Administração Pública

Auricchio é o melhor em quatro
meses; Paulinho Serra, o pior

DANIEL LIMA - 08/05/2017

O Instituto Paraná saiu com uma nova rodada de pesquisa na região, envolvendo cinco dos sete municípios. O resultado foi publicado na edição de ontem do Diário do Grande ABC. O enfoque do jornal foi burocrático. Não conta com ponderações e tampouco com algumas pitadas sociológicas intrínsecas à política. A conclusão que o jornal desconsiderou certamente por não a ter enxergado é que o prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior, lidera como capitalizador de aprovação popular nos primeiros quatro meses de gestão. E Paulinho Serra, em Santo André, é o pior. Dois pontos ligam essa avaliação: as eleições de outubro do ano passado e a pesquisa realizada agora. 

Quem se deixou levar por números absolutos para interpretar a pesquisa caiu do cavalo. A interpretação que vou dar aos dados anunciados precisa ser relativizada. Não tive acesso (nem os leitores do jornal) ao detalhamento do trabalho. Mas, de qualquer modo, saltam pontos interessantes que preservam aspectos centrais da avaliação. 

José Auricchio é o vencedor dessa disputa em dois vetores cruciais: o quanto recebeu de votos válidos em outubro passado e o quanto recebeu de aprovação agora. O mesmo critério foi utilizado para aferir o desempenho dos demais prefeitos. E daí, claro, à conclusão final. Auricchio é o primeiro e Paulinho Serra o último. Qualquer avaliação fora dessa definição deve ser profundamente manipulada para encontrar seguidores. 

Auricchio solitário

José Auricchio recebeu 34,34% dos votos válidos ao final do primeiro e único turno em São Caetano. Ele teve dois adversários fortes, o prefeito Paulo Pinheiro e um atravessador lançado para fortalecer a candidatura de Pinheiro, retirando votos de Auricchio -- no caso o ex-vereador e hoje gerentão do Clube dos Prefeitos, Fábio Palácio. Agora, na pesquisa do Instituto Paraná, José Auricchio exibe 51,6% de aprovação, contra 43,6% de reprovação. Uma diferença favorável de 17,26 pontos percentuais num Município em que José Auricchio não conta com as vantagens da ojeriza dos eleitores ao PT. O PT praticamente não existe em São Caetano. 

Além desse divisor ideológico que ajudaria Auricchio, há opositores aguerridos do mesmo viés político. Ou seja: uma concorrência sedutora. José Auricchio é o único dos cinco prefeitos a contar com avanço quando se leva em conta votos de outubro e resultados de abril último. Os demais caíram.

E quem mais caiu foi Paulinho Serra, em Santo André. De 78,21% dos votos válidos no segundo turno do ano passado, o tucano derrapou na pesquisa do Instituto Paraná para 61,2% de aprovação. Notem que em números absolutos (na verdade, números relativos que se tornaram provisoriamente absolutos) nenhum dos demais prefeitos alcançou a marca de Paulinho Serra. Isso induz a erro. O capital de votos de Paulinho Serra emagreceu 17,01 pontos percentuais em seis meses. Um resultado simples de ser entendido: basta pegar os 61,20% de aprovação e confrontá-los com os 78,21% dos votos válidos. 

Michels também sofre

Outro prefeito com derramamento de prestígio é Lauro Michels, de Diadema. O Instituto Paraná detectou que o verde é aprovado por 43,8% dos eleitores, contra 51,3% que o reprovam. Michels sofreu rebaixamento de 13,87 pontos percentuais entre o segundo turno das eleições do ano passado e os números dessa pesquisa, porque foi eleito com 57,67% dos votos válidos. 

Orlando Morando, prefeito de São Bernardo, e Atila Jacomussi, de Mauá, oscilaram muito pouco em quatro meses, sempre confrontando resultados das urnas e os da pesquisa do primeiro quadrimestre do primeiro ano de mandato. 

Orlando Morando registrou 59,6% de aprovação e 35,7% de reprovação. Nas eleições em outubro contou com 59,94% dos votos válidos. O tucano perdeu mísero 0,34 ponto percentual no período de candidato em relação ao período de prefeito. 

Atila Jacomussi perdeu 3,67% pontos percentuais: foi aprovado por 60,8% dos eleitores na pesquisa do Instituto Paraná, e reprovado por 32,9%. Nas eleições para valer, de outubro passado, obteve 64,47% dos votos válidos.  

