Como era esperado, o prefeito Paulinho Serra fugiu da Entrevista Especial formulada por CapitalSocial no dia 12 de maio. Passaram-se 20 dias e o titular do Paço de Santo André confirmou a perspectiva de que não teria coragem e argumentos para responder às questões.
Cada Entrevista Especial de CapitalSocial é uma oportunidade de prestação de contas --- no caso dos gestores públicos. São de fato e para valer questões incômodas. Sobremodo para políticos com ideia fixa em passos ambiciosos, como é o caso do prefeito de Santo André, reeleito em novembro do ano passado.
Paulinho Serra tem sonhos supostamente ameaçados pelo jornalismo independente. É preciso manter a sociedade alheia à realidade. Move-se, nesse sentido, em direção a moinhos de vento da mídia mais permissiva quando se trata de levar cidadania a sério.
Paulinho Serra tem predileção incondicional pelo jornalismo de conveniências e de relações públicas. CapitalSocial fez as perguntas a Paulinho Serra tendo a premissa de que o tucano não as responderia. Daí a elaboração de questões com contextualização segura, de modo a, como se verá em seguida, ser respondidas pela própria publicação.
Subdividindo em edições
Por conta disso, vamos escalonar durante vários dias, não necessariamente sequenciais, as respostas que CapitalSocial preparou em resposta que Paulinho Serra sonegou. Verão os leitores que a há um ganho excepcional de qualidade informativa. Afinal, houvesse se manifestado, Paulinho Serra adotaria prática comum de quem não tem o que dizer porque não tem como explicar: destinaria o espaço a respostas evasivas ou fantasiosas, campos nos quais é um craque de primeira linha.
CapitalSocial -- Não lhe parece que o futebol da cidade é muito importante para ficar sem espetáculos na Série A do Campeonato Paulista, já que o Estádio Bruno Daniel não foi colocado em ordem depois da destruição do gramado para dar vez a um hospital de campanha desativado seis meses antes da competição começar? Como o senhor vê o futebol de Santo André como fonte de mobilização social e de cultura, além de propaganda nacional da cidade?
Paulinho Serra –
CapitalSocial – O prefeito Paulinho Serra não tem apreço pelo Santo André. Aliás, só o tem de verdade da boca para fora. A agremiação que vive aos trancos e barrancos como a maioria dos clubes pequenos e médios do futebol brasileiro é a melhor vitrine nacional do Município. Qual é o valor, por exemplo, de participação contínua na Série A do Campeonato Paulista? Fora do circuito nacional, o Santo André sofre com um calendário elitizado. Não se pretende que uma gestão pública seja paternalista, mas o oposto é um escárnio consumado na transformação do Estádio Bruno Daniel em hospital de campanha desativado antes da hora e entregue aos ratos e à destruição total do gramado. A propaganda oficial tenta enfiar goela abaixo da população que a gestão municipal dá conta do recado do Coronavírus. Bobagem: Santo André está entre os endereços nacionais mais letais do vírus chinês.
CapitalSocial -- Já lhe passou pela cabeça de andreense uma mobilização de colaboradores que tenham empatia pelo futebol da cidade para contribuir com o Santo André na proposta de formular um projeto de marketing que fortaleça o futebol da cidade? Algo que tenha finalidade exclusivamente colaborativa, sem resquício político-partidário e sem imiscuir-se na gestão do clube.
Paulinho Serra –
CapitalSocial – O centralismo da gestão pública municipal de Santo André somado à preferência por colaboradores cuja principal característica é o interesse político-eleitoral convencional, não abre espaço a qualquer novidade colaborativa ao Santo André. Diferentemente de outros tempos, sobretudo no período em que Celso Daniel estava no comando do Paço, a Prefeitura de Santo André trata a agremiação com descaso. Há completo distanciamento que se mescla ao abuso em forma de prorrogar indefinidamente a reconstrução do gramado do Estádio Municipal. Sem massa crítica de colaboradores em várias áreas, Paulinho Serra soterra qualquer possibilidade de enxergar o Santo André como uma agremiação agregadora do espaço territorial do Município, com o Estádio Municipal plantado no Primeiro Distrito e o Parque Poliesportivo no Segundo Subdistrito.
CapitalSocial -- O senhor se preocupa com o naco de participação orçamentária na produção de riqueza do Polo Petroquímico? São mais de um terço de arrecadação de ICMS dependente de um segmento que está sujeito ao jogo macroeconômico. E mais de quatro anos de mandato o que efetivamente o senhor fez de aproximação com lideranças da atividade?
Paulinho Serra –
CapitalSocial – Por coincidência ou consequência, logo após o envio dos questionamentos de Entrevista Especial ao prefeito de Santo André deu-se um noticiário de curta duração de movimentação em torno de políticas de aproximação entre a Prefeitura e representantes das empresas do Polo Petroquímico. Um requentamento mal-ajambrado de políticas públicas consistentes sob o comando de Celso Daniel, no fim do século passado. E que foram abortadas com a morte do então prefeito. A importância arrecadatória do Polo Petroquímico para Santo André, no bolo de distribuição de ICMS, deveria manter o Poder Público interligado permanentemente aos representantes daquele conglomerado de empresas. Um plano específico de ramificação de pequenas e médias empresas, tendo a Prefeitura de Mauá como parceira, porque também é beneficiária da atividade, colocaria os dois municípios em situação mais compatível com a riqueza produtiva. Nenhum plano estratégico reestruturante do setor jamais foi colocado em prática. Arrecadar agora e deixar a bomba para as próximas gerações de prefeitos e de uma sociedade empobrecida é muito mais vantajoso aos praticantes de varejismo administrativo.
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02/12/2025 CARLOS FERREIRA E O PODER EXECUTIVO