Política

LULACÁ, TRAGICAMENTE?
COMO FOMOS EM 2023? (4)

DANIEL LIMA - 23/01/2024

No campo da Macropolítica, nada que surpreendesse favoravelmente à região se deu no ano passado e dificilmente ocorrerá nos próximos anos, mesmo com o anúncio de novo plano de industrialização que, no fundo, não passa de embromação. Afinal, o Estado, entre outras variáveis, não tem capacidade de investimento, exceto se lubrificado por gastança inflacionária. Um filme mais que repetitivo. Dilma Rousseff é exemplo mais trágico.   

A nacionalização dos debates, a pauta fiscal, a pauta monetária, as crises políticas e institucionais, tudo isso e muito mais descarrilha de vez o trem da regionalidade.  

Não é exceder-se em repetição lembrar que o invólucro de um cofre complexo de relacionamentos no governo federal sequer foi levemente tocado por agentes públicos da região na temporada que passou.  

Isso tem a seguinte mensagem: se nem se chegou de fato e para valer aos nomes que constariam do mapa de poder decisório em Brasília quando se trata de ações voltadas a regiões com as características do ABC Paulista, imagine-se então o que esperar quanto ao dono da chave do cofre. 

Não faltam egressos da região no organograma do Poder Executivo e do Poder Legislativo federais, mas há uma objetividade pouco disfarçada a compor os cordéis de mobilização: primeiro cuidam de seus próprios interesses, depois cuidam dos interesses dos partidos que representam, e por fim observavam sem entusiasmo o território que os elegeu.  

Quando nem mesmo um ex-prefeito de São Bernardo, o ex-sindicalista Luiz Marinho, tem interesse principal em disputar a Prefeitura, escalando-se um deputado estadual, caso de Luiz Fernando Teixeira, o que se tem acima de tudo é um certo desconforto de abandonar o ambiente federal.  

Tudo foi diferente em 2008, quando Luiz Marinho se afastou do Ministério da Previdência Social em direção a uma campanha eleitoral massiva que culminou com vitória repetida quatro anos depois.   

A ANÁLISE DE 2023 

A subalternidade do Grande ABC no mapa político nacional é fator senão de impedimento mas inibidor à sensibilização de autoridades de alto calibre na busca por resultados. O apadrinhamento de Lula da Silva não é suficiente. Como não o foi anteriormente. Sem Lula é muito pior, claro. 

O cruzamento de política e economia no sentido mais amplo das duas especialidades não favorece a região. A região tem baixo peso no enxadrismo eleitoral e, pior ainda, no despertar da mídia de grosso calibre.  

A representatividade política no País, moldada no Regime Militar, não contemplou o Grande ABC como território especial. Diferentemente disso: estamos a reboque da Capital. Somos uma peça pouco importante do mosaico de empoderamento dos territórios. 

Os quatro deputados estaduais que representarão a região em Brasília são andorinhas que não fazem verão quando cotejados com a magnitude nacional.  

O Grande ABC sabe que existe um vácuo profundo que combina um binário quase desanimador.  

Na mesma medida que não tem voz política numa Câmara de Deputados e muito menos no Senado, as empreitadas para obter recompensas econômicas por causa do peso fiscal que arrecada para a União se diluem. Ficamos apenas com migalhas. 

Está certo que esse bloco de concreto multifacetado e impermeável às perspectivas de o Grande ABC contar com o Estado como parceiro influente em determinadas iniciativas não é um capítulo que não comporte exceção.  

A UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) é prova disso, influenciada na instalação pelos petistas locais da primeira década deste século. 

Uma vitória de Pirro, como se sabe. A UFABC está no Grande ABC mas não conta com partituras que favoreçam um musical construtivo de competitividade econômica.  

A macropolítica nacional pode mais uma vez contar com alguns reforços de agentes políticos petistas com histórico de atuação no Grande ABC, mas disputas internas, ou seja, entre os deputados e senadores de várias agremiações, diluem a expectativa de que o filtro de investimentos deixe de ser o que já foi no passado recente, ou seja, muito restritivo.  

Não passa pela seletividade natural de concorrências no seio situacionista e oposicionista algo que poderia favorecer politicamente o Grande ABC só porque o Grande ABC é o berço político de Lula da Silva.  

A experiência dos 14 anos em Brasília prova que o Grande ABC de perto de 2% do PIB Nacional tem exatamente esse tamanho de prioridades na escala de valores de investimentos públicos federais.  

É nesse ponto que fragilidades institucionais do Grande ABC precisam ser atentamente levadas em conta.  

Enquanto não houver sincronia entre demandas econômicas e sociais e organização coletiva de agentes públicos e privados locais, mais as dificuldades se acentuarão.  

O peso relativo de cada espaço nacional em Brasília é a moeda de troca de ações governamentais.  

Estados da Federação muito menos poderosos economicamente que o Grande ABC, mesmo um Grande ABC em continuado processo de esvaziamento, são Estados mais prestigiados no cronograma de atendimentos do governo federal. 

Afinal, esses espaços territoriais têm mais força na distribuição de representantes eleitos pelo povo. A representatividade política do Brasil não segue critérios demográficos nem econômicos. Estados do Norte e Nordeste valem muito mais que o Grande ABC inserido no mapa do Estado de São Paulo. 

Essa é uma verdade que precisa ser levada em conta como missão básica à reorganização das relações do Grande ABC junto ao Poder Federal.  

O petismo por si só não responde ao necessário respaldo a uma região avermelhada que, mais uma vez nas últimas eleições, deu vitória a Lula da Silva.  



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