Administração Pública

Marinho Daniel (4)

DANIEL LIMA - 24/01/2009

O prefeito eleito em novembro para comandar São Bernardo a partir do primeiro dia do novo ano deu sorte ao ver o PT em desvantagem numérica regional no confronto com tucanos e assemelhados.

Explico: fosse Vanderlei Siraque vitorioso em Santo André e o resultado partidário no Grande ABC favorecesse ao PT por quatro a três, em vez de beneficiar aliados do governador do Estado, a candidatura de Luiz Marinho seria compulsória à presidência do Clube dos Prefeitos.

Qualquer decisão que Luiz Marinho tomasse em seguida que viesse a driblar a expectativa de dirigir o Clube dos Prefeitos soaria como descaso aos olhos dos oposicionistas e de empáfia dos situacionistas petistas.

Antes mesmo do segundo turno, quando as perspectivas se delineavam favoravelmente à supremacia do PT tanto em termos de PIB (Produto Interno Bruto) quanto de representatividade municipal, Luiz Marinho antecipava disposição de abrir mão da disputa pelo Clube dos Prefeitos. Em conversa com este jornalista apontou inclusive preferência por José Auricchio Júnior, prefeito de São Caetano.

Luiz Marinho deixara evidente, com a iniciativa condicionada ao resultado do segundo turno, que não disputaria a liderança regional com qualquer um dos concorrentes, petistas ou não. Nem precisaria, porque a grandeza de riqueza e de problemas de São Bernardo, a Capital Econômica do Grande ABC, explicitam essa condição, assim como ocorreu com William Dib.

Mas não era por esnobismo que Marinho Daniel preferia deixar o Clube dos Prefeitos fora do radar nos dois primeiros anos de mandato: de fato, ele pretendia, como pretende, dedicar-se prioritariamente ao que chamou de arrumação social de São Bernardo, sem abrir mão, completamente, de temáticas regionais e metropolitanas.

Celso Daniel foi o grande líder regional dos anos 1990, mesmo baseado numa Santo André decadente em três décadas seguidas, porque ultrapassava todos os limites do padrão médio dos demais prefeitos. Fosse prefeito de São Bernardo teria sido ainda maior.

O leitor mais atento há de perguntar se a determinação de Luiz Marinho de descartar de imediato o Clube dos Prefeitos não inviabilizaria o imbricamento com o gestor público que mais produziu regionalidade no Grande ABC, tornando assim, segundo esse mesmo leitor, a expressão Marinho Daniel uma fantasia identificatória que, no fundo, no fundo, se revestiria de abuso jornalístico.

A presidência do Clube dos Prefeitos não confere, necessariamente, a nenhum chefe de Executivo o rótulo de regionalista. Trata-se de uma formalidade político-jurídica. Fosse diferente, a rotatividade e a diversidade de titulares de Executivos que ocuparam o cargo garantiriam um grupo tão especializado que não haveria razão alguma para se preocupar com a disseminação dos conceitos de integração regional.

Basta lembrar que, possivelmente, o mais bairrista entre os prefeitos que o Grande ABC já produziu, Luiz Tortorello, três vezes comandante de São Caetano e, na primeira gestão, estrangulador do processo de regionalismo ao implementar a guerra fiscal do ISS (Imposto Sobre Serviços) também se dobrou às conveniências de dirigir o organismo. Nem se coloca em discussão se Tortorello foi bom ou mau prefeito regional — porque não o foi. O que se procura resgatar é a contumaz ausência do titular do Paço de São Caetano nas reuniões da entidade, quase como tantos outros.

Chegará o momento em que Marinho Daniel terá de assumir o Clube dos Prefeitos. Espera-se, apenas, que se desembarassem os nós que tanto impedem maior produtividade do organismo. José Auricchio Júnior é o nome ideal para comandar a entidade, mas sabe muito bem o que o espera. A modelagem estrutural e funcional é uma velharia que reduz a força e o interesse coletivos.



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