Política

LÓGICA DE MORANDO?
ZEBRA DE PAULINHO?

DANIEL LIMA - 02/04/2026

Se quantidade de voto a deputado federal significasse competência e meritocracia, Paulinho Serra seria surrado por Orlando Morando nas eleições desta temporada, em outubro próximo. Entretanto, como disputa eleitoral a cargo parlamentar é muito complexa, uma tremenda zebra não seria surpresa.  Essa é uma finalíssima eleitoral com direito a apenas 90 minutos. Nada é garantido a quem tem melhores apetrechos como agente público. Isso significa que não se deve necessariamente atribuir ao mais votado entre eles o selo de politico mais qualificado.

Explico essa equação especulando sobre quatro matrizes de valoração abrangente  que pretendem definir quem é melhor, mas podem não valer nada nos finalmentes dos votos votados.

A disputa entre Orlando Morando e Paulinho Serra, ex-amigos há muito distantes, promete ser a grande atração da temporada de votos nesta temporada. É impossível não acreditar que esse é um jogo particular no sentido de que o que mobilizará os contendores é o placar final.

Poucos duvidam que Paulinho Serra e Orlando Morando estariam praticamente garantidos em Brasília. Afinal, saíram popularmente consagrados das duas prefeituras de maior porte do Grande ABC, e que representam quase 60% do PIB Regional.

ANÁLISE GERAL

Numa análise geral de métricas mensuráveis e também subjetivas, Orlando Morando é muito superior a Paulinho Serra. Numa avaliação rigorosa, não há termos de comparação. A constatação se dá não só pelo passado de gerenciadores públicos como também na esteira dos 15 meses pós-mandatos de prefeitos.

Enquanto Orlando Morando virou o principal secretário municipal de São Paulo, prestigiadíssimo pelo prefeito Ricardo Nunes, seu eleitor confesso, Paulinho Serra trafegou entre duas semanas de um cursinho em Harvard e a apresentação de uma série televisiva de curta metragem de cases de municípios nos quais tem olhos voltados à aderência eleitoral.

Paulinho Serra também atuou na formulação do controle estadual do moribundo PSDB, assumindo a presidência da agremiação em São Paulo e a vice-presidência nacional. Sem desrespeito à história dos tucanos, mas também lembrando que os tucanos federais ferraram a vida do Grande ABC com Fernando Henrique Cardoso e os 85 mil empregos industriais destruídos em oito anos, Paulinho Serra só poderia mesmo ter chegado onde chegou porque chegou ao fundo do poço da agremiação.

DESFALQUE GERAL

Como poucos sobraram no PSDB,  Paulinho Serra acabou nos braços do presidente nacional Aécio Neves. Sem constrangimento, Paulinho Serra teoriza sobre fundamentos de gestão pública. Uma coluna semanal que assina no Diário do Grande ABC é a negação da essência dos oito anos como prefeito. “Mais Gestão, Menos Polarização” é o resumo da atuação dos sonhos de Paulinho Serra que o mesmo Paulinho Serra nem de longe implantou em Santo André. Muito pelo contrário.

Pior que tudo:  o bordão transformado em título da coluna remete à execração pública tanto do modelo bolsonarista quanto do modelo lulista. Entretanto, Paulinho Serra abraçou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Entretanto, recomposições partidárias deslocaram o líder gaúcho ao PSD de Gilberto Kassab. O feitiço de Paulinho Serra do marqueteiro Duda Lima contrário à polarização virou contra o feiticeiro ao cair na teia de apoiadores do governador Tarcísio de Freitas, bolsonarista de quatro costados.

A demonização pública do bolsonarismo publicada em jornais ganhou impulso de bumerangue do qual o marqueteiro Duda Lima ainda não conseguiu se safar. É isso que dá entregar a alma e os bolsos a prestidigitadores políticos.  

DUPLA APROXIMAÇÃO

Experiente, cauteloso mas de convicções jamais gelatinosas, Orlando Morando esperou o momento certo para filiar-se ao MDB carregando de críticas ao petismo e demais partidos de esquerda. Essa trajetória de Orlando Morando é linear, sem oscilações. A proximidade com Tarcísio de Freitas assegura a Orlando Morando situação privilegiada. Tanto pode ter o apoio da direita quando do centro sem choque com a coerência dos tempos de PSDB.

Para completar a operação de sucesso interpartidário, Orlando Morando viu a mulher Carla Morando, deputada estadual, entrar para o time de Gilberto Kassab, um expert em disputas eleitorais que apoia o governador Tarcísio de Freitas em São Paulo, administração da qual foi secretário até outro dia.

Seguem breves avaliações sobre os pontos mais importantes que deverão marcar a temporada de votos envolvendo os dois principais concorrentes do Grande ABC ao Congresso Nacional. Paulinho Serra é zebra nesse jogo contra Orlando Morando. Como no futebol, a política só tem graça quando há um ponto de interrogação a ser desfeito na primeira esquina eleitoral. 

 VOTO E COMPETÊNCIA 

Quem chegar na frente do outro vai comemorar mais, porque as cadeiras em Brasília estariam garantidas.  Os simplistas ou pragmáticos vão extrapolar os números,  elevando-os ou rebaixando-os de acordo com conveniências à oratória idiossincrática. No caso específico de Paulinho Serra,  de inferioridade técnica superlativa ante Orlando Morando,  seria a glória se registrar mesmo que um voto a mais que o adversário.

A matemática eleitoral vale muito mais que provas quilométrica de que a carreira política não resistiria à bola no barbante.  As urnas têm poder mistificador, quando não inviolável a qualquer contra-argumento. Vencer depois de se eleger, eis o resumo da ópera de um clássico político, provavelmente o embate mais aguardado pelo público consumidor de política.

