Regionalidade

TROCA-TROCA DE TRENS
TEM TUDO DOS MAMONAS

DANIEL LIMA - 13/04/2026

O enredo da operação troca-troca de trens combina de tal maneira e sincronizadamente a fragilidade institucional do Grande ABC com o descaso do governo do Estado que me fez lembrar de um dos sucessos da banda Mamonas Assassinas, da suruba de estereótipos portugueses. Entretanto, como sou conservador e respeitoso, vou desprezar o manancial de metáforas que poderia tornar essa análise muito mais interessante, porque humanos curtem sacanagens.

Aliás, só de escrever Mamonas Assassinas, suruba de português e sacanagem, sinto mal-estar terrível. Sou pudico como jornalista. Respeito a plateia de audiência e encerro essa incursão pornô-linguística por aqui. O saldo desse vexame regional, emblemático do gataborralheirismo que nos assola,  é o seguinte: não se salva absolutamente ninguém, tanto aqui quanto da representação do governo do Estado. Tudo virou uma suruba político-administrativa frustrante.

DESPREPARO TOTAL

Vou reproduzir o enredo em seguida, mas antes disso o veredito é irrebatível: o Grande ABC não está preparado institucionalmente para acautelar-se e também para reagir para proteger a Sociedade Servil e Desorganizada.

É acreditar nisso porque isso é a realidade. Ou alguém tem dúvida sobre isso quando nada menos que 500 mil passageiros/dia foram retirados do conforto de trens relativamente modernos e, impiedosamente,  enfiados em trens antigos de viagens diárias exaustivas, de casa para o trabalho e do trabalho para casa?

O que jamais deveria ter ocorrido se o Grande ABC soubesse o que ocorre em suas fronteiras não só perdurou durante vários dias como também possibilitou que alguns políticos oportunistas se lançassem a campo em solidariedade aos esfolados, quando os esfolados já haviam praticamente sido socorridos pelo próprio escândalo e suas repercussões sem que houvesse sequer um protagonista a reivindicar ação resolutiva. 

INFORMAÇÕES PROTOCOLARES

O absurdo que se tornou público em primeiro de abril em forma protocolar de informação do site Diário do Transporte virou manchetíssima também protocolar do Diário do Grande ABC três dias depois, sábado. No mesmo dia, este jornalista, ao se manifestar em grupos do aplicativo WhatsApp, desancou a decisão da CPTM.

Veja o breve texto que publiquei no dia 4 de abril, mesma data em que o Diário do Grande ABC abordou pela primeira vez  o assunto com a seguinte manchetíssima: “ CPTM define data para a troca de trens na Linha 10”. Agora leiam a indignação deste jornalista às 9h21 do mesmo dia:

LEIAM A MANCHETÍSSIMA DO DIÁRIO DO GRANDE ABC. LEIAM DE NOVO. MAIS UMA VEZ. AGORA, LEIAM A MANCHETÍSSIMA QUE DEVERIA TER SIDO PUBLICADA: ‘CPTM COLOCA TRENS VELHOS PARA ATENDER REGIÃO”.  CADÊ O CLUBE DOS PREFEITOS? 

Absolutamente nenhuma instituição da região se posicionou para denunciar e protestar no tempo apropriado contra a decisão de ramal do governo do Estado. Principalmente o Clube dos Prefeito, a quem cabe a responsabilidade geral da região em forma de guarda-chuva institucional. Se o Clube dos Prefeitos e seus tentáculos internos em várias modalidades não conta com sistema de alarme para barrar violações da cidadania, o que esperar das demais entidades? Estamos fritos e mal pagos.

O pior de tudo o que ocorreu é tentar levar no bico os consumidores de informação ao se vender como se pretendeu vender o contrário do que se constatou. Ou seja:  que temos um circuito organizacional de segurança que supostamente impede decisões escabrosas como a que teve início num primeiro de abril emblemático e que, não fosse a própria desmoralização da data, porque Dia da Mentira são todos os dias deste país, poderia soar como deboche. 

