Administração Pública

PREFEITO DO ANO
NÃO É PREFEITO

DANIEL LIMA - 08/12/2025

Recomendo aos leitores que não se precipitem com os primeiros trechos que se seguem. O que estão lendo logo acima, naquilo que chamo de manchetíssima, não é uma combinação maluca de palavras que formam uma frase de destaque. Como alguém pode ser Prefeito do Ano do Grande ABC sem ser prefeito no Grande ABC?

Acontece o seguinte: o conceito de prefeito também carrega abstrações que ultrapassam a geografia e tudo o mais, especialmente num ambiente metropolitano. E nesse caso a explicação é simples: o Prefeito do Ano do Grande ABC alterou a rota de uma temática negligenciada no Grande ABC e por isso invadiu a grande área do Grande ABC que supostamente seria apenas dos prefeitos eleitos no Grande ABC. Tudo isso foi para a cucuia nesta análise. E deve ir para a cucuia na cabeça dos leitores sem preconceitos espaciais e políticos.  

Acompanhe o que se segue para entender por que (e agora surge o nome e o sobrenome do eleito)  Orlando Morando, ex-prefeito de São Bernardo até outro dia, é, como Secretário de Segurança da cidade de São Paulo, o Prefeito do Ano do Grande ABC.  Um Prefeito do Ano disparadamente Prefeito do Ano. 

AGENDA DOS PREFEITOS

Orlando Morando simplesmente dominou a principal agenda dos sete prefeitos do Grande ABC que formam o Clube dos Prefeitos, entidade que aos trancos de territorialismo  e barrancos de seletivos corre na tentativa de estabelecer alguma coisa que chegue próximo de um ramal de regionalidade – no caso a Segurança Pública.

Mais abaixo o leitor vai saber o que os prefeitos estão fazendo para não serem colhidos fora do tablado criminal. Aliás, nesse ponto, a bem da verdade, já avançaram mais do que se esperava, levando-se em conta a inoperância histórica do Clube dos Prefeitos. E só o fizeram por quê? Pelos resultados materialmente comprovados de Orlando Morando, o Xerifão da Metrópole.

O Clube dos Prefeitos correu atrás de ações e resultados para dar ao Grande ABC algo diferente do que tínhamos como fonte de proteção à sociedade. E seguiram todos os passos de Orlando Morando, garantidamente o xerifão da Segurança Pública da principal metrópole do País, embora tecnicamente e politicamente o cargo que ocupe esteja limitado legalmente àquela imensidão de 12 milhões de habitante.

Só não conhece os efeitos colaterais, radioativos e tudo o mais que São Paulo provoca na Grande São Paulo e particularmente no Grande ABC quem desdenha da elasticidade territorial do conceito de prefeito.

Até outro dia também entendia que prefeito prefeitava prefeitura dentro dos limites territoriais legais. Estava enganado. Orlando Morando mudou essa regra porque numa metrópole os efeitos de medidas profiláticas – no caso – se irradiam à vizinhança. O que era radioativo se tornou bem-vindo. Os prefeitos do Grande ABC reconhecem essa verdade porque reagiram prontamente à pauta do ex-prefeito de São Bernardo.

CAÇAPA CANTADA 

Modéstia às favas, numa análise que publiquei na edição de 10 de janeiro deste ano neste CapitalSocial,  antecipava a situação  sob a manchetíssima: “Orlando Morando dá a volta por cima”.

Abri aquela análise afirmando que existiam numa escala de valores de intensidade semelhante pelo menos quatro indicadores que faziam de Orlando Morando   grande destaque desta temporada então mal iniciada na política regional. “Não é pouca coisa para quem viu a candidatura escolhida e preferida da sobrinha Flávia Morando perder as eleições à Prefeitura de São Bernardo” -- ressaltei.

E segui em frente ao lembrar que ao assumir a Secretaria de Segurança Urbana da cidade de São Paulo, a maior capital nacional, sede da maior metrópole da América Latina, Orlando Morando agigantava-se como agente político perante não só o gataborralheiresco Grande ABC como também no cenário paulista. “Ou alguém acredita que a pasta de maior sensibilidade social da maior cidade do País é uma pastinha qualquer?” – acentuei. 