 COLÉGIO ELEITORAL 

Há três dimensões em jogo envolvendo Paulinho Serra e Orlando Morando.  A primeira é  a disputa municipal. A segunda é o confronto macrorregional. E a terceira é o embate estadual. Paulinho Serra carrega aparentemente vantagem em âmbito municipal, ante também suposta superioridade de Orlando Morando nas duas outras esferas territoriais.

Enquanto Paulinho Serra não tem opositores de grosso calibre em Santo André,  onde o PT está atordoado há muito tempo, Orlando Morando enfrenta duplo assédio em São Bernardo. A máquina do prefeito Marcelo Lima vai  ser acionada para eleger candidatos do Paço Municipal e o PT fortemente sindical atuará com o mesmo objetivo. Quem não entender essa profunda diferença entre um território e outro território, que apontamos aqui há muito tempo, precisa entrar para o Mobral da política.

Em Santo André,  larga parte da máquina pública vai alinhar se a Paulinho Serra, mesmo com fissuras de concorrentes do mesmo espectro político situacionista. Deverá ser registrada certa contenção de votos. O excesso poderia embalar  Paulinho Serra a apertar ainda mais o cerco para impedir a reeleição de Gilvan Júnior.

O potencial de votos dos dois candidatos no Grande ABC como um todo, noves fora os respectivos redutos municipais,  é uma incógnita.  Entretanto,  os efeitos da visibilidade e do prestígio de Orlando Morando como xerifão da Segurança Pública na Capital,  poderão provocar impiedosa derrota ao oponente. Ou alguém duvida que Orlando Morando se tornou mais popular ao virar secretário na Capital enquanto Paulinho Serra, nos 15 meses seguintes ao encerramento do segundo mandato como prefeito de Santo André, viveu de tentativas de ganhar notoriedade especialmente nas redes sociais?

Por fim, no espaço eleitoral excedente à geografia regional, os mesmos efeitos magicamente benéficos à imagem metropolitana de Orlando Morando como combatente da criminalidade poderão ganhar tração rumo às áreas mais críticas em municípios de maior porte no Estado de São Paulo. Ou alguém tem dúvidas de que o apelo por paz social é profundamente enraizado nos grandes conglomerados humanos?

Paulinho Serra,  com o marqueteiro Duda Lima no comando,  virou estrela da TV Bandeirantes. Apresentou cases públicos de sucessos em dezenas de municípios paulistas,  apresentou-se como prefeito perfeito e, portanto,  digno de ser seguido, copiado,  colado e votado. Mas os efeitos são bastante restritos não só em forma de baixa audiência daquela emissora como também pela brevidade da operação sob o controle do marqueteiro que durante oito anos engabelou a plateia de Santo André ao vender um prefeito semelhante aos antecessores como destacado administrador.

 GESTÃO ADMINISTRATIVA

Não tem comparação o confronto entre  Orlando Morando e Paulinho Serra durante oito anos seguidos à frente dos dois mais importantes municípios da região. Paulinho Serra foi objeto de obsessão de um expert em marketing,  mas todos os ranqueamentos levados à sério por especialistas o puniram com a verdade de dados contundentes.

Diferentemente, portanto,  de Orlando Morando,  que dirigiu uma São Bernardo mais aflitiva em Desenvolvimento Econômico e social depois da catástrofe herdada de Dilma Rousseff. O PIB per capita de São Bernardo caiu 30% entre 2014 e 2015. Os dados estatísticos que também envolvem queda da média salarial são tenebrosos.

Santo André de Paulinho Serra sofreu menos.  Afinal, conta com relativa proteção da Doença Holandesa Petroquímica,  menos suscetível a tempestades do que a Doença Holandesa Automotiva de São Bernardo.

O marketing da espetacularização de Paulinho Serra foi um sucesso popular inesgotável, inclusive beneficiando a mulher, Carolina Serra, eleita deputado estadual. Entretanto,  deixou um buraco de atraso sensorial sobre a gravidade econômica que abate Santo André  que custará muitos anos ao novo prefeito Gilvan Júnior. 

Orlando Morando,  mesmo sofrendo duros ataques de parte da mídia,  resistiu brevemente.  Não fez a sucessora que imaginava e foi trocado pelo apoio do PT no segundo turno vitorioso de Marcelo Lima.

 RESULTADOS PRÁTICOS

Orlando Morando fez um gestão reformista em infraestrutura física, então o calcanhar de Aquiles mais sensível à qualidade de vida da população. A mobilidade urbana teve melhoria considerável,  embora seja ainda carente de ajustes e novos investimentos.

Diferentemente de Morando,  Santo André de oito anos de Paulinho Serra, alardeou mudanças mas não passou de projetos.  É o pior endereço logístico do Grande ABC. Não oferece perspectivas de recuperação econômica.  O PIB per capita desabou no ranking Paulista mais de três dezenas de postos. As intervenções na Avenida do Estado subverteram   a relação custo/benefício. O financiamento milionário gerou poucos efeitos em mobilidade urbana. Santo André precisa de múltiplas cirurgias em engenharia viária. Uma andorinha, por mais expressiva que seja, não faz verão.

Qualquer indicador que pretenda aferir mesmo que isoladamente a repercussão de dois mandatos não encontrará relevância na gestão de Paulinho Serra.  Talvez o Poupatempo da Saúde possa, sob a gestão de Gilvan Júnior,  amenizar o posicionamento geral, em 65 indicadores,  no ranking dos 400 municípios com mais de 80 mil habitantes. A maturação da iniciativa, que ainda não está completamente ajustada, pode encontrar o tempo de consagração com os reforços e suporte de Gilvan Júnior.



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