DIÁRIO DO TRANSPORTE

A edição de primeiro de abril do Diário do Transporte, publicação digital especializada,  divulgou a notícia em manchete extensa: “Por causa de concessão, passageiros ficam com trens mais antigos. Os mais novos vão para concessionária privada do Grupo Comporte até o dia 20 de maio”. Agora, os principais trechos da reportagem:

 Quem utiliza a linha 10-Truquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), a única ainda que não foi concedida para a iniciativa privada, percebeu a diferença: no lugar dos trens mais modernos, com passagem livre entre os carros (vagões), com as luzes que acendem sobre o nome de cada estação no visor acima da porta e com iluminação em led e mais clara, apareceram composições mais antigas. O interior esverdeado é mais escuro. A iluminação interna com lâmpadas fluorescentes em formato de tubo não é tão eficiente. Sobre as portas, o visor com o nomes das estações é um adesivo coladora. A composição não tem o chamado gangway, que é justamente a passagem livre entre os vagões. A concessionária é a Trivia Trens, integrante do Grupo Comporte Participações S.A, da família do fundador da GOL Linhas Aéreas e maior frotista de ônibus do Brasil, com sete mil coletivos e empresas como a Viação Piracicaba, Penha e Expresso União. O Grupo Comporte também está à frente da concessão da linha 7-Rubi e TIC-Trem Intercidades (São Paulo/Campinas), além do Metrô da Grande BH e VLT (Veículo Leve Sobre Trilho) da Baixada Santista. As composições colocadas na linha estatal são de 2008, dentro da vida útil de um trem que pode ser de até 35 anos com as devidas modernizações, porém, mais antigas que as unidades que rodavam na linha 10, produzidas inclusive no ano de 2020. O Diário do Transporte, nesta terça-feira, 31 de março, na linha10, registrou o descontentamento dos passageiros. (...) O Diário do Transporte questionou a CPTM, que confirmou até 20 de maio de 2026 vai concluir a transferência, que os trens que estão na linha 10 tem “plenas condições de conforto e segurança” e que a “reorganização da frota garante a eficiência operacional e o cumprimento das diretrizes de concessão”.

DIÁRIO DO GRANDE ABC

Três dias depois, na edição de sábado, 4 de abril, eis a reportagem do Diário do Grande ABC da página interna, depois de ocupar a manchetíssima de primeira página, ou seja, a manchete das manchetes. Leia a reportagem sob o título “CPTM vai retirar trens novos da Linha 10-Turquesa até 20 de maio”:

 A Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) passará a contar com uma frota de trens mais antigos, fabricados entre 2008 e 2010, até 20 de maio. A mudança decorre da transferência das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade para a Trivia Trens, do Grupo Comporte. A nova operadora receberá composições de tecnologia recente que ainda circulam entre Rio Grande da Serra e a Estação Luz, na região central de São Paulo. Por enquanto, não há data para o leilão do serviço, o qual corta cinco cidades do Grande ABC. A realocação de ativos da CPTM atende ao contrato o qual prevê a entrega do que há de mais novo para a iniciativa privada. Com isso, os veículos da série 8500, que hoje representam padrão alto de conforto ao passageiro, serão destinados prioritariamente às linhas 11-Coral e 12-Safira. A principal diferença a ser notada pelos usuários é que tais unidades permitem a livre circulação interna entre os carros, conhecidos como vagões. Sem o chamado open gangway, a mobilidade dentro do trem se torna mais restrita. Para suprir a lacuna no Grande ABC, a companhia padronizará o atendimento com as séries 2070, 7000 e 7500. Embora a empresa classifique os trens como em perfeitas condições de uso e segurança, a alteração consolida um padrão tecnológico desenvolvido há cerca de 15 anos. A CPTM defende que a vida útil desses equipamentos gira em torno de 35 anos, o que justificaria a operação. Contudo, para quem embarca na região, a saída dos modelos mais novos, fabricados entre os anos de 2015 e 2019, é vista como uma perda de qualidade. Segundo nota da CPTM, até 20 de maio, haverá a realocação das composições das séries 8000 e 8500 para as linhas 11-Coral e 12-Safira, bem como a operação dos trens das séries 2070, 7000 e 7500 na Linha 10-Turquesa. As frotas que passarão por São Caetano, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não possuem a livre passagem entre os carros. No caso do 2070, também não há monitor para que o passageiro se informe sobre o andamento da viagem. Sobre o projeto de concessão da Linha 10-Turquesa, a SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos) informou que as contribuições de audiências públicas seguem em análise. A Pasta trabalha na consolidação do modelo técnico a fim de definir as próximas fases do certame. Em entrevistas anteriores, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que o leilão do ramal sai ainda neste ano. Junto a esse pacote, está prevista a construção da Linha 14-Ônix de VLT (veículo leve sobre trilhos), que conectará Santo André à Zona Leste de São Paulo, podendo chegar a Guarulhos. Documentos da SPI apontam que o edital a ser lançado estabelecerá à futura concessionária novos trens para a Linha 10-Turquesa, mas resta definir o cronograma e a quantidade de composições. Um memorando disponibilizado pela Pasta cita que a futura operadora poderá adquirir 21 composições, podendo somar outras 13 unidades, no máximo, em 2040, adquiridos pelo Estado. No entanto, tais diretrizes ainda podem passar por alterações até o documento final para licitação. Ainda conforme informações no site da SPI, está mantida a previsão de publicação do edital para a concessão da Linha 10-Turquesa para o primeiro semestre, enquanto o leilão e a assinatura do contrato com a empresa vencedora estão colocados para a segunda metade de 2026. Os investimentos previstos giram em torno de R$ 19 bilhões, para a modernização do ramal existente e para as obras da Linha 14-Ônix. 