QUATRO DESAFIOS

De fato – continuei naquele artigo que consta do arquivo desta publicação digital  --  a pasta é mais valiosa que a maioria dos cargos de Executivo de inúmeras cidades do País. Bastaria indexar a avaliação ao potencial político no sentido mais amplo da expressão. E elenquei os quatro pontos que giravam em torno do significado de magnitude do cargo que passou a ser ocupado por Orlando Morando: 1. Complexidade administrativa e operacional. 2. Visibilidade midiática.3. Enxadrismo político-partidário. 4. Futuro eleitoral. 

Continuei aquela análise ao afirmar que não acreditava que cometeria equívoco de desconsiderar  outros vetores relevantes à nova tarefa do prefeito que colocara São Bernardo nos trilhos da modernidade no campo de infraestrutura física  -- uma façanha à qual nenhum dos antecessores levou adiante, embora planos não faltassem.

Ainda naquela análise escrevi que Morando foi inapetente ao não enfrentar as vicissitudes herdadas do governo federal e também dos antecessores relapsos no campo da reestruturação econômica. 

Também escrevi: “Vamos então a breves avaliações que tornam Orlando Morando o político mais importante da região neste começo de 2025. Qualquer prefeito da região que olhe para a competitividade por espaço midiático sabe que deve disputar o segundo lugar se o critério for o ambiente metropolitano. São 22 milhões de habitantes de olhos e ouvidos postos no desempenho da Administração de Ricardo Nunes. A repercussão é estadual com ramificações a outras regiões do País”.

VISIBILIDADE MIDIÁTICA

Segui em frente e reproduzo parte daquela análise para que os leitores entendam mais do riscado de fazer jornalismo com valor agregado. Escrevi: “A Administração de Ricardo Nunes entregou a Orlando Morando o fio desencapado da Segurança Pública. Uma herança de antecessores e da maluquice dessa imensidão de habitantes que disputam sobrevivência como milhares de baratas de laboratório numa caixa de papelão para os especialistas provarem que gente demais próximas entre si faz mal à saúde psíquica, entre outros pesadelos”. 

Lembrei também naquela análise que os painéis de controle metafóricos e tecnológicos para os enfrentamentos do dia a dia do ambiente corrosivo da Capital do Estado tornavam Orlando Morando executivo público em permanente xeque. Como xerifão metropolitano da área, Morando teria a possiblidade de imprimir ritmo análogo aos oito anos de prefeito de uma das maiores cidades do País  --escrevi.

Destacava sobre a importância de visibilidade midiática. “Esse é um ponto a ser cuidadosamente observado porque pode gerar desgastes a Orlando Morando, embora a contraface seja compensadora. Quis o destino que o ambiente nacional o favoreça à tomada de medidas conservadoras no campo da criminalidade que tanto preocupa a sociedade. Orlando Morando terá a oportunidade de tomar iniciativas que provavelmente o colocariam como gestor equilibrado na banda estreita, mas nem por isso impreenchível de não exagerar na dose nem para os radicais à direita e tampouco dos cínicos à esquerda. Conciliar ordem e progresso num ambiente suscetível a espetacularizações ideológicas poderá tornar a gestão de Orlando Morando um modelo aos novos tempos de um País cansado de extremismos nos mais variados ambientes” – escrevi no começo de janeiro.  

VOLTA POR CIMA

Sigo adiante no selecionamento criterioso daquela análise: “Enquanto a propagação de informações deletérias dava conta de que Orlando Morando estaria a nocaute nos próximos anos, após a perda das eleições em São Bernardo na vertente que mais lhe asseguraria participação discreta, eis que o ele aparece com a nomeação ao cargo na Capital do Estado. A engenharia político-partidária que o levou a uma reviravolta nas expectativas não é uma obra de arte qualquer. Orlando Morando é um discreto fazedor de relacionamentos ainda pouco compreendido por sabetudos que acreditam que podem dar aulas magnas sobre articulações políticas. Para chegar aonde chegou nesta temporada, diante das circunstâncias postas, possivelmente pesaram dois aspectos que tornam Orlando Morando um político de prestígio: uma determinação a planejar e executar ações viscerais e um determinismo de fidelidade aos princípios programáticos que defende. Orlando Morando não tem vocação geraldo-alckmista” -- escrevi.

