Política

Fizemos Luizinho e Siraque
saltar do muro eleitoral

DANIEL LIMA - 02/06/2003

Mal-informados sobre a origem deste CapitalSocial, os deputados Luiz Carlos da Silva e Vanderlei Siraque responderam com artigos no Diário do Grande ABC de sábado às indagações formuladas há mais de um mês por este jornalista. Entretanto, o equívoco não causou desconforto. Pelo contrário: o importante era retirá-los de cima do muro de expectativas pouco nobres. Afinal, Siraque e Luizinho estavam vinculados ao grupo de agourentos da administração João Avamileno e, portanto, à possibilidade de um deles, ser candidato do PT nas eleições municipais do ano que vem.


 


Por que Luizinho e Siraque demoraram tanto a saltar do muro, depois de terem recebido cópia protocolada com o texto do CapitalSocial de 12 de maio que tratou do assunto? Por que, diferentemente deles, a ex-secretária municipal Miriam Belchior, agora assessora especial da Presidência da República, igualmente envolvida em situação semelhante em nota publicada há algum tempo pelo Diário do Grande ABC, imediatamente enviou correspondência (inclusive para este CapitalSocial) dinamitando a versão divisionista? Questão de estilo, de ética, de compromisso partidário ou de sensibilidade? Há quem reaja com rapidez, como Miriam Belchior, porque sabe que a demora é parceira da maledicência. Há os que retardam, como Siraque e Luizinho, porque provavelmente os motivos não são tão transparentes.


 


Siraque e Luizinho construíram textos sob medida para o espaço de opinião do Diário do Grande ABC. Convenhamos que o próprio jornal também poderia ter assumido que CapitalSocial é leitura obrigatória de quem quer conhecer melhor o Grande ABC e, com isso, apressado o posicionamento dos dois deputados.


 


Rebuscamento e simplicidade


 


Mas isso é irrelevante agora. O fato é que foram ghostwritters diferentes que preparam o material. O do professor Luizinho está mais rebuscado, mais malicioso, na tentativa de encontrar na oposição à sua candidatura a insidiosidade que fabrica em sua imaginação. Questiona os bastidores políticos como se não fosse malabarista de primeiro time. O texto de Siraque é mais simplório, laudatário, palanqueiro, bem a cara de um político que mais transpira do que inspira, isto é, trabalha intensamente, embora com baixa produtividade. 


 


Modelos diferentes de saltos do muro da expectativa de que João Avamileno se estrebuchasse nos próximos meses, como disseminam partidários das candidaturas tanto de um quanto de outro, o mais importante para CapitalSocial é que o caso está esclarecido. Até prova em contrário. Sim, até prova em contrário porque por mais que manifestos do professor Luizinho e de Vanderlei Siraque sejam esclarecedores e aparentemente unificadores dos interesses administrativos e eleitorais do PT, sabe-se pela prática comum da política partidária que o garantido de hoje é apenas o provisório de amanhã.


 


Sobretudo se João Avamileno ratear na curva do aumento de impostos parcialmente mal-calibrados, se vacilar nas relações com o funcionalismo público, se perder o controle da bancada de sustentação. Coisas da política que tanto Luizinho quanto Siraque conhecem mais do que este jornalista sem partido e, portanto, sem interesses político-eleitorais. Exceto, evidentemente, em desvendar os bastidores mais substantivamente construtivos para a informação relevante -- como é a sucessão eleitoral em Santo André.


 


Prestando serviços


 


Portanto, mesmo ao se equivocarem no endereço para o qual deveriam enviar as respostas solicitadas oficialmente, Luiz Carlos da Silva e Vanderlei Siraque prestaram importante serviço à coletividade interessada nos destinos de Santo André. Ao garantirem que vão perfilar lado a lado com o mesmo João Avamileno que supostamente pretendiam ver apedrejado, tanto um quanto outro agora terão a obrigação moral de incrementar um corpo-a-corpo para valer com boa parte de seus correligionários. Sim, porque os mais próximos de suas incursões políticas e administrativas, provavelmente pela indefinição dos dois líderes, propagavam aos sete cantos do Grande ABC o aquecimento das turbinas para a campanha rumo ao Paço Municipal em 2004.


 


Luizinho e Siraque poderiam aproveitar a oportunidade, também, para melhorar a produção legislativa direcionando mais ações ao Grande ABC. Tanto um quanto outro, que marcham unidos em textos oportunamente combinados, estão em débito com o sentido de urgência com que estamos nos defrontando, depois do vendaval chamado Fernando Henrique Cardoso.  


 


Mão na massa, caríssimos deputados, porque não se fazem bons legisladores exclusivamente em acirradíssimas disputas ombro a ombro por espaço como intrépidos papagaios de pirata. 


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