Administração Pública

Marco Zero: vamos mostrar em
capítulos a fraude da MBigucci

DANIEL LIMA - 15/10/2012

Vamos publicar em capítulos -- o primeiro previsto para a edição desta quarta-feira -- tudo sobre o empreendimento Marco Zero, da MBigucci, projetado e em fase de negociação com incautos compradores. A obra está projetada a ocupar parte do terreno de 16 mil metros quadrados que pertenciam à Prefeitura de São Bernardo e foi arrematada em licitação pública fraudulenta. Participaram, além da Big Top 2, criada pelo Grupo MBigucci especificamente para participar do leilão, outras cinco empresas do setor. Duas das quais, deliberadamente mancomunadas para usufruir de uma encenação que culminou na compra do espaço por R$ 1 4 milhões. O valor representava à época, julho de 2008, menos da metade da cotação do mercado e apenas um quinto do valor de hoje, segundo especialistas.


 


Tanto os textos já publicados por esta revista digital quanto o que produziremos em sequência não necessariamente diária comprovam fartamente as irregularidades que enriqueceram ainda mais o acervo material do conglomerado MBigucci. O arremate do privilegiadíssimo terreno entre as esquinas da Avenida Kennedy e Senador Vergueiro, em São Bernardo, revestiu-se de irretocável operação fraudulenta. CapitalSocial denuncia a irregularidade com provas materiais e testemunhais.


 


A decisão de esmiuçar integralmente o caso Marco Zero em textos sequenciais que se estenderão por período impossível de ser determinado poderá ser atropelada, no bom sentido, esperado posicionamento da Procuradoria-Geral do Município e do Ministério Público de São Bernardo.


 


Desafio à MBigucci


 


CapitalSocial reitera à direção do conglomerado MBigucci, especialmente ao presidente daquela organização, Milton Bigucci, também presidente da Associação dos Construtores do Grande ABC, simulacro de organização corporativa, o desafio de, mais uma vez, agora em função desse trabalho, recorrer ao Judiciário para obstar a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão que sustentam esse trabalho jornalístico.


 


CapitalSocial ainda está desvendando desdobramentos do crime comandado por Milton Bigucci e por parceiros de negócios. Desde a primeira matéria publicada sobre o arremate daquela área este jornalista está forrado de informações incontestáveis. Mas o que já era substancioso tornou-se muito mais sólido. CapitalSocial teve acesso a documentos especialmente constrangedores à quadrilha do mercado imobiliário que de forma direta e indireta participou daquela jornada de transgressão.


 


Fosse a representação corporativa do mercado imobiliário traduzida por uma entidade que de fato atendesse às obrigações implícitas de uma atividade com forte inserção social, Milton Bigucci já estaria afastado da presidência que ocupa há mais de duas décadas. Aliás, ao exercer a direção de forma centralizadora provou o afastamento da maioria dos empresários de pequeno e médio porte. Milton Bigucci reina numa organização sem lastro de representatividade. No caso do terreno fraudulentamente obtido da Prefeitura de São Bernardo, agiu com a desenvoltura de quem faz da Associação dos Construtores uma extensão do Grupo MBigucci.


 


Silêncio até quando?


 


O silêncio em torno das estripulias de Milton Bigucci à frente da Associação dos Construtores é justificado por empresários do setor imobiliário como inquietação coletiva de quem se sente impotente. Atribui-se a Milton Bigucci poder econômico que tanto abre as portas a quem estiver em seu entorno como torna a vida de terceiros um inferno ante eventual retaliação. Os relacionamentos do empresário Milton Bigucci são potencializados por conta da presidência da Associação dos Construtores. A ideia de que a entidade é representativa, um erro de avaliação da maioria dos interlocutores da presidência, torna Milton Bigucci poderosíssimo junto a instâncias sociais, públicas e policiais. A mídia, de maneira geral, lhe é bastante servil, embora tenha reduzido nos últimos tempos a carga de espaços generosos, por conta das publicações desta revista digital. Só continua relapsa em relação à divulgação de dados estatísticos do setor sem fundamentação técnica e logística. Nada que cause surpresa. A Associação dos Construtores privilegia a produção de informações conforme o balanço do navio de supostos interesses da classe. 


 


CapitalSocial jamais minimizou o poder de sedução de Milton Bigucci, mas mesmo assim foi surpreendida pela intolerância do dirigente classista que, às primeiras críticas sobre o estado falimentar da institucionalidade daquela organização, recorreu ao Judiciário para retirar do mundo digital todo e qualquer material que faça menção a seu nome. Tanto a Justiça em São Bernardo quanto na Capital mantiveram os textos de CapitalSocial sobre a atuação de Milton Bigucci. Mas o dirigente empresarial não desistiu e segue saga retaliatória que também invadiu o terreno criminal. Definitivamente, Milton Bigucci não consegue conviver com jornalismo independente.  


 


Mais denúncias


 


Embora tenha recebido série de novas denúncias sobre atividades empresariais comandadas por Milton Bigucci, CapitalSocial prefere não priorizá-las. Primeiro porque esta publicação reconhece-se estruturalmente limitada a empreender verdadeira caça aos supostos tesouros do mercado imobiliário sobre os quais se teria lançado o presidente da MBigucci. Segundo porque a dispersão poderia reduzir a velocidade de apuração e de análise do empreendimento lançado comercialmente há pouco mais de 30 dias possivelmente com o intuito de dar como fato consumado a transferência da propriedade pública, a fim de dificultar a cronologia lógica das denúncias: tornar nulos todos os atos legais que permitiram a consumação do negócio.


 


A série sobre o arremate indecorosamente ilegal do terreno onde se pretende erguer o empreendimento Marco Zero é de total interesse público. Ou seja, trafega muito distante da assertiva arguida por Milton Bigucci para tentar escapar ao controle da lei, atribuindo a questões pessoais as publicações desta revista digital. Lamenta Milton Bigucci que CapitalSocial torna desconfortável sua atividade social. CapitalSocial concorda com o empresário. O bônus que agentes econômicos, sociais e públicos encontram em diferentes esferas da sociedade são permanentes e irretocáveis quando não acompanhados de informações rigorosas quanto às travessuras no campo institucional ou corporativo. Milton Bigucci como empresário de arremate de área pública ao arrepio da lei e Milton Bigucci como presidente inoperante de uma entidade de classe são mesmo o pior adversário de Milton Bigucci chefe de família. O ex-ministro José Dirceu usufruiu durante muito tempo das benesses do poder político e partidário, até que a casa do mensalão caiu. No caso de Milton Bigucci, o que ainda se projeta seria algo diametralmente oposto, ou seja, em vez da casa cair, se pretende erguer um novo megaempreendimento imobiliário.


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