Política

PSDB ia trair Alckmin e apoiar PT
no segundo turno em Santo André

DANIEL LIMA - 03/07/2012

Acredite quem quiser, mas é bom acreditar para não dizer que não avisei, até porque não sou louco como alguns imaginam, nem estúpido como outros sugerem, muito menos imbecil como querem alguns, tampouco paranóico, como destacam determinados adversários: o tucanato que acaba de anunciar desfiliação supostamente em massa em Santo André por causa do apoio do governador Geraldo Alckmin ao pedetista Raimundo Salles pretendia entregar a rapadura para o PT no segundo turno das eleições municipais.
 
Estava tudo combinado. Combinadíssimo. Só faltou acertar os ponteiros com Ricardo Torres (homem de confiança do secretário estadual e futuro candidato a governador Bruno Covas) que comanda o diretório municipal dos tucanos e desprezado pelo pobre prefeito Aidan Ravin. O mesmo Ricardo Torres que se tornou peça-chave na composição orquestrada por Raimundo Salles e, com isso, proporcionou a maior reviravolta eleitoral em Santo André.
 
Possivelmente
o vereador Paulinho Serra esteja cometendo o maior erro de uma carreira política que, se já não engatara uma marcha mais forte, mantinha a expectativa de que poderia avançar em direção ao sonho de, no futuro, ser prefeito.
 
A espetacularização da perda de eventual vaga à disputa majoritária pelo PSDB, dando-se sentido de vítima e atribuindo o ônus a terceiro até então distante da área de influência decisória do partido, é um desfecho patético. Principalmente porque se anuncia como derramamento de sangue a saída de minguados 19 integrantes do PSDB no Município que tem, segundo o próprio Paulinho Serra, 4,5 mil filiados.
 
Talvez tenha faltado ao vereador Paulinho Serra um acompanhamento mais maduro, mais disciplinado e mais perceptivo de que não se faz política partidária apenas e tão somente nas tribunas e nos bastidores do Paço Municipal. A vida partidária pesa para valer. A descoberta de que estava completamente nu, sem apoio do diretório municipal, coloca Paulinho Serra em situação muito mais que incômoda, porque poderia sugerir que, num lance de competência e sorte, prefeito se tornasse, estaria absolutamente isolado para administrar a cidade. Ou a dirigir sem aliados com os quais pudesse compartilhar, de fato, fidelidade e capacidade organizacional. Basta como exemplo a ser descartado o prefeito atual, um Collor que ainda não foi afastado do poder porque a leniência municipal prevalece.



Apenas linha auxiliar
 
No fundo, no fundo, o que pretendia o PSDB derrotado em Santo André e que, paradoxalmente, se fortalece com a candidatura de Raimundo Salles, era atuar como linha auxiliar do PT de Carlos Grana às eleições de outubro.
 
Estava tudo combinado, combinadíssimo nesse sentido, porque Paulinho Serra desconfiava de suas próprias forças econômicas e institucionais para ultrapassar barreiras que candidaturas mais sólidas lhe imporiam, casos de Aidan Ravin, mesmo que debilitadíssimo, Carlos Grana, Raimundo Salles e Nilson Bonome. O ajuste das informações complementares sobre a até agora grande novidade na corrida pela Prefeitura de Santo André, ou seja, o apoio do governador Geraldo Alckmin a Raimundo Salles, não pode prescindir de insumos baseados em fatos, sob pena de o jornalismo converter-se numa mistureba de safadeza, oportunismo e mercenarismo.
 
Traduzindo: os tucanos do ninho de Paulinho Serra e do ex-deputado federal Duílio Pisaneschi estavam preparando o terreno do segundo turno em favor do petista Carlos Grana, já que temem como o diabo à cruz os efeitos ainda por vir dos assaltos ao trem pagador do Semasa, perpetrados pela Administração Aidan Ravin. Temem porque sabem que as irregularidades são um saco sem fundo e as provas materiais, mais que evidentes, só estão em banho-maria porque a cronologia eleitoral assim o determina. Esse mesmo grupo exclui Raimundo Salles de qualquer tratativa porque a fama do ex-secretário de Comunicação do prefeito William Dib, em São Bernardo, é de certa inflexibilidade a determinadas concessões usuais no mundo político.
 
O que quero, enfim, dizer com tudo isso é que o papel autoproclamado de coitadinhos de Paulinho Serra, Duílio Pisaneschi e outros integrantes do PSDB-do PT em Santo André, não passa de jogo de cena, de traquinagem verbal, de falsidade interpretativa, de jogo sujo permitido no mundo político mas que não pode permanecer sob proteção da omissão generalizada. Por isso estou botando a boca no trombone. Bendito dia em que inventaram a alternativa de produzir informação sem depender excessivamente do poder econômico, de publicidade, dessas coisas do mundo impresso. E, ainda, quando se organiza um trabalho em bases corporativas, emitir esta edição para 122 mil cadastrados.
 
Maus perdedores
 
Que os consumidores de informação na Província do Grande ABC não caiam, portanto, na ladainha de maus perdedores. Paulinho Serra perdeu uma batalha eleitoral da qual poderia retirar muito aprendizado, mas, ao que parece, caminha para o autoflagelamento ao seguir conselhos que vão canibalizar um eleitorado próprio que, longe de sustentar-lhe a ambição de tornar-se Executivo, garantiu-lhe desde bom tempo a condição de Legislador. Os próximos passos poderão agravar ou suavizar os escorregões de logística partidária e eleitoral que, injustamente, transfere a quem não tem absolutamente nada com isso. Assumir os próprios erros não é uma virtude qualquer. Pesa a experiência de vida que o jovem Paulinho Serra ainda há de somar.
 
Da forma com que está se conduzindo, Paulinho Serra acabará por tornar Raimundo Salles não o vilão terceirizado, mas a vítima preferencial de seus equívocos, proporcionando uma reviravolta no eleitorado que o apoia.
 
Quem sabe, para consertar o quadro, Paulinho Serra decida, também, aliar-se ao PSDB, que tem em Raimundo Salles uma das alternativas, provavelmente a principal, para  preparar novos temperos administrativos num Município atirado às feras do desencanto, da mesmice e da desilusão de uma Administração medíocre e não muito diferente da anterior.
 
Paulinho Serra seria um reforço providencial à eventual Administração Raimundo Salles, porque é um moço de valor. Pena que entenda pouco de organização partidária e tenha por defeito acreditar linearmente que experiência de vida se traduz única e exclusivamente na idade cronológica de alguns de seus parceiros de jornada exageradamente influenciados por ranços biliares para entender do riscado.


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