MAIS DIÁRIO DO GRANDE ABC 

Na edição de nove de abril, o Diário do Grande ABC voltou ao assunto com a seguinte manchete de página interna: “Usuários apontam retrocesso em trens antigos da Linha 10 da CPTM. Veja a reportagem, também  com eventuais cortes que não alteraram o conteúdo principal: 

 A circulação de trens mais antigos na Linha 10-Turquesa, iniciada em 20 de março, gerou críticas entre passageiros que utilizam diariamente o serviço no Grande ABC. A mudança ocorreu por causa do processo de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que serão assumidas pela empresa Trivia Trens, do Grupo Comporte. Como parte do contrato, as composições mais modernas, que circulam entre as estações Rio Grande da Serra e Barra-Funda, serão direcionadas à nova operadora. Enquanto isso, a Linha 10 passa a operar com frota fabricada entre 2008 e 2010. Para quem depende do transporte, a alteração representa um retrocesso. O aposentado Paulo dos Santos, 57 anos, morador de Ribeirão Pires, demonstra preocupação com a segurança e o estado das composições em operação. “Os trens atuais já são ‘meia boca’. Imagine um ainda pior. Acho que vai quebrar mais e a parte de segurança também preocupa. Os vagões não são abertos, então não dá para correr em caso de emergência. Fica tudo fechado. Acho perigoso”, afirma Santos. Os modelos mais novos que estão de saída foram fabricados entre os anos de 2015 e 2019. A limitação de circulação entre vagões é uma das principais mudanças percebidas pelos usuários. Sem o sistema conhecido como open gangway, que permite a passagem livre entre os carros, os usuários ficam mais restritos ao vagão em que embarcam. No caso do modelo 2070, não há monitores com informações da viagem. O administrador financeiro Ricardo Lopes, 68, de Ribeirão Pires, critica a decisão e avalia que a medida representa uma desvalorização da região. “É como voltar no tempo. Em vez de melhorar, está piorando. A gente paga a passagem igual, tinha que ter trens melhores para todo mundo. Não faz sentido tirar os novos daqui e trazer os antigos”, diz. Além da segurança, o conforto também é alvo de reclamações. A administradora de empresas, Claudia Machado, 44, de Mauá, acredita que a troca prejudica diretamente o tempo de deslocamento e a experiência dos usuários. “É regressivo. O trem antigo é mais lento, então a viagem fica mais demorada. E não deveria ter essa diferença entre regiões. Se a passagem é igual, o serviço também deveria ser”, afirma. Cláudia destaca ainda o impacto da impossibilidade de circular entre vagões. “Às vezes você entra em um ponto, mas precisa descer em outro mais acessível. Ou até por segurança, como em casos de importunação, poder mudar de vagão faz diferença. Isso se perde com o trem antigo”, completa. (...) Em nota, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) informou que toda a frota está em perfeitas condições de uso, segurança e conforto. A companhia explica que a redistribuição dos trens atende ao contrato de concessão das linhas que serão operadas pela iniciativa privada.  

