Política

Data Popular não tem nada a ver
com pesquisa publicada pelo Diário

DANIEL LIMA - 25/07/2012

O Data Popular, instituto de pesquisas com sede em São Paulo, não tem nada a ver com a pesquisa eleitoral publicada pelo Diário do Grande ABC na edição do último domingo, motivo de avaliações nesta revista digital. A possibilidade de que tivesse atuado em conjunto com a publicação, explorada aqui por este jornalista de forma condicional, embora o título da matéria fosse afirmativo (“Diário troca Ibope por Data Popular, mas sonega informação aos leitores”) foi o risco que corri para editar aquele trabalho na última segunda-feira. Procurei caminhos para me certificar de que fora o Data Popular  responsável por aqueles estudos, mas, premido pelo cronograma de postagem, acabei avançando o sinal. Nada mais justo e honesto que colocar os acentos nos respectivos lugares.

 

A repercussão do texto que produzi para esta revista digital levou a direção do Data Popular a manter contatos comigo. A assessoria de imprensa daquele instituto me enviou esclarecimentos, os quais repasso aos leitores.

 

Escrevi naquele artigo que “saiu o Ibope, contratado às eleições de 2008, e entrou, segundo descoberta no Tribunal Superior Eleitoral, o Data Popular. Se não foi o Data Popular, foi a analista Ligia Paes Gonçalves, do Data Popular”. O que consta entre aspas é quase todo verdadeiro, mas não é integralmente verdadeiro.

 

De fato, Ligia Paes Gonçalves tem nome vinculado ao Data Popular como analista, mas isso faz parte de um passado recente. Já não pertence mais ao quadro daquela empresa. Infelizmente, o rastreamento na noite de domingo não obteve essa resposta. Antes de escrever que poderia ser o Data Popular a fonte da pesquisa do Diário, fui à Internet. Acionei os dispositivos de busca e o que encontrei foi o site do Data Popular em fase de construção. Uma porta fechada à confirmação do que pretendera um pouco antes. E o que pretendera um pouco antes? Vincular o nome de Ligia Paes Gonçalves ao Data Popular. Havia vínculos nas redes sociais. O nome da pesquisadora e estatística estava ligado ao do Data Popular. E era Ligia Paes Gonçalves que subscrevera a pesquisa encaminhada ao Superior Tribunal Eleitoral, conforme determina a legislação.

 

Ora, com esses elementos e ante a imperiosidade de escrever o artigo, tratei de mandar bala. Tomei o cuidado de condicionar a ligação dos nomes de Ligia e do Data Popular. Apenas o título da matéria foi afirmativo. Apenas é força de expressão, porque esfolou uma lateral da realidade do texto propriamente dito.

 

Não recomendo a nenhum jornalista precipitação na produção de qualquer trabalho. Mesmo que esteja, como estava este jornalista, quase que integralmente certo das informações. Tanto que consultei outro profissional de mídia que me auxiliou na descoberta do nome da estatística a quem o Diário do Grande ABC recorreu para assinar a pesquisa.

 

Apesar de tudo, não me arrependo de absolutamente nada porque foi possivelmente graças a uma certa aceleração do ritmo de produção jornalística que houve desdobramentos e esclarecimentos. A estatística Ligia Paes Gonçalves também explicou que sua participação na pesquisa deu-se através de um trabalho independente que prestou a uma consultoria contratada pelo Diário do Grande ABC. Uma relação anterior aos serviços prestados ao Data Popular, da qual se desligou há 30 dias.

 

Conversei com Ligia Paes Gonçalves por telefone ontem à tarde, com a intermediação da assessora de imprensa do Data Popular, e a convidei a uma leitura apurada dos textos que produzi sobre a pesquisa publicada pelo Diário do Grande ABC. Quero que contraponha argumentos às restrições que expus aos leitores. São tantos os pontos gelatinosos à segurança interpretativa daquele texto que talvez a responsável direta pelo projeto possa contribuir com esclarecimentos.

 

Quanto ao Data Popular, que jamais realizou qualquer pesquisa eleitoral, porque essa não é sua especialidade, o mínimo que tenho a fazer é dar a este texto retificador  a mesma visibilidade daquele no qual inseri sua marca num título que poderia ter embrenhado coerentemente pelo conjunto de informações do corpo do artigo. Não tive e jamais terei compromisso com  erro, mesmo que o erro em questão tenha sido deliberadamente calculado em forma de risco a correr numa situação que me pareceu inadiável.

 

Seria ótimo, convenhamos, se o Diário do Grande ABC tivesse o desprendimento desse jornalista com seus leitores e abrisse a caixa-preta ou algo equivalente à transparência do processo que culminou na contratação daquela pesquisa, sem, também, deixar de oferecer aos leitores todas as informações metodológicas. Mais ainda: que se disponha, igualmente à estatística contratada, a proporcionar contraditórios sobre o que chamamos de incoerências, vacilos, buracos negros e outras deficiências daquela investigação eleitoral. Democracia informativa se pratica assim.



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