O prefeito Luiz Marinho, prefeito dos prefeitos da Província do Grande ABC por conta de dinheiro orçamentário, conglomerado partidário e apadrinhamento lulista, supera qualquer perspectiva de fracasso. A mais recente façanha do dirigente, após concordar com a redução de despesas da secretária de Educação, que cortou merenda de estudantes, é programar o carnaval de São Bernardo na zona rural.
À falta de uma avenida, após encher a paciência dos condôminos de apartamentos e moradores em geral do entorno da Avenida Aldino Pinotti, próxima ao Paço Municipal, Marinho escolheu ou aceitou que se escolhesse o Km 33 da Estrada Velha de Santos como endereço da folia. Ali, à rua Névio Carlone, num clube de entretenimento privado, onde se divulga a existência de uma arena coberta, se dará, num único dia, o desfile de nove agremiações.
Teremos, portanto, um espetáculo reservado basicamente aos integrantes das escolas de samba. Carnaval para os carnavalescos, eis a síntese da operação. Carnaval para o povo é outra história. Os sambódromos de São Paulo e do Rio de Janeiro estão aí para explicar. E mesmo os desfiles de escolas de samba em ruas de Santo André, Mauá, São Caetano e Diadema, também. Carnaval rural é obra-prima de Marinho e de assessores. Gente com imaginação fértil e inteligência curta.
Ou seja: o prefeito de São Bernardo acaba de criar uma nova modelagem de folia, na qual praticamente só tem direito a participar quem desfila na avenida rural e em seguida, ou antes, acomoda-se na arquibancada. Aliás, arquibancada é força de expressão porque não há informações na mídia que deem a certeza de que o endereço mencionado tenha espaço reservado nestes termos à plateia.
Até MP é envolvido
Carnaval rural é mesmo de lascar, mas é o que sobrou da inoperância da Administração petista de São Bernardo. Há informações frágeis sobre a responsabilidade do Ministério Público local no fracasso de deslocar os desfiles da Avenida Aldino Pinotti a outro endereço assemelhado.
A Aldino Pinotti não foi retirada do roteiro de desfiles porque a gestão Marinho teve sensibilidade para deixar de infernizar a vida dos moradores de classe média verdadeira, e que odeia o PT, daquelas dezenas de apartamentos, muitos dos quais ocupados apenas em parte por incautos que acreditaram no conto da Carochinha. Prometeram- lhes que morar em São Bernardo e trabalhar na Capital era uma operação logística vantajosíssima. Mas isso é outra história. Pertence ao anedotário empresarial estonteante na arte de vender ilusão.
Como nos anos anteriores, a passarela do samba de São Bernardo só não enlouquecerá de novo o entorno do Paço Municipal porque obras de drenagem inviabilizaram a repetição do abuso. Obras, aliás, que andam a passos de tartaruga, depois que empreiteiras contratadas pela Prefeitura foram colhidas em delitos no escândalo da Petrobras.
Oficialmente a Prefeitura de São Bernardo afirma que o Ministério Público não autorizou alternativas propostas. Não se faz referência alguma aos supostos endereços do projeto de remanejamento da passarela. Talvez tenham faltado mesmo organização e planejamento, daí a improvisação. Em muitos casos o Ministério Público não passa de bode expiatório de incompetências. Parece ser o caso do carnaval rural inventado por Luiz Marinho.
A Secretaria de Transportes de São Bernardo tenta atenuar os estragos do carnaval rural ao anunciar ônibus gratuitos a integrantes das agremiações e também ao público em geral. A cada 30 minutos partirá um coletivo rumo às profundezas do Riacho Grande. A secretaria explica também que não haverá parada para embarque ou desembarque de passageiros ao longo do percurso de ida e volta. “Ao longo” é mais que apropriado à viagem carnavalesca. Ônibus gratuitos não revogam as linhas regulares que atendem aquela área.
Vertente de regionalismo
Os elitistas podem até esgrimir opiniões que minimizem a importância do carnaval numa região que volta a viver situação econômica tormentosa, com demissões em massa nas fábricas e projeção de acúmulo de complicações à esteira dos desarranjos do governo federal metido a besta ao acreditar que o consumismo sem produção e sem produtividade, quando não sem competitividade industrial, seria um passaporte à eternização da prosperidade dos deserdados.
Os elitistas podem pensar assim, mas para quem entende que um dos caminhos que podem elevar o baixíssimo índice de regionalidade da Província do Grande ABC são as manifestações culturais, todo esforço direcionado ao carnaval, estimulando-se igualmente o engajamento das comunidades, seria recompensado no futuro.
Fui o primeiro maluco destas plagas a defender a regionalização do carnaval da Província do Grande ABC. A divisão territorial que prevalece, com cada Município cuidando de sua própria festa, é uma tremenda falta de competência. Os ganhos sistêmicos seriam enormes com desfile das principais agremiações numa mesma passarela. Programação municipal possibilitaria classificação ao evento regional na temporada seguinte.
Ou seja: se estabeleceria o principio de carnaval regional às principais agremiações, conforme os resultados dos últimos anos, e se estimularia o carnaval municipal como elemento classificatório ao regionalismo. Desta forma, ao mesmo tempo em que se manteria o municipalismo que tantos defendem, se acrescentaria nas passarelas o regionalismo de que tanto precisamos para ganhar maior visibilidade. Tudo isso é tão simples mas paralelamente tão complexo.
Antes de tudo é preciso colocar de pé o ovo de institucionalidade regional que os mandachuvas e mandachuvinhas medíocres da região fazem questão de manter longe de mãos e mentes mais habilidosas.
Por conta disso e de tantas outras razões, o que temos é um provincianismo exasperante, agora temperado de ruralismo carnavalesco imprevidente.
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26/01/2026 VEJA A SELEÇÃO DO PREFEITO PERFEITO