O vereador de três mandatos Jobert Minhoca, comandante da Secretaria de Esportes de Santo André, tornou-se peça essencial à pacificação do grupo que comanda o Paço Municipal desde janeiro de 2017. Jobert Minhoca está atuando intensamente nos bastidores para baixar a temperatura e impedir que estilhaços impactantes ganhem escala e comprometam a já abaladíssima unidade do conjunto de agentes que há uma década formularam e executaram projeto de gestão pública em Santo André.
Jobert Minhoca conseguirá a proeza de atuar como algodão entre os cristais? As relações entre o prefeito Gilvan Ferreira e o ex-prefeito Paulinho Serra, eleito deputado federal, passam obrigatoriamente pela pacificação fora de controle. Não se sabe qual será o desfecho dos desencontros do grupo que está dividido em Santo André.
O Paço Municipal não está em chamas, mas é ingenuidade sugerir que tudo continua como antes, porque nada está como antes. Entenda-se antes como o passado recente em que o grupo situacionista trabalhou pela eleição de Gilvan Ferreira. Tanto quanto organizou-se para eleger Paulinho Serra em 2016.
DO MESMO VENTRE
Talvez seja redundância para alguns mas não custaria relembrar que o grupo à frente da Prefeitura de Santo André não é resultado de um passe de mágica que fez de Paulinho Serra prefeito por acaso. É nesse ponto que a atuação de Jobert Minhoca pode ser dimensionada como providencial, embora não descortine apaziguamento dos ânimos.
Há uma eleição municipal no meio do caminho em 2028 e o prefeito que saiu depois de dois mandatos quer voltar ao comando do Paço que tem ocupante que também pretende obter a reeleição. Se antes não havia uma segunda via em Santo André, já que o PT Municipal está morto e enterrado, agora se desenha desdobramento que geraria uma segunda via competitiva saída do mesmo berço que embalou consensos e ações sem maiores dificuldades.
É nesse ponto que a diplomacia de Jobert Minhoca ganha força para desarmar espíritos. Tanto que o secretário transita sem complicações na Faixa de Gaza dos corredores do Paço Municipal e que nas últimas duas semanas contabilizou inúmeras baixas até então sob o guarda-chuva do ex-prefeito.
PRESTÍGIO ELEITORAL
Por essas e outras é perda de tempo tentar retirar de Jobert Minhoca qualquer indicativo de que Gilvan Ferreira e Paulinho Serra já não dividem a mesma mesa ou qualquer atividade pública. Joubert Minhoca traduz as informações de descompassos no relacionamento de Gilvan Ferreira e Paulinho Serra com respostas evasivas. Seriam entreveros naturais. Campanha eleitoral como a desta temporada, e a próxima eleição municipal em 2028, acabam por movimentar os bastidores em direções opostas.
Jobert Minhoca saiu das eleições de outubro último como um dos poucos vencedores do Grande ABC, mesmo sem ter concorrido a qualquer cargo. A coordenação da campanha vitoriosa de Paulinho Serra e de Carolina Serra, que obtiveram cada um pouco mais de 100 mil votos em Santo André, é a consumação de um sucesso que pode ser sintetizado não necessariamente pelo volume de votos, mas mais propriamente pelo casal Serra.
A expectativa de Paulinho Serra flutuava entre 200 mil e 250 mil, com pelo menos mais de 180 mil em Santo André. O rebaixamento provocado principalmente pelo turbilhão chamado Lucas Pavanato foi um complicador além do previsível. O vereador da Capital que se elegeu deputado federal com mais de três milhões de votos no Estado obteve no eleitorado regional nada menos que 159.044 votos, dos quais 47.440 em Santo André. A votação de Pavanato representou 11% dos votos válidos em Santo André. Paulinho Serra chegou a 25% dos votos válidos, uma marca extraordinária no Grande ABC, consolidando-se como o mais municipalista dos gestores públicos da região.
RUMO ESTRATÉGICO
O sucesso de articulador da campanha do casal Serra foi assegurado pela capacidade de dar rumos estratégicos à equipe de Paulinho Serra. Encontrar um gestor que alie teoria e prática na condução de uma campanha eleitoral é considerado um achado. Joubert Minhoca se consagrou nesta temporada exatamente porque estabeleceu um roteiro de competitividade eleitoral que resistiu a todas as intempéries.
