Vou fazer nesta edição de forma explícita o que aço reflexivamente no meu dia a dia dos últimos tempos. Não queiram que vote mais uma vez em Lula da Silva para a presidência da República. O Lula da Silva batizado por este jornalista de Lulacá na capa da revista de papel LivreMercado, de novembro de 2002, é uma tremenda frustração. Do Lulalá, ou seja, de Lula da Silva em Brasília, as restrições também são colossais, mas vou deixar para lá.
Uma das muitas razões de descartar qualquer possibilidade de votar em Lulacá mais uma vez (o fiz duas vezes, em 2002 e 2006 por conta fundamental do regionalismo idiota que carrego no peito) está concentrada na atuação regional irresponsável da presidente Dilma Rousseff, sob o guarda-chuva petista de Lula da Silva.
Do ponto de vista exclusivamente econômico, até onde é possível dimensionar com bases técnicas, e não coloquem os mortos na balança, porque a balança que balançou com os mortos não pode ser simplificada, do ponto de vista exclusivamente econômico, repito, os dois últimos anos do desastre chamado Dilma Rousseff foram muitíssimos piores que os dois anos mais bravos da pandemia da Covid-19. Isso bastaria para abominar novo Lulacá.
FAÇA AS CONTAS
Já escrevi sobre as estripulias de Dilma Rousseff, mas não custa nova abordagem, agregando valores conceituais já expressos. O leitor sabe o que são R$ 27 bilhões em valores nominais, ou seja, sem considerar a inflação do período estudado e esta temporada de 2026?
Pois vou explicar para que se compreenda uma das muitas razões que tenho e não escondo sobre minha restrição ao candidato presidencial desta temporada a ser apurada no próximo domingo.
É impossível para um jornalista regionalista (com os olhos no mundo) avalizar a candidatura de Lula da Silva. Entre inúmeras razões a mais enfática, porque atingiu em cheio a região, foram os estragos promovidos por Dilma Rousseff, depois de pegar o rabo de foguete de populismo irresponsável de Lula da Silva. Bom de voto e ruim de governo, como tantos outros em todos os níveis de comando.
UMA BARBARIDADE
Vinte e sete bilhões de reais, em valores nominais, ou seja, sem considerar a inflação, foi o quanto o Grande ABC perdeu de riqueza calculada pelo PIB (Produto Interno Bruto) entre os anos 2015 e 2016, com base no ano anterior de 2014, durante o governo Dilma Rousseff. Perdemos exatamente 24,14% do PIB Geral, mais de três vezes a média nacional. Nos dois anos dramáticos da pandemia do Coronavírus, entre 2020 e 2021, o PIB do Grande ABC caiu apenas 0,88%. Compare com os 24,14% dilmistas.
Vivemos, portanto, com Dilma Rousseff, a maior catástrofe econômica e social da história. O Lulacá sumiu do pedaço. Tanto ele, diretamente e indiretamente, quanto a cadeia trabalhista regional. Os sindicatos permaneceram em silêncio. E hoje chamam os chineses predadores como parceiros dos sonhos corporativos e ideológicos.
Mas, afinal, como quantificar de modo didático aqueles R$ 27 bilhões nominais (com a inflação entre janeiro de 2017 a dezembro de 2025 o total atualizado chega a mais de R$ 32 bilhões ) que o PT de Dilma Rousseff, antecedido de Lula da Silva, jogou no lixo da crise social e econômica mais dramática do Grande ABC?
Uma das respostas está relacionada à manchete dos jornais do Grande ABC nos últimos dias, quando o prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima, divulgou de forma espetacular o orçamento previsto para a Capital Econômica do Grande ABC à próxima temporada. Sabem quanto? R$ 8,4 bilhões.
Agora, pacientemente, pegue esses R$ 8,5 bilhões e compare com o rombo de valores atualizados da hecatombe chamada Dilma Rousseff. Dá mais ou menos quatro vez o que São Bernardo pretende arrecadar direta e indiretamente no ano que vem.
