Administração Pública

Mulheres de Diadema ganham
mais que homens na Prefeitura

DANIEL LIMA - 18/03/2020

Decidi escrever sobre a presença das mulheres na Administração Pública do Grande ABC para tentar fugir da paranoia do Coronavírus. Se Tostão, craque das letras esportivas, segue escrevendo sobre futebol, e se tantos outros colunistas o fazem preferencialmente em suas respectivas áreas, por que não manter aqui a diversidade temática característica desta publicação? Ou seja: o vírus chinês que os chineses querem repassar responsabilidade aos militares norte-americanos vai continuar por aqui, mas de forma mais espaçada.

Não dá mesmo para me livrar dessa loucura que apenas está começando no País. E por estar começando já estou tomando providências para fugir da zona de risco que os especialistas apontam para quem já passou de determinada faixa etária. Salvo mudança de rota, o Coronavírus vai me proporcionar uma guinada no cotidiano que insisto em manter porque não tenho tempo para maiores incursões pessoais.

O que ensaiava havia muitos anos acho que agora pretendo deflagrar. Nada que mude a característica de meu trabalho profissional, porque a tecnologia permite estar no mesmo espaço territorial que estou há um montão de anos mesmo sem estar fisicamente aqui. Tenho a impressão de que não será algo temporário. Devo engrenar uma quinta marcha de realidade que me acossa e que não poderia mais adiar.

Diadema prevalecentemente de viés socialista desde a eleição do primeiro prefeito petista no Brasil, o recentemente morto Gilson Menezes, é o único Município do Grande ABC que paga em média salários maiores para o funcionalismo público feminino do que para os homens. E que também paga os melhores salários em geral para o funcionalismo público municipal da região. Ou seja: quando se confronta o salário médio dos servidores municipais de Diadema com o salário médio da indústria, do comércio, de serviços e da construção civil, ganham os funcionários públicos locais.

Já São Bernardo tem a maior participação proporcional de mulheres nas atividades públicas municipais. É um contraste ante a liderança regional nas fábricas, machistas por natureza.

Enquanto o índice de funcionárias públicas municipais no Grande ABC alcança a média de 67,74%, em São Bernardo o registro de dezembro de 2018 é de 72,63%. A Capital Econômica do Grande ABC domina, portanto, extremos de suposto pendão de machismo e de feminismo ocupacional, já que detém apenas 21,48% de mulheres nas fábricas. A média de machismo industrial no Grande ABC é de 27,28%.

Havia em dezembro de 2018 no Grande ABC (segundo dados oficiais do Ministério do Trabalho), um contingente de 33.358 trabalhadoras nas sete prefeituras. Exatamente 67,74% do total geral de 49.245 funcionários públicos. Quase um terço dos trabalhadores com carteira assinada nas fábricas – 170.545. 

Não existe disparidade entre a média ocupacional de mulheres nas prefeituras quando se comparam dados dos sete municípios do Grande ABC. As mulheres são mesmo maioria porque ocupam densamente as áreas de saúde e educação.

É uma pena que o Ministério do Trabalho não produza recortes que diagnostiquem o quanto as mulheres estão em áreas administrativas no sentido exato da palavra. Mais que isso: não só em dimensão numérica quanto nos valores salariais.

A impressão que se tem entre os frequentadores assíduos dos corredores municipais (longe de mim tamanha especialidade), as mulheres povoam os gabinetes na maioria dos casos em cargos de assessoras ou auxiliares. Menos em Diadema, onde as mulheres contam com média salarial de R$ 6.001,03 ante R$ 5.426,01 dos homens. Uma diferença de 9,58%.

Acompanhem os dados da ocupação das mulheres nas prefeituras da região: 

 Santo André conta com 10.653 funcionários públicos, dos quais 3.977 homens e 6.676 mulheres. O salário médio dos homens é de R$ 5.198,41 ante R$ 5.014,18 das mulheres – diferença de 3,54%. A média geral do funcionalismo público é de R$ 5.083,04, resultado 42,62% acima da média salarial de trabalhadores registrados em todas as atividades econômicas do Município. 

 São Bernardo conta com 14.444 funcionários públicos, dos quais 3.953 homens e 10.491 mulheres. O salário médio dos homens é de R$ 4.936,68 ante R$ 3.976,36 das mulheres – diferença de 19,45%. A média geral do funcionalismo público é de R$ 4.239,05, resultado 11,00% acima da média salarial de trabalhadores registrados em todas as atividades econômicas do Município.

 São Caetano conta com 6.367 funcionários públicos, dos quais 1.949 homens e 4.418 mulheres. O salário médio dos homens é de R$ 4.341,14 ante R$ 3.822,35 das mulheres – diferença de 11,95%. A média geral de remuneração do funcionalismo público é de R$ 3.981,69, resultado 20,16% acima da média salarial de trabalhadores registrados em todas as atividades econômicas do Município.

 Diadema conta com 7.308 funcionários públicos, dos quais 2.327 homens e 4.981 mulheres. O salário médio dos homens é de R$ 5.426,01 ante R$ 6.011,03 das mulheres – diferença de 9,73% favorável às mulheres. A média geral de remuneração do funcionalismo público é de R$ 5.828,21, resultado 43,44% acima da média salarial de trabalhadores registrados em todas as atividades econômicas do Município.

 Mauá conta com 6.196 funcionários públicos, dos quais 1.859 homens e 4.337 mulheres. O salário médio dos homens é de R$ 3.874,95 ante R$ 3.037,95 das mulheres – diferença de 21,60%. A média geral de remuneração do funcionalismo público é de R$ 3.288,83, resultado 6,18% acima da média salarial de trabalhadores registrados em todas as atividades econômicas do Município.

 Ribeirão Pires conta com 3.399 funcionários públicos municipais, dos quais 1.005 homens e 2.394 mulheres. O salário médio dos homens é de R$ 3.127,45 ante R$ 2.443,52 das mulheres – diferença de 21,82%. A média geral de remuneração do funcionalismo público é de R$ 2.643,20, resultado 5,39% acima da média salarial de trabalhadores registrados em todas as atividades econômicas do Município.

 Rio Grande da Serra conta com 878 funcionários públicos municipais, dos quais 260 homens e 618 mulheres. O salário médio dos homens é de R$ 2.367,39 ante R$ 2.010,21 das mulheres – diferença de 15,08%. A média de remuneração do funcionalismo público é de R$ 2.116,42, resultado 12,44% abaixo da média salarial de trabalhadores registrados em todas as atividades econômicas do Município.



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