Administração Pública

Prefeitos na zona de rebaixamento
do DataDiário. Será que vão reagir?

DANIEL LIMA - 04/08/2015

Acho que as notas médias finais estão na medida certa, certíssima. De zero a 10 nenhum deles alcançou sequer a nota cinco. Prevaleceu a nota média quatro, de zero a 10, dos eleitores ao conjunto dos prefeitos da região, conforme resultado publicado hoje pelo Diário do Grande ABC com base no Instituto DataDiário, como chamo o DGABC Pesquisas.


 


A diferença entre o apanhado geral da pesquisa e minha interpretação de observador é que possivelmente algumas médias individuais não seriam as mesmas apontadas, mas ao somar e dividir por sete, sem considerar ponderações relativas aos contingentes de eleitores, o resultado final levaria mesmo a turma à zona de rebaixamento. Ou não é zona de rebaixamento quem, com 10 escalas diferentes a percorrer, fica estacionado antes da nota razoável que o cinco transparece em qualquer situação, de banco de escola a programa de calouro de televisão?


 


É muito provável que os prefeitos receberam nota baixa no geral porque, além de dificuldades de gestão numa região empobrecida e sem grande novidade da gestão pública municipal, haja grau de contaminação forte do ambiente macroeconômico e macropolítico. Ou seja: há efeitos locais, regionais e nacionais a modularem comportamento e percepções dos eleitores. E eles, eleitores, expressam vontades na hora de aprovar ou reprovar gestores públicos, aos quais muitos dão tratamento de Geni. É do jogo, claro.


 


Junto e misturado


 


Isolar este território provincial do universo nacional com especificidades culturais no campo político seria grande equívoco. Por mais sentimento de regionalidade que tenhamos a exibir – e temos muito pouco, porque caímos numa pasmaceira de dar dó – sempre haverá porção significativa, proeminente, de atmosfera nacional a direcionar pensamentos e ações.


 


É impossível num mundo tão globalizado e dominado por plataformas de comunicação tentaculares sugerir que aspectos municipais e regionais, sobretudo no campo político e nas atividades econômicas, estarão distantes das preocupações dos moradores.


 


Possivelmente as notas impressas pelo Diário do Grande ABC embutem esse carregamento de subjetividades que vão muito além do municipalismo convencionalmente entendido e interpretado. Ou seja: os administradores públicos pensam que o universo de suas ações, reações e percepções se esgotam no que se passa diretamente nos respectivos mapas cartográficos. O buraco é mais embaixo. Os subterrâneos de um mundo sem fronteiras têm peso relativo para o bem e para o mal. Nessa quadra política e econômica em que vivemos, para o mal, muito mal mesmo. 


 


Ibope implacável


 


Quem acreditou que pudesse algum prefeito da região alcançar nota média elevada na pesquisa do DataDiário certamente está a desconsiderar a realidade nacional dos fatos.


 


Na semana passada o Ibope registrou a decadência da classe política segundo a ótica dos brasileiros. O chamado Índice de Confiança Social, que envolve 18 instituições, apontou que quase todas as organizações não ligadas ao mundo político mantiveram notas ou se recuperaram em relação ao ano anterior, enquanto governo, partidos e parlamentares ampliaram desgaste. Nem poderia ser diferente. O noticiário político fornece insumos para edição em bloco nas páginas policiais.


 


A confiança na presidente, por exemplo, segundo publicou o jornal Estadão, caiu pela metade desde 2014: era de 44 pontos em uma escala de zero a 100, e passou para 22. Em 2010, último ano do governo Lula da Silva, o índice estava em 69. A segunda maior queda, ainda segundo aquele jornal, afetou os partidos. O índice de confiança passou de 30 para 17 entre 2014 e 1015. O que não mudou foi sua posição no ranking desde 2009 – sempre segundo o Estadão – porque as agremiações partidárias sempre aparecem na última posição entre as 18 instituições pesquisadas.


 


Seguindo com a matéria do Estadão, à qual recorro como estrutura de pensamento à regionalidade das notas dos prefeitos locais, a terceira maior queda foi a do Congresso Nacional, cujo índice passou de 35 para 22. Segundo o jornal, “isso coloca os parlamentares na penúltima posição do ranking de 2015, em situação de empate com a presidente”.


 


Esquecimento coletivo


 


Essa abordagem que vai muito além dos limites geográficos da Província do Grande ABC não foi instrumentalizada pelos atuais prefeitos na tentativa de explicarem os estragos. Provavelmente estejam tão presos às próprias cadeiras de mandatários que se esqueceram de um elemento senão neutralizador, porque seria exagero, pelo menos minimizador dos transtornos.


 


Até que ponto o ambiente nacional, na área política e também no setor econômico, reduz o potencial de aprovação dos prefeitos da região, considerando-se que vivemos em área metropolitana com todas as vantagens e desvantagens de conurbações territoriais e integrações econômicas? Eis uma pergunta interessante que, creio, a próxima rodada de pesquisas do DataDiário poderia ajudar a esclarecer. É possível um prefeito, qualquer prefeito da região, conquistar destaque estando à frente de uma gestão engolfada pelas atribulações regionais e metropolitanas, sobretudo, como é o caso desta Província, numa situação em que a economia em vários indicadores, principalmente em empregos formais, flerta com o mapa do inferno?   


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