FEBRE UNIVERSITÁRIA
Poderia fazer outras comparações, mas acho que a exposta já é suficiente para que os leitores entendam o tamanho do buraco em que o PT e Dilma Rousseff nos esfiaram neste século. Como a Europa destes dias em chamas está provando, e Dilma Rousseff levou à prática há uma década, é preciso que a sociedade acorde para combater falsos crescimentos econômicos Crescimentos temporários alimentam gastos permanentes.
Um exemplo, entre muitos? Quantas universidades públicas Lula da Silva exalta como feitos memoráveis de governo, construídas durante os anos de ouro de valorização de commodities que, em seguida, voltaram à normalidade da balança de exportações?
Não posso omitir posicionamento e faço essa confissão pública porque não tenho preocupação alguma em agradar: é impossível em condições mesmo anormais de tempos políticos agressivos e temperaturas eleitorais nebulosas depositar meu voto numa candidatura que, apesar de origem regional, jamais se preocupou para valer com a região. Mas, muito mais que isso: uma agremiação que destruiu a Economia do Grande ABC neste século, depois de nas décadas finais do século passado alimentar um buraco de ônus econômico. Não há quem me convença do contrário. Não pretendo assinar atestado de estupidez.
HERANÇA LONGEVA
Não frequento o mesmo ambiente de antagonismos inconciliáveis que demarcam o terreno da política nacional. Como também resisti e abomino o passado de enganosa harmonia democrática envolvendo petistas com sede de poder e tucanos bons de bico. Sou essencialmente crítico à herança político-econômica deste País em que o corporativismo soterra conceitos básicos de meritocracia e com isso apenas joga para o futuro que sempre chega a consolidação de assistencialismo demagógico.
Somos já há muito tempo um remendo mal- feito de Estado de Bem-Estar Social que os europeus veem desabar. A cegueira coletiva impede inclusive que observadores internacionais supostamente mais gabaritados desprezam: o Estado pantagruélico está com os dias contados, quando não vencidos, independentemente da incandescente questão imigratória.
Os bilhões retirados da Economia do Grande ABC por uma presidente e uma agremiação política de baixa qualificação gerencial ficaram impunes. Não tivemos capacidade institucional de sequer levar a Brasília a conta dos estragos. Pior que isso: exceto este jornalista, ninguém, ninguém, pessoa física ou pessoa jurídica, teve ou tem sequer a iniciativa de desfraldar a bandeira de contestação daquele genocídio econômico, parente do genocídio pandêmico.
Dez anos depois, continuamos a mendigar favores políticos a Brasília, como se a conta corrente de receitas e despesas fosse favorável ao Estado Federal. Quanta ignorância e leniência! E quanto espaço aberto à ocupação por delinquentes políticos em busca de fama nacional.
PETISMO E JORNALISMO
Sei que meus amigos e meus inimigos petistas não vão aprovar esse texto. Dou de ombros, com todo e respeito. E vou além: se fosse definir as cores que vesti profissionalmente em relação à militância dos petistas, garanto que seria o petista mais leal entre os jornalistas brasileiros. Aliás, muitos imaginaram exatamente isso durante muito tempo, e até hoje acreditam nisso, porque a ideia geral de que escrever sobre política e assuntos correlatos precisa de cabresto ideológico à direita ou à esquerda. A prática profissional sem distinção de cores e horrores partidários é um pecado capital.
Sou supostamente mais petista que os próprios petistas se fosse petista de fato e, com isso, posso chamar os petistas de fato de covardes ou negligentes por razões factuais. Afinal, onde estavam todos ou quase todos quando estourou o escândalo fabricado pela força-tarefa do Ministério Público Estadual escalado pelo então governador Geraldo Alckmin para transformar um crime comum em crime político-administrativo? Sim, estou me referindo ao assassinato do prefeito Celso Daniel. O silêncio acovardado ou acomodado da quase totalidade dos petistas nacionais, enquanto este jornalista se expunha em busca da verdade baseada nas investigações policiais, esse silêncio permite e me credencie à objeção explícita e pública à reeleição de Lula da Silva.
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01/10/2026 BALANÇO DE EMPREGOS E PATETICE ELEITORAL