Política

Fator Lula é peso importante
nas eleições no Grande ABC

DANIEL LIMA - 14/03/2003

Qual será a influência do governo Lula da Silva nas eleições municipais do ano que vem no Grande ABC? Até que ponto o governo Lula vai participar discreta ou ostensivamente dos embates municipais que se apresentam preliminarmente complexos? Lula se despirá da roupagem presidencial, de magistrado, e vai envolver-se partidariamente? Talvez a resposta mais ajuizada seja o meio termo: Lula será discreto, mas colocará seu bloco na rua para fortalecer institucionalmente os municípios locais que contarão com concorrentes de seu partido.


 


Os adversários políticos locais do PT no íntimo torcem para que Lula da Silva se estrepe em Brasília. Frases politicamente corretas que dizem respeito a torcer por Lula porque Lula é Brasil assemelham-se, na versão futebolística, a dizer que se torce para Corinthians, Palmeiras, São Paulo ou Santos na Libertadores da América porque, exceto os respectivos aficcionados dessas equipes, representam o Brasil. Bobagem que torcedores fanáticos ironizam quando Galvão Chacrinha Bueno alardeia. Torcedor de futebol e político de carreira são univitelinos em fundamentalismos. A diferença é que político troca de cores ao sabor das conveniências, enquanto time é para sempre.  


 


Cenaristas não faltam a prospectar o terreno da especulação. Um presidente Lula da Silva de bem com a vida no segundo semestre do ano que vem significaria repasse de sucesso aos candidatos petistas. Um governo desastroso, em contrapartida, acrescentaria dificuldades ao PT que é poder municipal e ao PT que pretende ocupar os paços municipais. Um governo morno implicaria em maior dose de empenho local dos candidatos, tanto petistas quando opositores.


 


Alguém arrisca palpite de como será o Brasil de agosto, setembro e outubro do ano que vem? Teremos um Lula da Silva desfrutando de apoio semelhante ao do primeiro e do segundo mandatos de Fernando Henrique Cardoso ou, precocemente, até por forte contaminação do terreno movediço que FHC lhe deixou, estará mais para o infortúnio de José Serra?


 


É possível até que, face às peculiaridades de Lula, animal carismático que rompeu o bloqueio de diques conservadores e incrédulos, mesmo eventualmente sem o prestígio em alta ele se transforme em complicador de votos para os opositores do PT, particularmente na região. Nada mais lógico, porque seu prestígio na região foi solidificado com o cargo de mandatário máximo do País.


 


Como somos uma grande província que se deslumbra com estrelas (e não vai aqui juízo de valor nem trocadilho com relação ao presidente e ao PT), é mais que provável que Lula da Silva e todos aqueles com quem eventualmente compartilharia companhia sejam vistos por larga fatia do eleitorado sem o crivo crítico que eventuais passivos administrativos locais poderiam sugerir e alimentar.


 


Fator Lula


 


Quero dizer com tudo isso que o fator Lula da Silva é mais importante do que imaginam os fanáticos opositores do Partido dos Trabalhadores. Além do carisma e da história pessoal relacionada à região, Lula da Silva integra agremiação reconhecidamente proprietária de mecanismos sistêmicos de autoproteção e autopromoção.


 


Raciocinar sobre a influência de um presidente da República numa região que o viu surgir e consagrar sem analisar a excepcionalidade que cerca a vida de Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores é negar a obviedade de que tanto um quanto outro são especiais no espectro social e político do Grande ABC.


 


Fosse dirigente partidário ou candidato a qualquer Paço Municipal no Grande ABC e tivesse o Partido dos Trabalhadores pela frente, trataria de botar sebo nas canelas. Aliás, convenhamos, é o que William Dib já está fazendo em São Bernardo e os manifestantes partidários contrários ao IPTU disseminam em Santo André.


 


Mais que isso: as eleições em Santo André começaram desde o assassinato de Celso Daniel e as denúncias de propaladas propinas, enquanto em São Bernardo a oposição, no caso petista, não consegue a mesma repercussão e o mesmo embaralhamento de informações com o ruidoso caso das supostas gravações envolvendo o agora prefeito William Dib.


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