Quem acompanhou de perto a campanha eleitoral de Paulinho Serra garante que o dinamismo de Jobert Minhoca é um ativo natural de quem se destacou como empreendedor no ramo de material esportivo, sobretudo com foco em agremiações. Transformar problemas em harmonia é quase uma mágica que Jobert Minhoca exercita constantemente – garantem esses observadores.
Possivelmente o desafio maior que Jobert Minhoca já enfrentou está exatamente em intermediar o relacionamento beligerante entre aliados de Gilvan Ferreira e Paulinho Serra. Joubert Minhoca é discreto, ameniza as queixas dos dois grupos e costura medidas que podem não resolver inteiramente os conflitos, mas os tornam menos agressivos, complexos e irrecuperáveis.
GOVERNO DO ESTADO
O reconhecimento à capacidade de gerenciamento tanto da Secretaria de Esporte da Prefeitura de Santo André quanto das idiossincrasias político-administrativas estaria colocando Jobert Minhoca no radar do governo do Estado. Há informações de que o bom relacionamento que Jobert Minhoca mantém com vários integrantes da cadeia de comando do governador Tarcísio de Freitas poderia ter como resultado o que já teria se colocado como perspectiva de ocupar uma posição. Especula-se que a Secretaria de Esportes do Estado constaria das projeções.
Jobert Minhoca é cauteloso o suficiente para não retirar o invólucro de suspense às informações palacianas. Há outras perspectivas na carreira política de Jobert Minhoca. Inclusive a composição da chapa à reeleição de Gilvan Ferreira.
Na semana passada, numa reportagem do Diário do Grande ABC, Jobert Minhoca surpreendeu a todos que o viam mais como aliado de Paulinho Serra do que de Gilvan Ferreira. Jobert Minhoca declarou apoio à reeleição de Gilvan Ferreira. A declaração ultrapassa qualquer medida dissimuladora para não ferir melindres.
O que Jobert Minhoca evidenciou na declaração é que o tratado em passado recente no grupo então sem fissuras não é caro e nem pode ser a fonte da guerra fria entre Paulinho Serra e Gilvan Ferreira. Ou seja: o que foi acordado no grupo de sustentação do ex-prefeito e do atual prefeito não poderia ser rompido. A disputa pela reeleição é um acordo que preservaria as relações internas.
CONFLITOS INTERNOS
Esse é o ponto-chave que explica o ambiente de hostilidades nem sempre diplomáticas no Paço Municipal. Já houve mais de uma centena de demissões de funcionários relacionados diretamente aos dois mandatos de Paulinho Serra. Jobert Minhoca se recusa a falar sobre conflitos internos na expectativa de que tudo não passaria de chuva política de verão que será superada na medida em que as rusgas desta temporada de eleições ficarem no passado que passa a cada dia.
A gota d’água que teria aflorado de vez o afastamento entre o prefeito atual e o prefeito anterior precisaria de tempo para perder importância. A declaração da deputada estadual Carolina Serra com a aprovação gestual de Paulinho Serra expôs os desencontros nos bastidores. “Nós vamos voltar”, disse Carolina Serra, referindo-se a ocupação do Paço Municipal, revelou publicamente o quanto já fervilhava o ambiente de ocupação de espaço na máquina pública e seus tentáculos.
Jobert Minhoca não se refere às relações com o casal Serra e com o prefeito Gilvan Ferreira como espécie de pacificador, de quem estaria providencialmente atuando para apagar incêndio. Jobert Minhoca minimiza as diferenças na tentativa de acalmar os ânimos e manter o grupo vitorioso das ultimas três eleições municipais em Santo André providencialmente a salvo de retaliações mútuas. Acredita-se que é uma missão mais que desafiadora e que poderia ser descartada de vez caso Jobert Minhoca salte para o governo estadual. Não se teria alguém mais apropriado para tentar desarmar os espíritos rebeldes.
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20/10/2026 JOBERT MINHOCA PACIFICARÁ PAÇO?