E tem mais: “ Com todo esse encadeamento de situações colocadas à mesa, o que parecia turvo se tornou bastante promissor -- Orlando Morando, mesmo fora do cargo de prefeito, mesmo sem ter a parceria do prefeito eleito em São Bernardo, tornou-se peça-chave às próximas eleições proporcionais que, promissoras, o embalariam, quem sabe, à retomada de perspectivas à reocupação do cargo em São Bernardo. Em suma, há fortes inclinações que elevam a arremetida de Orlando Morando rumo a novos, mesmo que antigos, patamares nos próximos anos. Quando terminou a disputa em São Bernardo, a projeção mais comedida era exatamente oposta. Orlando Morando parecia carta fora do baralho de competitividade eleitoral nos próximos anos entre outras razões porque São Bernardo é uma arena de muita combatividade concorrencial e quem tem a máquina pública sempre leva vantagem, como comprovam os números de reeleições de prefeitos e seus indicados no País” – disparei naquele texto no começo deste ano. 

CORRENDO ATRÁS

E, vejam agora, como fui premonitório naquele texto de janeiro: “O fato concreto e indescartável como elemento-chave do estado de alerta geral que a nomeação de Orlando Morando despertou parece clarificado: os novos prefeitos da região estarão pressionados a mostrar serviço. Haverá sempre diante deles, num espaço midiático massificador, um personagem que intensificará medidas para apagar incêndios na floresta de dificuldades mais que conhecidas no ambiente de Segurança Pública da Capital. Nas duas primeiras semanas deste novo ano, foram inúmeras as agendas midiáticas envolvendo Orlando Morando. Como o consumo de informações da Capital centraliza a demanda da região metropolitana, os comandantes dos municípios ficarão em segundo plano dentro dos próprios terrenos locais “ -- ponderei.

O texto de janeiro prossegue: “Essa configuração é válida sobretudo no ambiente do Grande ABC. Orlando Morando apareceria como um constante oitavo prefeito diante dos olhos locais. E provavelmente o mais destacado. O Complexo de Gata Borralheira, passaporte à consagração de forasteiros, tende a fazer de Orlando Morando algo muito maior em prestígio porque representaria um exemplar de sucesso do gataborralheirismo na disputadíssima Cinderela” -- escrevi.  

XERIFÃO METROPOLITANO 

Em julho último, escrevi outra análise sobre a atuação de Orlando Morando. Sob o título “ Orlando Morando vira xerifão metropolitano”. Destaquei: “Caso os 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo fossem dotados de dispositivos eletrônicos com a finalidade específica de identificar o maior destaque midiático entre os secretários municipais e, mais que isso, se houvesse no mesmo dispositivo a qualificação técnica dos gestores públicos desse espaço territorial,  Orlando Morando apareceria entre os melhores diante das câmeras eletrônicas de monitoramento. O programa Smart Sampa, que Morando transformou no principal ativo do prefeito paulistano, Ricardo Nunes, colocou-o, portanto, mais que na linha de frente de um reconhecimento facial, centro daquele dispositivo tecnológico” -- escrevi.

E expliquei por que voltei ao assunto: “Esperei sete meses para poder expor sem precipitação aos leitores e eleitores, que também são consumidores e torcedores, essa conclusão incômoda para alguns. Não posso fazer nada. A vida é assim mesma. A resiliência de um gestor público que lidera com ampla vantagem a categoria de políticos da região é prova de que eventuais frustrações políticas não são um ponto final. Morando não fez a sucessora que pretendia em São Bernardo, como se sabe, mas virou o melhor presente do prefeito da Capital do Estado. Quando os adversários o davam como sem-rumo, ele virou um farol metropolitano. Ou não é exatamente isso alguém que faz o que ele está fazendo, ou seja, dar visibilidade nacional à empreitada de combate a criminosos?” – indaguei.

