Política

Conselho eleitoral

DANIEL LIMA - 17/09/2004

Os eleitores que vão às urnas no Grande ABC em 3 de outubro provavelmente saberão valorizar o instrumento democrático de que dispõem. Entretanto, a título de sugestão, elencamos alguns pontos sobre os quais deveriam referenciar o acionar digital. Por exemplo:


Lucidez — Não acreditem em candidatos que usam o bom-mocismo para flertar com a insanidade tributária. De maneira geral, as prefeituras dos sete municípios do Grande ABC não comportam magias na tenda administrativo-tributária. Quem estiver prometendo miraculosos rebaixamentos de alíquotas e valores de impostos municipais blefa fragorosamente. Os municípios do Grande ABC perderam nacos importantíssimos de repasse do ICMS e estão-se especializando, por instinto de sobrevivência, em ajustar a máquina arrecadatória municipal. São programas diversos de recuperação interna do muito que se perdeu de retorno de riquezas geradas aqui e desviadas pelos governos estadual e federal. Por mais que seja dolorido, é essa a realidade. Pior que o peso de apenas 5% da carga tributária nacional originária dos municípios são as extrações estadual e federal, a salvo de mobilizações de repulsa.


Criatividade — A maioria dos atuais prefeitos e de secretários dos municípios do Grande ABC dá um show de sensibilidade social, com programas voltados principalmente para comunidades carentes. Entretanto, no campo econômico, até porque não conseguiram superar a dependência de governos estadual e federal, sentem-se amarrados. Não acreditem em opositores que prometem o céu porque hemorragia verbal não pode ser confundida com criatividade administrativa. As soluções econômicas do Grande ABC passam necessariamente, em larga escala, pela integração regional. Somos vistos como megacidade, não sete fragmentos distintos.


Comprometimento — Verifiquem com atenção entre os postulantes às prefeituras quem de fato tem história de compromisso pelo menos municipal para contar. Não caiam na armadilha simplória de municipalismo provinciano que se utiliza da suposta salvaguarda da naturalidade de local de nascimento impressa na Carteira de Identidade. Cuidado com o discurso fácil e maniqueísta de que só são dignos de seu voto quem nasceu aqui, quem cresceu aqui, quem ganhou a vida aqui. Há muitos desses supostos cidadãos locais que não fizeram nada além de amealhar benefícios do capitalismo sem a contrapartida responsabilidade social.


Governabilidade — Ganhar uma prefeitura é apenas o início de longo processo gerencial, muito além de encapsular-se no gabinete do chefe do Executivo, se espalha necessariamente a partir desse cômodo do poder. O acompanhamento das nuances pré-eleitorais por vez denuncia pontos de rupturas latentes que, transpostos para a esfera do poder, podem evocar mais fissuras que soluções. A governabilidade interna e intra-municipal faz a diferença no final do mandato. Quando um grupo político dá sinais de fragmentação, as nuvens indicam que tudo pode acontecer.


Governança — Se governabilidade faz diferença interna, do Paço em relação ao próprio Paço e do Paço em direção à comunidade representada, governança é instância igualmente relevante. Por governança, no caso do Grande ABC, se entenda a capacidade de grupos políticos com poder de decisão se organizarem regionalmente em busca de soluções cada vez mais interdependentes. Vezos autoritários municipalistas são incompatíveis com esse pressuposto porque o perfil de autoritarismo não cabe no figurino de extroversão administrativa.


Diversidade — Cuidado com quem se aproxima de instâncias da comunidade não como fonte de compartilhamento de propostas e ações, mas como cidadela a ser neutralizada. O estilhaçamento do contraditório fértil é um dos sinais mais proeminentes da literatura preferencial dos déspotas.


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