomanno -- Acho que isso não passa de grande bobagem, pois em algum momento todos migraram de algum lugar. Sou paulistano, brasileiro e como não tinham nada a dizer da minha vida que me desabonasse, vieram com essa bobagem. Pobres de espírito aqueles que possuem esse sentimento de discriminação.
Qual, então, a melhor explicação para o senhor ter sido candidato e continuar concorrente à Prefeitura de Santo André e não, por exemplo, em Mauá, Ribeirão Pires, Diadema?
Celso Russomanno -- Por possuir um carinho muito grande por Santo André, adquiri um apartamento aqui e é bom lembrar que sempre tive votação expressiva na cidade como deputado, agora mais do nunca. Depois de 80 mil votos, tenho compromisso de coração com Santo André.
Por que o senhor, que tanto quer a Prefeitura de Santo André, já não montou equipe de trabalho de profissionais vinculados ao Município para produzir o que poderia ser chamado de um programa de governo?
Celso Russomanno -- Desde a campanha de 2000 deixei claro que não apenas possuía uma equipe de profissionais como são todos de Santo André, ao contrário do que ocorre hoje na administração do senhor João Avamileno, na qual grande parte das empresas que prestam serviços públicos à cidade é de fora. Secretário como o senhor Klinger de Sousa veio da administração de Santos, entre outros que também não são de Santo André. Pretendo trabalhar com as associações de bairro, com a associação comercial, com empresários locais, com técnicos e engenheiros da Prefeitura, pessoas que sabem muito bem como fazer para melhorar as condições de vida da cidade.
Por que o senhor não apresenta sua eventual equipe de governo com a antecedência necessária e, mais que isso, seus próprios conceitos de governança, de modo a inserir-se de fato como agente regional? Afinal, em nenhum instante o senhor defendeu as questões mais transcendentais do Grande ABC, embora, nesse ponto, tenha atenuante, já que agentes públicos que aqui estão instalados também têm dificuldades de entender o processo de esvaziamento econômico da região.
Celso Russomanno -- Em todos os debates de que participei durante a campanha de 2000 apresentei meu plano de governo com soluções para cada problema de Santo André. Só quem não esteve presente ou não assistiu pela televisão é que não conhece meu trabalho. Quanto a uma eventual equipe de governo com antecedência, isso não se faz. Não se nomeiam secretários sem antes assumir a administração. À medida que for eleito, chamarei a sociedade para participar do governo e apresentarei meu secretariado juntamente com a equipe que irá me acompanhar.
Até que ponto o resultado das eleições para governo do Estado vai influenciar as eleições municipais em Santo André dois anos depois?
Celso Russomanno -- Quem estiver no comando do governo do Estado de São Paulo poderá ajudar mais Santo André. No caso de vitória do doutor Paulo Maluf, é evidente que, pertencente ao mesmo partido, terei mais condições de trazer recursos para Santo André.
E uma vitória de Lula da Silva, fortaleceria de fato o PT no Grande ABC?
Celso Russomanno -- Não acredito nisso. Depois de todos os escândalos e denúncias de corrupção, o povo de Santo André está vacinado.
O senhor não acredita exatamente em que? Na vitória de Lula ou no fortalecimento do PT no Grande ABC?
Celso Russomanno -- Eventual vitória de Lula tem antes que ser confirmada nas urnas. Hoje temos apenas pesquisas. Quanto ao fortalecimento do PT no Grande ABC, muito pelo contrário. Com todas as denúncias de corrupção que envolvem a administração do PT, creio que a população saberá dar a resposta nas urnas.
Quer dizer que mesmo Lula presidente, a Prefeitura de Santo André escapará do controle do Partido dos Trabalhadores?
Celso Russomanno -- O senhor Fernando Henrique é o presidente do País e o senhor Mário Covas foi governador do Estado de São Paulo, mas nem por isso o PSDB conseguiu se eleger à Prefeitura de São Paulo. Não tem como vincular os governos federal, estadual e municipal. Todos são independentes e a população se expressa nas urnas de acordo com sua vontade.
O que é ser deputado federal de um Estado que não tem representatividade política semelhante à demografia?
Celso Russomanno -- Apesar de termos a maior bancada estadual na Câmara Federal, com 70 deputados de um total de 513, penso que deveria ser revista a representatividade, bem como o número total de deputados. Acho que os deputados do Estado de São Paulo vêm cumprindo suas funções. No meu caso, por exemplo, venho lutando pelo Estado e os direitos dos cidadãos.