Saltando alguns trechos daquela análise, escrevi: “A força de tração da Capital se expande por toda a Grande São Paulo de 23 milhões de habitantes. E grande parcela dos demais 38 municípios já adotou ou está em fase de adoção do modelo paulistano de combate ao crime. Com destaque, claro, ao monitoramento que identifica e manda prender bandidos foragidos comprovadamente bandidos que estão à solta sempre em busca de novas vítimas. (...). A eficiência com que se dedica à principal demanda da sociedade brasileira nestes tempos já o levou à consagração midiática. A demanda é de superstar”.

AUSÊNCIA EMBLEMÁTICA

Mais adiante, na mesma análise fiz uma sugestão: “Dê uma espiadinha no Google e será possível chegar a uma conclusão inevitável: o prefeito paulistano talvez lastime não ter tido o secretário antes. Mas como ter o secretário antes se o secretário era prefeito de São Bernardo? Aliás, o melhor prefeito de São Bernardo neste século. Não que tenha sido prefeito nota 10. Seria um milagre para quem pegou uma terra arrasada por Dilma Rousseff e por um histórico horroroso de desindustrialização. Quando assumiu, em janeiro de 2017, São Bernardo contabilizava queda do PIB per capita de 30% ante os dados de 2014. Dilma Rousseff jogou uma bomba de Hiroshima nos anos de 2015 e 2016”—escrevi.

Para completar aquele texto de julho último, dou mais um salto e chego aos seguintes parágrafos: “ Os efeitos de expansão territorial na Grande São Paulo às ações de Orlando Morando são cada vez mais densos. Prefeitos fazem romarias para apressar os passos em busca de respostas à criminalidade de todos os matizes. Orlando Morando virou pauta obrigatória de gestão comprometida com a sociedade. O cada vez mais questionado Estado, no sentido de poder, tem em Orlando Morando um ponto de inflexão restauradora.  No Grande ABC, os prefeitos não escondem a imperiosidade de agirem, inclusive tendo o prefeito Ricardo Nunes como liderança convidada do Clube dos Prefeitos. Uma presença que reforça a ausência de Orlando Morando por razões meramente políticas dos enciumados borralheiras. O fantasma camarada de Orlando Morando, adversário de um de outro, no caso, principalmente, Gilvan Júnior e Marcelo Lima, coloca fogo na corrida por câmeras  de reconhecimento facial e pelo compartilhamento  de dados de combate à bandidagem com o acervo do governo Estadual” -- conclui. 

RESULTADOS POSITIVOS

O sucesso gerencial e midiático de Orlando Morando em São Paulo, secretário preferido de Ricardo Nunes, com quem mantém relação muito mais próxima do que a ocupação do cargo, está nos números, além ou mesmo principalmente na subjetividade sensorial da população, que se sente mais protegida. O Smart Sampa se transformou no maior e mais completo sistema de monitoramento por câmeras da América Latina. São 40 mil dispositivos instalados, dos quais metade próprios e a outra metade privados. São Paulo está forrada com a tecnologia. E os resultados do Smart Sampa são gigantescos:  2.442 foragidos foram capturados sem disparo de um único tiro. Nenhuma prisão irregular. Todos que deviam à Justiça estão à disposição das autoridades. Foram efetivadas 3.650 prisões em flagrante. Foram localizados  128 desaparecidos e registradas 1.347 ocorrências com veículos. 

E o Clube dos Prefeitos, na esteira de Orlando Morando, também apresentou resultados nos últimos meses, correndo atrás de uma carona midiática. Foi lançada a Operação ABC+Seguro que marcou a entrega de drones e integração regional na área de Segurança Pública, até então completamente descartada. Equipes das Guardas Civis Municipais passaram a ter encontros frequentes.



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