MAIS DIÁRIO DO GRANDE ABC

Na edição  impressa do Diário do Grande ABC de 10 de abril, uma nova reportagem sobre o assunto sob o título “Secretário Rafael Benini não explica uso de trens velhos no Grande ABC”: 

 A troca da frota da Linha 10 -Turquesa, que passa por cinco cidades do Grande ABC, por trens mais antigos não foi justificada pela SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos), comandada por Rafael Benini. Usuários, além de estarem insatisfeitos, questionam as motivações da mudança, já que o trecho é o único com administração estatal. Composições com seis anos de uso (2015 a 2019) foram substituídas por outras de quase duas décadas (2008 a 2010). Os trens mais novos estão sendo realocados para as linhas 11-Coral e 12-Safira, que foram privatizadas em março de 2025 junto com a 13-Jade, A empresa Trivia Trens, do Grupo Comporte, assume a concessão por 25 anos a partir de julho deste ano.  (...) A substituição, iniciada em 20 de março, está prevista para ser concluída até 20 de maio, de acordo com a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). “O remanejamento será feito de forma gradativa para não impactar a circulação, conforme estratégia operacional”, informou a companhia. A realocação ocorre conforme determina o contrato de concessão, segundo destaca a CPTM. Apesar das desvantagens na mudança para o Grande ABC, a SPI, do secretário Rafael Benini, afirma que a decisão é “eficiente”, mas não explica a motivação. “A reorganização da frota nas linhas do sistema metroferroviário segue critérios técnicos e considera o funcionamento integrado da rede, com foco na eficiência e na continuidade do serviço”, afirmou a Pasta. De acordo com a Pasta de Rafael Benini, há um projeto para a Linha 10-Turquesa que já passou por consulta e audiências públicas e está em fase de análise técnica das contribuições. “O modelo prevê expansão e melhorias ao longo do tempo, como a redução do intervalo entre trens e a renovação da frota, incluindo a aquisição de 34 novos trens, com foco na qualificação do serviço prestado à população”, informou a SPI. Pela Linha 10-Turquesa, que passa pelas estações Santo André, São Caetano, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, circulam 477.861 usuários por dia, segundo dados da CPTM. Já as linhas 10, 11 e 12 são utilizadas, respectivamente, por 543.546, 261.429 e 26.851 pessoas diariamente.  

MAIS DIÁRIO DO GRANDE ABC

Reportagem publicada na edição de 10 de abril sob o título “Estado recua e devolve trens novos à Linha 10-Turquesa da CPTM”: 

 O governo do Estado recuou e decidiu, nesta sexta-feira (10), realocar os trens novos na Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), após a substituição por composições mais antigas gerar críticas de usuários e questionamentos sobre os critérios da mudança. A linha, que corta cinco cidades do Grande ABC e é a única estatal, havia passado a operar com trens de até 18 anos, enquanto unidades com cerca de seis anos de uso foram realocadas para outras linhas recentemente concedidas à iniciativa privada. A substituição da frota começou em 20 de março e estava prevista para ocorrer de forma gradativa até 20 de maio. A administração estadual não detalhou o motivo da inversão, mas afirmou que a reorganização da frota seguia critérios técnicos e operacionais, considerando a integração do sistema e a eficiência do serviço. “A reorganização da frota de trens que havia sido iniciada nas Linhas 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira será descontinuada, com manutenção das frotas da série 8500 no ramal que atende atualmente o Grande ABC. A SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos) ressalta que a reorganização não está associada aos processos de concessão em curso, mas a ajustes operacionais permanentes da rede, que são realizados com base em critérios técnicos”, informou a Pasta em nota. Antes da mudança, composições fabricadas entre 2015 e 2019, eram utilizadas na linha. As composições foram substituídas por trens produzidos entre 2008 e 2010. As unidades mais recentes estavam sendo transferidas para as linhas 11-Coral e 12-Safira, que foram privatizadas em março de 2025, junto com a Linha 13-Jade. A concessão das três linhas ficará sob responsabilidade da Trivia Trens, do Grupo Comporte, por 25 anos, a partir de julho. A SPI destacou ainda que toda a frota da CPTM está em perfeitas condições de uso, segurança, conforto e acessibilidade para os usuários, com diferença mínima de vida útil entre as diferentes séries de composições. “São cinco trens da série 2070 fabricados em 2008, outros 19 da série 7000 a partir de 2009 e 8 da série 7500 a partir de 2010, além de veículos da série 8500 a partir de 2011. A vida útil de um trem gira em torno de 35 anos, com as manutenções devidas.” Usuários da Linha 10-Turquesa, que atende municípios como Santo André, São Caetano, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, relataram piora nas condições de viagem com os trens mais antigos. Entre os problemas, eles citaram desconforto, superlotação e falhas no sistema de ar-condicionado. Atualmente, circulam 477.861 usuários por dia na Linha 10-Turquesa, segundo dados da CPTM. Já as linhas 10, 11 e 12 são utilizadas, respectivamente, por 543.546, 261.429 e 26.851 pessoas diariamente. O governo de São Paulo informou ainda que prepara a concessão da Linha 10-Turquesa a iniciativa privada, que prevê investimentos superiores a R$ 15 bilhões no sistema, incluindo a aquisição de 34 novos trens, redução de intervalos, melhorias operacionais e modernização de estações, com o objetivo de ampliar a capacidade e elevar o padrão de serviço ao longo dos próximos anos. “Além disso, o projeto também garante a implantação da Linha 14-Ônix, que vai expandir a conectividade da região. O processo foi submetido a consulta e audiências públicas e segue com transparência e diálogo institucional.” Na quinta-feira (9), o deputado estadual Rômulo Fernandes (PT) protocolou na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) um requerimento cobrando explicação da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre a mudança na frota. Ao Diário, o parlamentar disse que sua preocupação é com a qualidade do serviço e o impacto na vida dos usuários. “É impossível não estranhar o silêncio do secretário da SPI, Rafael Benini, diante de tantas reclamações e questionamentos dos usuários. Estamos falando de um serviço essencial, que claramente apresenta sinais de piora, com a substituição de trens mais novos por composições antigas, e o governo simplesmente não responde”, declarou o deputado. Na tarde desta sexta-feira, outros deputados estaduais com base eleitoral no Grande ABC também expressaram forte desaprovação à substituição dos trens novos por composições mais antigas. Entre os parlamentares estão Ana Carolina Serra (PSDB), Carla Morando (PSD), Ediane Maria (Psol), Atila Jacomussi (PRD) e Luiz Fernando Teixeira (PT). 

