Administração Pública

Grana estaria entregando
presente de grego à Acisa?

DANIEL LIMA - 26/11/2012

São fortes os burburinhos de que o prefeito eleito Carlos Grana estaria, vejam só, pronto para indicar a educadora Oswana Fameli, companheira de chapa vitoriosa nas eleições deste ano, ao comando da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Esta seria uma das cotas-parte pelo apoio da Acisa (Associação Comercial de Santo André) ao petista. Custo a acreditar em tamanha sandice, embora aquela Secretaria tenha sido tão maltratada ao longo dos anos que uma bobagem a mais não faria tanta diferença. Provavelmente o que teremos, a confirmar a informação, é um presente de grego. O PT entregaria aos conservadores uma repartição de governo à qual não teriam condição algum para dirigir, porque a Acisa está despreparada à empreitada renovadora no setor econômico de Santo André.


 


Oswana Fameli terá como secretária de Desenvolvimento Econômico o mesmo sentido de qualquer um dos indicados do prefeito Aidan Ravin ao mesmo posto durante os últimos quatro anos. Será um fracasso entre outros motivos porque não existe prioridade à condução robustecida daquela Secretaria. E mesmo se houvesse, não seria Oswana Fameli, completamente ignorante sobre a economia de Santo André e da Província do Grande ABC, que produziria os resultados desejados. A não ser que seja apenas um adorno, que eventuais reforços para conduzir o destino econômico de Santo André sejam especialistas no assunto.


 


Mas quem são os especialistas em economia regional que estariam dando sopa? Francamente, desconheço. Somos um deserto de planejamento, organização e estudos na área entre outras razões porque o convencionalismo de gente improdutiva diz que bagunça é prato cheio para quem quer continuar a nadar de braçadas em causas particulares. Basta ver o que fizeram do Plano Diretor, aprovado num final de ano longe de olhares e mentes indiscretos. O que não é o caso da Acisa que, como se sabe, é um conglomerado de comodismos, ajeitamentos e omissões.  


 


Marinho bate cabeça


 


Tanto é verdade e tanto a verdade é incontestável sobre a inapetência técnica regional para revolucionar a economia da Província do Grande ABC que a Administração Luiz Marinho está batendo cabeça há quatro anos para tentar encaixar um golpe, um golpezinho sequer, para dar a impressão de que entende do riscado, que Desenvolvimento Econômico não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. O máximo que Luiz Marinho fez até agora foram promessas e, vejam que maravilha, incrementou um feirão dos moveleiros da Rua Jurubatuba. Trombeteia a medida como se tivesse descoberto a pólvora e encontrado o ponto nuclear a uma grande reviravolta na Capital Econômica da Província que, infelizmente, vive da Doença Holandesa do setor automotivo.


 


Verdade seja dita que recolocar Santo André nos trilhos econômicos, assim como toda a Província do Grande ABC, não é tarefa fácil. Muito pelo contrário. É um desafio e tanto. E quem prometer facilidades não passará de embusteiro. Estamos encalacrados em logística, em mobilidade urbana, em competitividade tributária e fiscal, em custo de mão de obra, em tecnologia, em tudo que for levado a sério como fatores a separar endereços competitivos de endereços micados.


 


A conversão da vice-prefeita eleita Oswana Fameli em secretária de Desenvolvimento Econômico por conta de suposta dívida de campanha seria duplamente nociva, porque tanto a educadora não tem preparo técnico algum para distinguir PIB de Valor Adicionado como a Acisa não conta com lastro para apadrinhá-la longe dos tentáculos obsoletos de política pela política. Traduzindo em miúdos: a Associação Comercial de Santo André é uma organização de voluntários que se presta ao papel de agir politicamente, procurando influenciar sobretudo o prefeito de plantão. Jamais, portanto, se distinguiu como formuladora de propostas e de ações aguçadas para dar ou tentar dar novos encaminhamentos à estrutura econômica de Santo André.


 


Oposição histórica


 


Em algumas situações, a bem da realidade histórica, a Acisa opôs-se ferozmente às tentativas de modernização da máquina pública. Basta lembrar a retaliação enfrentada pelo então prefeito Celso Daniel para atualizar os congeladíssimos valores do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), logo após a reviravolta provocada pelo Plano Real. Ou quando da aplicação da legislação de humanização do trânsito, com a instalação de radares.


 


Os excessos do Poder Público, na ânsia de aumentar a arrecadação, foram transformados em regra para desmoralizar a iniciativa à qual ao longo dos anos administradores públicos em geral aderiram de forma frenética, penalizando bolsos imprevidentes, mas premiando a vida com a redução do número de acidentes urbanos. Não foram poucas as vezes em que a Acisa esteve na contramão de demandas sociais e econômicas porque sempre só enxergou a si própria no espelho de particularidades a serem contempladas.


 


A conversão ideológica da Acisa à esquerda, depois de demonizar o PT ao longo de décadas, mostra o nível de oportunismo no relacionamento de instituições na região. Não que haja imperiosidade ética de sustentar oposição a qualquer custo, como muitos o fazem em relação ao PT e o PT o faz quando oposição. Nada disso. O problema é que a Acisa deslocou-se em direção à candidatura de Carlos Grana porque quer estar no Paço Municipal a qualquer custo. Isso significa que sequer se preparou para contar com Oswana Fameli como ponta de lança na empreitada. Nenhuma proposta que altere minimamente os cromossomos econômicos de Santo André foi formulada pela Acisa no período pré-eleitoral. Simplesmente porque a Acisa não tem o que apresentar -- como se Santo André fosse um exemplar desenvolvimentista.


 


Mais que um agrupamento de propostas viáveis à execução do Poder Público, interessou o tempo todo à Acisa estar no poder. E estar no poder significa entre outras vantagens calar-se ante eventuais escândalos, porque quem tem o já condenado judicialmente Sérgio De Nadai como integrante do Conselho Superior, instância mais importante da entidade, perde qualquer argumento moralizador. Ou quem se cala, como a Acisa tem-se calado, sobre o escândalo da Cidade Pirelli, por exemplo, não goza de autoridade moral para manifestações públicas.


 


A aproximação estreita entre a Administração Grana e a representante da Acisa, Oswana Fameli, portanto, contamina de imediato a Administração Pública que iniciará trabalhos em janeiro próximo. A indicação de Oswana Fameli à Secretaria de Desenvolvimento Econômico não seria, portanto, nenhuma surpresa do ponto de vista político e institucional, embora seja uma aberração digna dos piores momentos de Aidan Ravin, a quem o PT tanto combateu pela ineficiência de um mandato medíocre. Tão medíocre quanto o do antecessor, João Avamileno, um dos novos secretários de Carlos Grana. Como se observa, estamos correndo em círculos. Todos estaremos esfalfados e desnorteados ao final de mais uma jornada?


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