Se tivesse que relacionar três de suas principais ações como deputado, enfatizaria exatamente o que?
Celso Russomanno -- Inicialmente, centenas de denúncias contra corrupção, pois um deputado não apenas legisla como fiscaliza os atos do Poder Executivo. Tenho aproximadamente 30 projetos de lei tramitando na Câmara dos Deputados beneficiando a população, principalmente na área da defesa do consumidor, além do trabalho que desenvolvo representando o País no Mercosul, Parlamento Latino-Americano, Parlamento Europeu e nos Estados Unidos na Alca. Saliento também minha atuação na CPI do narcotráfico, prendendo algo em torno de 150 narcotraficantes e denunciando mais de mil envolvidos. Destaco minha atuação na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, nos mais variados segmentos da sociedade. Cito alguns exemplos: a questão dos botijões de gás que foram requalificados em todo o País, acabando-se com acidentes diários; a livre concorrência de pneus e creme dental; a auto-regulamentação de vasilhames que evita acidentes com garrafas que explodiam na cara de consumidores; a fiscalização da temperatura ideal de produtos congelados em supermercados, que causavam problemas de saúde a muitos consumidores; fiscalização de rótulos de produtos; combate à pirataria e produtos contrabandeados em todo o País; solicitações de auditorias ao Tribunal de Contas da União relativas a contratos de empresas estatais como a Petrobras; fiscalização das privatizações de empresas de energia elétrica e telefonia; organização do sistema nacional de defesa do consumidor que hoje conta com uma estrutura de Procons por todo o País; e o Departamento de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça. Enfim, poderia ficar horas falando sobre minha atuação como deputado federal.
Qual sua avaliação sobre a necessidade de regionalização das ações político-institucionais no Grande ABC? O senhor enxerga o Grande ABC como uma divisão de sete municípios só aparentemente semelhantes ou tem consciência de que as diferenças precisam ser ressaltadas para que se trabalhem os pontos em comum de forma integrada?
Celso Russomanno -- Entendo que os pontos em comum dos municípios têm que ser trabalhados de forma integrada. Entretanto, existem questões individuais que necessitam ser analisadas pelo Município. Falta pulso aos administradores, falta controle. Como, por exemplo, o caso das denúncias em Santo André.
Qual sua avaliação sobre a votação que recebeu em Santo André nas últimas eleições à Prefeitura?
Celso Russomanno -- Fico muito grato pelos 80 mil votos que tive em Santo André em 2000, principalmente pelo fato de termos feito campanha artesanal, pois dispúnhamos de poucos recursos, menos de R$ 80 mil. Os programas de rádio eram gravados dentro do comitê, pintávamos faixas, colávamos e prendíamos as bandeirinhas nos postes, tudo com equipe própria e de improviso, pois não tínhamos dinheiro para terceirizar esses serviços. A população de Santo André pôde acompanhar toda a campanha e constatou nosso esforço.
A que fatores o senhor atribui sua votação em Santo André? A percepção geral é de que a maioria dos 80 mil votos foi conferida ao senhor como um comunicador, um homem da mídia, e não necessariamente ao parlamentar.
Celso Russomanno -- Na verdade, o Celso Russomanno repórter, apresentador e deputado são uma só pessoa. Minha atuação, seja como repórter ou parlamentar, é a mesma: denunciar coisas erradas e defender o consumidor de forma geral. Os 80 mil votos são o reconhecimento do trabalho que venho desenvolvendo, independentemente de ter dinheiro para campanha, algo que não tinha.
O senhor tem confiança de que o Complexo de Gata Borralheira que atinge o Grande ABC, e que pode ser resumido na realidade de que se dá mais valor a tudo o que vem da Capital, acabará por beneficiá-lo eleitoralmente?
Celso Russomanno -- Considero que não há muita diferença entre as cidades da Grande São Paulo. Todas têm os mesmos problemas de saúde, transporte, educação, segurança etc. Acho que havendo vontade política e da população, Santo André pode se tornar bem melhor que São Paulo. Quanto ao aspecto eleitoral, não acho que irá me beneficiar. Acredito muito que com o povo de Santo André poderemos fazer uma cidade modelo, da qual todos os andreenses tenham orgulho.
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02/12/2025 CARLOS FERREIRA E O PODER EXECUTIVO