Administração Pública

Marinho Daniel (1)

DANIEL LIMA - 14/01/2009

Qualquer semelhança entre o que se prenuncia da administração Luiz Marinho e o que consolidou o prestígio de Celso Daniel não é mera coincidência.


Percalços à parte neste início de jornada do petista que arrebatou a Prefeitura mais importante do Grande ABC e, seguramente, depois da Capital, o mais relevante palco político-eleitoral no Estado nas próximas eleições presidenciais, a composição do secretariado e as medidas estratégicas do novo comandante do Paço de São Bernardo deixam mais que escancaradas as indeléveis digitais de Miriam Belchior, a superassessora do presidente Lula da Silva, e de outros colaboradores.


A ex-supersecretária de Celso Daniel passou as férias de dezembro carregando as pedras da concepção da estrutura do governo, sempre contando com o suporte de pelo menos dois quadros igualmente com passado no Paço de Santo André — a mulher de Marinho, Nilza de Oliveira, e Mauricio Mindrisz.


Dessa forma, o governo de Luiz Marinho nasce sob o signo da experiência acumulada pelo PT em políticas públicas. Sem contar que também conta com um quadro enxuto mas especialíssimo de assessores temáticos. Marinho está cercado por gente qualificada, com visão tática e estratégica e conhecedora da administração pública. Tanto quanto Celso Daniel. A vantagem é que há experimentos desativados, porque se mostraram deficientes face à voracidade oposicionista, e metodologias consagradas, porque eficientes.


O PT de São Bernardo e a rede de aliados que desmontou boa parte do grupo situacionista de William Dib nas últimas eleições tomam todos os cuidados e iniciativas para fortalecer aquele que poderá ser o candidato do partido às eleições governamentais de 2014. Antes disso, em 2010, é apenas especulação.


A mais recente amarra na teia de diretrizes para tornar a administração Luiz Marinho semelhante a de Celso Daniel, e que de fato não é nenhuma novidade no espectro político-esportivo do País, é o que o Diário do Grande ABC anuncia nesta quarta-feira como a compra do São Bernardo Futebol Clube.


De fato, o que se tem é uma aproximação entre atividades mutuamente rentáveis. Gestão pública e futebol profissional são irmãos siameses pela simples razão de que o primeiro precisa do nicho de popularidade do segundo, ao mesmo tempo em que o segundo precisa de recursos financeiros e materiais que o primeiro sensibiliza mais facilmente. O São Bernardo não estava intimamente ligado ao governo William Dib por mero acaso.


Quando colocou o arquiteto Klinger Luiz de Sousa na vice-presidência do Esporte Clube Santo André e começou a injetar muitos recursos na equipe presidida por Jairo Livolis, o PT de Celso Daniel queria mais que um somatório de resultados que arrefecesse o antipetismo local. Queria também criar as bases populares para Klinger Sousa virar prefeito em 2004. Luiz Tortorello, à época, fazia furor na vizinha São Caetano, com o Azulão a plena carga de sucesso.


Os Três Tombos botaram tudo a perder na trajetória de Celso Daniel e de Klinger Sousa, num incidente que, por ser mesmo incidente, é um dos pontos que contribuem para quebrar as duas pernas e os dois braços da fantasiosa versão do Ministério Público de que o assassinato de Celso Daniel foi político. Pura bobagem. Sem o sequestro seguido de morte, a história seria outra. Tanto para Celso Daniel quanto para Klinger Sousa.


A influência da administração de Luiz Marinho no futebol profissional e também na Liga de Futebol não é mais que a repetição de um modelo que, insisto, faz parte da cultura política nacional. Newton Brandão não participou ativamente da fundação do então Santo André Futebol Clube no final dos anos 1960 e não detinha o controle da Liga de Futebol então sob a presidência de um funcionário público, Wigand Rodrigues dos Santos, simplesmente porque era apaixonado por futebol.


Ou alguém acredita que Luiz Tortorello virou espécie de torcedor símbolo do São Caetano e empenhou-se pessoalmente na construção de um folclore que sempre o vinculou ao eixo das conquistas da equipe porque colocava o Azulão acima de tudo?


A administração de Luiz Marinho emite sinais claros de que é o modelo mais bem acabado do amadurecimento político-administrativo dessa agremiação que viveu nos últimos 20 anos ciclos de contrastes que a transformaram de guardiã da ética em prevaricadora única no universo público. Marinho e um grupo seletivo de gestores públicos estão depurando um modelo próprio de petismo que a equipe do presidente Lula da Silva formatou a duras penas no governo federal, principalmente para sufocar a hipocrisia contida na versão estapafúrdia de que o PT inaugurou o amplo viaduto do mensalão.


A vantagem de Marinho Daniel é que aprendeu com os erros dos outros.


Voltaremos ao assunto.


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