Administração Pública

Centralidade em
vez de periferia

JOSÉ CARLOS PEGORIM - 05/05/1999

O trabalho do arquiteto  espanhol Eduardo Leira sobre o Corredor Metropolitano do Tamanduateí tem como base conjunto de condições que propõem tirar Santo André e o Grande ABC da esfera de periferia da metrópole. Ele discute a necessidade de ampliar as condições de acesso à região e identifica na Cidade Pirelli o núcleo do megaprojeto capaz de funcionar como motor de transformação -- tanto simbólico como político -- desencadeador de nova centralidade metropolitana. As propostas, entretanto, não se concentram na Avenida dos Estados, mas se debruçam como um todo sobre o Grande ABC. Têm pouco a dizer sobre a paisagem e muito a respeito dos modelos urbanos.

Leira trata a Grande São Paulo como metrópole policêntrica -- o Centro Velho, o sistema Paulista-Pinheiros e a recente expansão para a Avenida Luís Carlos Berrini, no Itaim-Bibi. O eixo Avenida dos Estados/ferrovia também é proposto como novo centro para a metrópole.  O projeto sugere série de obras estratégicas de porte regional. No total, apresenta cinco ações estruturantes -- obras de grande porte para a constituição de verdadeira rede intermodal (acessos viários, ferrovia e mesmo um aeroporto exclusivo para cargas) -- e cinco operações estratégicas de desenvolvimento urbano -- redesenho de áreas da cidade para dar apoio a novas atividades típicas do setor terciário. 

Diagonal ABC

Entre as ações propostas, a Diagonal ABC, rodovia de 25 quilômetros cortando a região, é a mais significativa. A obra ligaria a Rodovia dos Imigrantes, na divisa de Diadema com São Bernardo, e a Via Anchieta, com a Avenida dos Estados (divisa de Santo André com Mauá) à Estrada do Pêssego, na Zona Leste da Capital, facilitando o acesso do Grande ABC ao Aeroporto de Guarulhos. Com custo estimado em US$ 200 milhões (40% em desapropriações), seria ligação interna conectando as três radiais com um tráfego de 60 mil veículos por dia, segundo o projeto. "Fisicamente, a ligação com a Avenida dos Estados é a porta metropolitana da nova centralidade, atraindo para seu eixo o novo parque industrial da região" -- afirma Eduardo Leira. Seria, então, muito mais interna do que o Rodoanel Metropolitano, cujo papel é conduzir o tráfego pesado por fora do centro industrial.

A Diagonal ABC teria função amplificada pela reestruturação do sistema ferroviário que corta a região, ao longo do qual vão surgindo os vazios urbanos provocados pela desindustrialização. O estudo da equipe chefiada por Leira sugere a criação de rota alternativa para o transporte de carga e a conversão da linha ferroviária mista que corta o centro urbano numa linha exclusiva de passageiros com características de metrô de superfície.

Aeroporto de cargas

Liberada do transporte de carga, a linha urbana teria de se conectar com o sistema de metrô da Capital e deixar os trilhos à margem do Tamanduateí para ligar os pontos nevrálgicos da cidade. Teria de ser, na visão de Leira, um transporte altamente qualificado, confortável, capaz de competir com o automóvel individual e servir como opção real a quem não quer enfrentar os engarrafamentos.  O projeto lança a idéia de um aeroporto de cargas -- uma vantagem estratégica, na visão dos consultores de Madri, para uma região que pretende atrair indústrias de ponta e se constituir em pólo tecnológico.

Leira, finalmente, sugere a construção do motor da transformação: um empreendimento de grande porte -- no mínimo 500 mil metros quadrados -- reunindo prédios de escritórios, áreas de lazer, comércio e residências. É monumental: uma vez iniciado, seria capaz de convencer governo e iniciativa privada da viabilidade de todo o projeto. O núcleo do motor aproveita o projeto Cidade Pirelli. Integrados ao conjunto, estariam também Wall Mart, Global Shopping e uma nova estação de trem. O projeto cria uma avenida sobre a ferrovia, estruturando e marcando o limite do conjunto pelo lado Sul. Pelo lado Norte, o limite é a Avenida dos Estados. A área interior é um grande parque de edifícios. Um prédio-ponte liga dois centros comerciais e a estação de trem. Uma avenida diagonal liga o lado Sul à Avenida dos Estados e um viaduto dá acesso ao outro lado do rio. 



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