Administração Pública

Que lorota é maior: PIB de 17%
ou o Aeroportozão do Marinho?

DANIEL LIMA - 04/12/2013

Sei lá se vou estar vivo no final desta década; se estiver, juro por todos os juros que vou listar as maiores lorotas da praça e, mais que isso, vou tentar estabelecer um ranking que defina a maior entre todas. Há duas candidatas fortes, por enquanto, igualmente consumadas como lorotas, embora uma das quais ainda dependa de contraponto mortal de números oficiais.


 


Saberia dizer o leitor que lorota é maior? Um crescimento anual do PIB de Santo André de 17% em 2011, espalhado impunemente pela Administração Aidan Ravin, ou a construção de um Aeroporto Internacional em São Bernardo pelo prefeito Luiz Marinho? A obra ocuparia pelo menos 15 quilômetros quadrados, como o território de São Caetano, e seria erguida nos mananciais, onde nem o trecho sul do Rodoanel ousou invasão tão impetuosa?


 


Sobre o Aeroportozão do Marinho, que não passaria de terminalzinho de voos e cargas executivos, dispenso novos parágrafos. Exceto, é claro, se o prefeito de São Bernardo ousar desdizer o que disse.


 


Já sobre o crescimento do PIB de Santo André muito acima dos invejáveis números chineses, a prestação de contas está chegando. O IBGE prepara anúncio do PIB dos Municípios brasileiros em 2011. Estou atentíssimo. Em fevereiro de 2012 a mídia da região deu grande destaque à projeção do então diretor do Departamento de Indicadores Sociais e Econômicos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Dalmir Ribeiro.


 


O economista, seguindo à risca determinação do prefeito Aidan Ravin, construiu um monstro estatístico (INA-PSA, Indicador de Nível de Atividade da Prefeitura de Santo André) com o explícito objetivo de propagandear esquisitices estatísticas. A conclusão a que chegou o economista foi espantosa, mas nem assim, nem com tamanha bobagem, houve na mídia regional quem ousasse questionamento -- exceto este jornalista.


 


Dalmir Ribeiro fez uma lambança numérica no liquidificador da imprevidência para chegar à conclusão que a economia de Santo André teria crescido 17% em 2011. Escrevi sobre o assunto (“Administração Aidan inventa índice e Santo André cresce dobro da China”) que consta do link logo abaixo.


 


Não gostaria de arriscar números sobre a região em 2011, temporada em que o PIB do País cresceu 2,7%, mas como não sou de ficar em cima do muro, desde que tenha um mínimo de fundamentação, ousaria dizer que particularmente Santo André deve ter sofrido novas derrotas quando comparado a outros municípios locais e do G-20, tendo em conta valores reais ao se aplicar o IGP-M (índice Geral de Preços do Mercado), da Fundação Getúlio Vargas. Esse é o instrumento que utilizo desde sempre entre outros motivos para manter sob uma mesma base metodológica a série de medições que efetivo.


 


O que mais me preocupa é a dificuldade geral e irrestrita de a maioria da mídia regional ousar interposição ante anúncios oficiais, principalmente de gestores públicos. A festa que a Administração Aidan Ravin preparou para o lançamento de um caderno estatístico que reunia a aberração avaliativa sobre o crescimento do PIB de Santo André em 2011 foi integralmente degustada pela Imprensa regional.


 


No dia seguinte ao evento, ao ler o que li nos jornais impressos e digitais, quase cai da cadeira. Imaginava que esse tipo de charlatanismo teria se esgotado na região, porque desmoralizado ao longo dos anos. Qual nada: o cinismo é uma doença contagiosa que insiste em dar as cartas no noticiário.


 


Hoje, por exemplo, os jornais trazem mais um balanço fantasioso sobre o mercado imobiliário em várias praças brasileiras, inclusive na Província do Grande ABC. Os estudos são frágeis, porque baseados em valores anunciados para venda, e não necessariamente efetivados, num portal da internet. Os jornais publicam acriticamente as informações em espaços próximos de noticiários nada róseos sobre a economia nacional. O mercado imobiliário de interesses inconfessos e prostituídos é um oásis em meio a dificuldades gerais, enquanto especialistas internacionais mais e mais botam a cara para fora e começam a destilar teorias sobre bolhas imobiliárias. Bolhas imobiliárias que há muito permeiam a geografia regional em forma de micos como o Domo, no entorno do Paço Municipal, entre tantos outros.


 


Tenho muito tempo ainda para me decidir entre a maior lorota desta década, se os 17% do PIB de Santo André ou o Aeroportozão do Marinho. Como acho que não faltarão concorrentes semelhantes, o melhor mesmo é torcer para viver até a fita de chegada dessa corrida que harmoniza na mesma linha de estupidez ações desprezíveis de deboche e desdém informativos. 


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