Política

Por que Temer preferiu adiar ruptura
entre Aidan Ravin e Nilson Bonome?

DANIEL LIMA - 13/02/2012

Há uma interpretação em comum na Imprensa sobre a posição do vice-presidente da República e presidente nacional licenciado do PMDB, Michel Temer, quanto à ruptura do então primeiro ministro da Prefeitura de Santo André, o peemedebista Nilson Bonome, e o prefeito petebista Aidan Ravin.


 


Como se sabe, decisão do diretório estadual levou Bonome a lançar pré-candidatura à Prefeitura. Michel Temer declarou no final da tarde de sexta-feira que ainda tentará um encontro das águas com Aidan Ravin a fim de conciliar interesses entre os dois principais titulares do Executivo de Santo André ao longo de três anos. O que isso significa? Para os jornais, um certo desencanto com a postura de Michel Temer.


 


Temos algumas ideias que divergem desse simplismo. Não se pode desprezar o grau de sofisticação estratégica do peemedebista. Ou alguém entende que se chega à vice-presidência da República costurando pontos de ingenuidade e enredos simplórios?


 


A possibilidade aventada pelos situacionistas de que Nilson Bonome e o diretório estadual peemedebista exageraram na dose e apressaram a tomada de decisão de rompimento com a Administração Aidan Ravin sem a anuência de Michel Temer é de consistência gelatinosa. Michel Temer é grato ao prefeito Aidan Ravin por ter-se posicionado favoravelmente à candidatura de Dilma Rousseff na disputa presidencial e, diplomático como sempre, não deixaria de demonstrar agradecimento na situação que se lhe apresenta -- mesmo que a contraface dessa decisão seja o que parece ser um novo impacto na Administração Municipal.


 


Ou deveria ser interpretado de forma diferente o resultado de possível encontro entre Temer e Aidan que redundasse na mais que provável confirmação de que Nilson Bonome não será mesmo vice na chapa situacionista, até porque já declarou alto e bom som que só vestirá a camisa peemedebista no pleito municipal se for como titular, não como vice? Resumo: na realidade, um encontro entre Michel Temer e Aidan Ravin apenas acentuaria o desgaste político-administrativo do prefeito, porque é dada como inconciliável uma candidatura à reeleição com Nilson Bonome de vice também sob a ótica situacionista, de rejeição ao peemedebista.


 


Só um jogo de cena


 


Ao propagar que Michel Temer não tinha conhecimento da beligerância e do impasse Aidan-Bonome, a cúpula paulista do PMDB faz jogo de cena, visto pela Imprensa como portentoso soco de improvisação do partido. No fundo, no fundo, o que ardilosamente Michel Temer preparou foi a transferência de uma responsabilidade pesadíssima de coalização entre petebistas e peemedebistas para o prefeito Aidan Ravin. A saída de Bonome não teria esclarecido devidamente esse cenário.


 


Qualquer resultado do diálogo dos políticos para supostamente contornar a situação será indigesto para o titular do Paço Municipal de Santo André. A convivência de Nilson Bonome com Aidan Ravin e seu entorno mais imediato, de influência maior no dia a dia da Administração, é muito mais ostensivamente antagônica do que duelos entre torcidas organizadas em campo aberto das ruas que cercam os estádios de futebol. Michel Temer sabe muito bem que há situações que exigem diplomacia pública de separação consensual.


 


Bonome foi vítima de impiedoso processo de esvaziamento de poder na Prefeitura de Santo André. Algo que poderia ser metaforizado num cenário de festa junina, no qual o balão que subiu é o balão que desceu, perfurado por espingarda de chumbo.


 


Um tríplice ataque


 


O que se encaminha com a encenação é que o PMDB prepara um ataque triplo com vistas a fortalecer entranhas em Santo André: ao mesmo tempo em que a confirmação final do afastamento de Aidan Ravin e Nilson Bonome transmitirá ao público a sensação de irredutibilidade do atual prefeito, a candidatura peemedebista ganharia ares de oposicionismo moderador e abriria veredas entre a criticada gestão atual e os ainda vistos como radicais petistas, representados na disputa desta temporada por Carlos Grana. O PMDB manteria, assim, as portas abertas aos adversários à direita e à esquerda do espectro político-ideológico.


 


Convém também enxergar o tabuleiro de explicações sobre a mexida nas peças da sucessão eleitoral em Santo André considerando o entorno político-eleitoral no País, principalmente as relações intestinas, pelo menos entre as cúpulas, do PT e do PMDB, aliadíssimos na disputa presidencial. É improvável que Lula da Silva e Michel Temer tenham se afastado do teclado de uma composição em parceria, por mais que pressões de segundos escalões se façam ouvir.


 


Os dois partidos vão combinar esforços onde for possível. Não a ponto de renunciarem às próprias ambições, é claro. Isso significa que eventual candidatura de Nilson Bonome em Santo André será embalada pelos peemedebistas e aliados primeiro com a proposta de chegar ao segundo turno e, segundo com um forte viés de linha auxiliar dos petistas numa provável etapa final reservada a Carlos Grana e a Aidan Ravin.


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