Administração Pública

Um único contrato é pouco para o
MP investigar na Fundação do ABC

DANIEL LIMA - 21/08/2013

Se, como publica o Diário do Grande ABC de hoje, o Ministério Público Estadual em Santo André pretende mesmo apurar eventuais irregularidades no contrato da Fundação do ABC e o consultor educacional Klinger Sousa, não existe oportunidade melhor para um trabalho completo. E trabalho completo é passar a limpo a obscura gestão do atual presidente, Maurício Xangola Mindrisz, apaniguado do prefeito Luiz Marinho.

 

A caixa-preta da Fuabc, como tenho cansado de afirmar, é sopa no mel para o MP dar uma sacudidela nas entranhas de cumplicidades espúrias que lubrificam a engrenagem de delitos na Província do Grande ABC. Na Fundação do ABC a regionalidade só dá certo porque acoberta acertos.

 

Entretanto, quem se exceder em vendetas e acreditar que Klinger Sousa deixou de cumprir o contrato poderá cair do cavalo da esperteza. Quem duvidar que o contrato foge do entorno de incompetência gerencial de Maurício Xangola também terá motivos a lastimar. 

 

Se o Ministério Público for mesmo a campo como antecipou o promotor criminal Roberto Wider Filho no Diário do Grande ABC de hoje, fará apenas um trabalho parcial. O contrato da KLL Educacional com a Fundação do ABC tem sido cumprido à risca pelo consultor. Há relatórios fartos que comprovam as atividades executadas, segundo documento obtido junto a uma fonte da direção daquela instituição.

 

O problema a entornar o caldo de resguardo jurídico é de vício de origem: a Fundação do ABC utiliza-se de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) para o pagamento dos trabalhos. Não deveria. O dinheiro deveria vir dos cofres da Faculdade de Medicina do ABC, à qual quem Klinger Sousa efetivamente presta assessoria.

 

Suruba presidencial

 

Mauricio Xangola Mindrisz instituiu uma suruba administrativo-financeira na Fuabc que não resiste a auditoria séria. O Conselho Curador da entidade é apenas apêndice político-partidário multicolorido a dar sustentação às conveniências históricas das agremiações de situação e de oposição nas prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano, ventre do qual saiu a Fuabc.

 

O que mais se lamenta em toda essa situação é a covardia institucional da presidência da Fundação do ABC, que se cala ante as denúncias.  Algo típico de quem foi colhido em flagrante delito ou de quem não tem o menor preparo ao contraditório. Nada que surpreenda. O presidente Mauricio Xangola Mindrisz fugiu recentemente da Entrevista Indesejada de CapitalSocial utilizando-se de artifícios. 

 

O vínculo contratual para que Klinger Sousa desempenhe uma atividade que pretende credenciar a Faculdade de Medicina do ABC à condição de Centro Universitário foi construído à revelia da transparência. Nada que colida com o perfil do presidente Maurício Xangola Mindrisz. Há informações de que houve concorrência até que se chegasse à vitória de Klinger Souzs. Entretanto, como tudo foi feito às escondidas e às escondidas permaneceria, não fosse a revelação do jornal, quem sustentar que a meritocracia imperou correrá risco de desmentido.

 

Seria essa a raiz do silêncio de Maurício Xangola Mindrisz nesse momento em que um velho amigo do peito, reconhecidamente competente em especificidades da Educação, é colocado na berlinda?

 

Esquizofrenia gerencial

 

Quem conhece o presidente da Fundação do ABC sabe que ele exibe uma esquizofrenia latente.  Xangola é apenas aparentemente um profissional com os nervos no lugar. Em situação de aperto, derrete-se na cadeira de presidente. Torna-se vulnerável a pressões. Entra em pânico e se fecha em copas.

 

Foi assim no Semasa, a autarquia de água e saneamento de Santo André que virou, à época, uma das peças do tabuleiro de xadrez de malversação de recursos públicos denunciadas pelo Ministério Público. Xangola procura minimizar os estragos emocionais com monotemáticos clichês futebolísticos. Uma válvula de escape de efeito limitado. No fundo, é um vulcão prestes a explodir. Geralmente o faz intramuros. Os inocentes costumam pagar o pato. 

 

Pois é desse homem, presidente da Fundação do ABC escolhido pelo casal que comanda a Prefeitura de São Bernardo, que depende tanto aquela instituição como a imagem do consultor Klinger Sousa. Há elementos aos quais este jornalista teve acesso que comprovam atividades intensas de consultoria do ex-secretário de ouro de Celso Daniel. Xangola poderia chamar a Imprensa e detalhar as ações da consultoria. Entretanto, seria demais imaginá-lo ante jornalistas, porque certamente teme indagações indiscretas. Não é por outra razão que só se dispõe a entrevistas se o campo não estiver supostamente minado.

 

Xangola não precisa ser um super-homem. Ninguém é super-homem em situações desagradáveis. Apenas tem o péssimo viés de negar companheirismo público. Deixar Klinger Sousa segurando a brocha de suposto favorecimento não é o que se espera de um amigo que lhe abriu as portas legalmente ou não a um contrato que, mesmo sendo apenas 0,1% do valor da pretendida e obscura usina de incineração de lixo de São Bernardo, é dinheiro público e como tal deve ser tratado.

 

Quem acompanha CapitalSocial sabe de cor e salteado quantas e quantas vezes escrevemos sobre as complicadas relações de Maurício Xangola Mindrisz na Fundação do ABC. O Diário do Grande ABC rompeu a blindagem que se autoaplicava, mas o fez de forma fragmentada, porque, por mais que, como revelamos, haja vício de origem na relação contratual, o buraco é muito mais embaixo.

 

No ano passado, à revelia da legislação, a Fundação do ABC cobriu um déficit financeiro da Faculdade de Medicina do ABC com empréstimo bancário que ganhou a forma de cala-boca próprio de quem pretende comprar imunidade administrativa, gerencial e operacional.

 

A Fundação do ABC é um caso colossal para o Ministério Público promover imensa explosão no entrecruzado sistema político regional, com repercussão além-fronteiras. Tanto quanto a autarquia de água e esgoto de Mauá, manchetíssima de primeira página do Diário do Grande ABC de hoje. Um lamaçal que, igualmente, clama por ações ministeriais.



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