O único prefeito reprovado pelos eleitores tendo-se como base de dados exclusivamente a pesquisa dos primeiros quatro meses de administração nesta temporada é mesmo Lauro Michels, em Diadema. Mas esse ponto não é uma medida inteligente ou algo que possa ter fundamentação contextual categórica. Afinal, dos cinco chefes de Executivo escrutinados neste ano, apenas Michels carrega o fardo do segundo mandato. Qualquer toupeira sabe que governar tem intimidade com desgaste. Exceções só confirmam a regra. Como o segundo mandato de Lula da Silva, que deixou a bomba da desarrumação fiscal para Dilma Rousseff.  

Diferenças pesam 

Por conta disso, de elevação dos níveis de restrições no segundo mandato, a perda relativa de prestígio é menos impactantes para Lauro Michels do que para Paulinho Serra, embora o capital geral do tucano de Santo André seja mais de 17 pontos percentuais superior. 

Também deve ser levado em conta para equacionar o estágio da gestão de Lauro Michels aferido pelo Instituto Paraná o fato de que, ao contrário dos demais prefeitos avaliados, em Diadema o bicho político pega muito mais. Em relação a Santo André, então, é muito mais.  Sem comparação, aliás. 

Os adversários do conservador Paulinho Serra estão mortos, viraram aliados ou estão enterrados provisoriamente. Sobretudo o PT. Já em Diadema, além de o PT ter resiliência muito maior, porque de bases sociais e trabalhistas mais densas, há estratos mais acessíveis a partidos conservadores ligados aos evangélicos que, aliás, disputaram o segundo turno em outubro pelo PRB. Resumindo: a fertilidade opositora em Diadema é muito superior a de Santo André. Lauro Michels enfrenta muito mais dificuldades do que qualquer candidato conservador na região, exceto Orlando Morando em São Bernardo.

Aperto dos adversários 

A prova de que há elementos específicos de avaliação nos cinco municípios ouvidos pelo Instituto Paraná poderia ser pinçada do segundo quesito da pesquisa, que trata dos índices de ótimo/bom em contraposição a ruim/péssimo. O Diário do Grande ABC não publicou dados do conceito de “regular”, mas se deduz que sejam a diferença dos percentuais dos dois indicadores publicados. 

Embora apresentasse o melhor rendimento da temporada, com os já expostos 17,26 pontos percentuais de crescimento acima dos resultados de outubro do ano passado, José Auricchio Júnior não tem folga dos adversários em São Caetano. A diferença entre ótimo/bom (36,4%) quando contraposta a “ruim/péssimo” (33,3%) é de apenas 3,1 pontos percentuais. Tradução? O prefeito da cidade mais rica e equilibrada socialmente da região passa por sabatina permanente. 

Em Diadema, não é diferente. O prefeito Lauro Michels conta com apenas 25,0% de “ótimo/bom”, enquanto “ruim/péssimo” chega a 38,7%. Uma diferença negativa de 13,7 pontos percentuais. Então, como Michels chegou a 43,8% de aprovação? Certamente porque um contingente expressivo de eleitores que disseram “regular” bandeou para o barco de positivismo administrativo. 

Seguindo a trilha dos conceitos de “ótimo/bom” e de “ruim/péssimo”, Orlando Morando está melhor na fita que Paulinho Serra, embora na margem de erro de no mínimo 3,5 pontos percentuais, como publicou o Diário do Grande ABC. Orlando Morando alcançou 42,1% de “ótimo/bom” e 25,0% de “ruim/péssimo”, enquanto Paulinho Serra somou 40,4% e 26,6%, respectivamente. Levando-se em conta o ambiente politico muito mais competitivo em São Bernardo, de um PT tão resistente como em Diadema e de um terceiro vértice partidário, comandando pelo deputado federal Alex Manente, os números de Paulinho Serra preocupam pelo esvaziamento. Menos mal que o prefeito tem um estoque gigantesco para administrar num ambiente de esqualidez de adversários. 

O saldo de Orlando Morando entre “ótimo/bom” em oposição a “ruim/péssimo” é positivo em 17,1 pontos percentuais. Mais que os 13,8 pontos percentuais de Paulinho Serra e os 3,1 pontos percentuais de José Auricchio em São Caetano. 

Quem tem o melhor estoque positivo nesse critério é Atila Jacomussi: aos 45,5% que o colocam como “ótimo/bom”, apenas 24,6% o consideram “ruim/péssimo”. Resultado: 20,9 pontos percentuais de saldo positivo. Mas, também nesse caso, o ambiente político em Mauá após a quase aniquilação do PT, é bem menos estressante que em São Bernardo e em Diadema. O que os números sugerem mais favoráveis a Atila Jacomussi, politicamente são menos expressivos que os números de Orlando Morando. 



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