MAIS DIÁRIO DO GRANDE ABC 

Reportagem publicada ontem no  Diário do Grande ABC sob o título “Consórcio encaminhará oficial ao Estado a respeito de mudanças e futuro da CPTM: 

 O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC encaminhará ofício ao Governo de São Paulo para questionar mudanças nos trens que atendem a região e futuras modernizações da Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). De acordo com o presidente da entidade e prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL), as recentes reformulações, que causaram desconforto aos usuários, expuseram uma tentativa de sucateamento do serviço. “A notícia trazida pelo Diário de que a CPTM desistiu de colocar trens mais velhos na linha que atende a nossa região é uma grande vitória para a população do Grande ABC. Oficialmente, nenhum prefeito tinha sido informado sobre a troca dos veículos, nem o Consórcio. Enquanto projetamos o futuro e melhorias para a linha 10, fomos surpreendidos por esta notícia muito negativa sobre o seu sucateamento”, destaca Guto Volpi. O presidente do colegiado reforça que a queda na qualidade do atendimento do sistema foi imediata após as substituições. “Seguiremos acompanhando de perto os próximos passos e, paralelamente, vamos enviar, via Consórcio, um ofício para que o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos (Marco Antonio Assalve) e o presidente da CPTM (Michael Sotelo Cerqueira) possam discutir o futuro da linha 10 detalhadamente em uma reunião com todos os prefeitos. Esse episódio pegou todo mundo de surpresa. É um absurdo.” O prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira (Cidadania), também se articulou para tratar o tema. “Assim que tive conhecimento da notícia publicada pelo Diário sobre a retirada dos trens novos da Linha 10-Turquesa, entrei em contato com o governador para tratar do tema. Entendemos que é assim que a política deve funcionar: com diálogo, articulação e atuação rápida em defesa da população. Aproveitei a oportunidade para reforçar uma demanda histórica da nossa cidade, que é a reforma da Estação Santo André, e o governador se comprometeu a iniciar as obras ainda este ano.” O prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos), repudiou a decisão inicial de colocar trens mais antigos para circular na região e afirmou que isso é uma “falta de respeito” com os moradores. “Já estávamos com discussões no Consórcio sobre o tema quando recebemos a notícia de que o Estado recuou. Percebemos que o governo entendeu que errou e ficaremos de olho para que isso não se repita.” Questionado, o prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), preferiu não se pronunciar sobre o caso por não ter sido informado oficialmente. Os demais chefes do Executivo da região não retornaram até o fechamento da edição. 



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