Apenas quatro de cada 10 eleitores aptos a ir às urnas ontem no Grande ABC votaram no presidente Lula da Silva, o Lulacá do Lulalá do Brasil. O ex-metalúrgico que deixou uma herança contraditória no campo trabalhista com efeitos colaterais dilacerantes na Economia regional, vai ter mais quatro anos de gestão direta, somando 16 -- e outros seis da indicada e dinamitadora Dilma Rousseff -- para mudar a rota de fracasso continuado do Partido dos Trabalhadores na região.
Duvido que Lulacá e Lulalá vão se sair relativamente bem nesse filme de horrores que estamos acostumados a assistir. A reeleição não passa pelo matadouro de responsabilidade social de quem tem cérebro que não seja entorpecido pela ideologia, quando não pelas conveniências. Mas esse é um aspecto da disputa eleitoral que vou deixar de lado agora.
A regionalidade é meu mantra e isso me custa muito caro em todos os sentidos. Inclusive em abordar o que se passa aqui tendo o mundo inteiro como espaço de observação e compreensão. O que Lulalá andou fabricando de gastança para continuar presidente (e Flávio Bolsonaro endossou também por populismo para tentar se salvar eleitoralmente) é incompatível com qualquer manual de governança e governabilidade. Vai nos custar os tubos em tudo quanto é modalidade de vida. Mas os ignorantes e os fanatizados não estão nem aí. Como não estariam muitos opositores se o resultado final fosse outro.
HERANÇA MALDITA
O resultado eleitoral do Grande ABC de esquálidos quatro votos para cada 10 disponíveis é emblemático. A Detroit à Brasileira que não para de acusar golpes de fragilidade econômica e social é uma obra com marcas profundas do lulismo e do petismo em conjunto com instituições locais movidas a interesses particulares.
Muitos fazem tudo para esconder a realidade de causas e efeitos envolvendo a face dupla do trabalhismo na região. O mesmo trabalhismo que está abrindo as pernas do servilismo ideológico aos chineses automotivos. Trabalhismo de cartas marcadas que traduzem chãos de fábricas em farsas eleitorais para sustentar uma elite dinástica.
Lula da Silva ganhou as eleições no Grande ABC com o acumulado de 872.653 votos entre os 2.108.601 disponíveis nas urnas eletrônicas. Isso significa 41,38% do total, contra 759.758 de Flávio Bolsonaro, com 34,76% do total. Quando se consideram apenas os votos válidos, que eliminam abstenções, votos nulos e votos em branco, o índice de aproveitamento de Lula da Silva sobe para 53,46%, ante 46,54% do adversário. Essa é a contabilidade tradicional que esconde o quanto a sociedade -- por mais ingênua e negligente que seja -- interpreta o jogo político nacional.
SOCIEDADE MANIETADA
Como se constata sempre e sempre nas eleições federais e nas eleições municipais, o Grande ABC é muito menos petista que lulista. Tanto que nas últimas eleições municipais o partido só venceu numa das sete cidades da região – a solitária Mauá, única cidadela também na Região Metropolitana de São Paulo de 39 municípios. Lulacá venceu ontem em cinco das sete cidades. Somente São Caetano e Santo André resistiram ao lulismo, e mesmo assim com votação relativamente menos expressiva.
O fracasso do PT e do lulismo no Grande ABC já foi dissecado nesta revista digital em inúmeras análises. A destruição gradativa da Economia regional em paralelismo simétrico com a perda de mobilidade social e a quebra da qualidade de vida é uma corrente permanente de infortúnios. Mas tudo é mitigado por muitas camadas do que poderia ser chamado de formadores de opinião e tomadores de decisões que jamais podem ser confundidos com sociedade organizada.
Temos uma sociedade manipulada. Insisto em levantar o estandarte dessa arrasadora constatação utilizando os 24,14% de queda do PIB Regional entre 2015 e 2016 com Dilma Rousseff. Qualquer espaço territorial ocupado por gente teria reagido duramente. Ficamos em silêncio.
CAINDO PELAS TABELAS
Toda vez que se comparar o Grande ABC com outros territórios em múltiplos indicadores, os resultados serão escandalosas. São Caetano é exceção pelas especificidades já esmiuçadas em centenas de análises.
Houvesse um mínimo de sensibilidade, o Grande ABC de Lula da Silva teria há muito tempo preparado e aplicado, em conjunto com forças da região, um receituário de recuperação econômica que o próprio PT e o mesmo lulismo ajudaram a comprometer. Mas o Grande ABC dorme como se ainda gozasse de berço esplendido de monopólio na fabricação de veículos. De quase 80% dos anos 1960, caiu para pouco mais de 10% nestes dias. E vai continuar a desabar.
Os escombros econômicos e sociais do Grande ABC estão à vista de quem não é fanático nem ruim da cabeça. Só o Bolsa Família atende a 150 mil famílias. São quase 400 mil votos. São três vezes o saldo atual de empregos indústrias com carteira assinada. A Classe Rica e a Classe Média Tradicional perdem participação relativa a cada nova jornada. Avança de forma estrondosa a Classe Média Precária, que tem um pé na pobreza. Uma Classe Média Precária com fundamentos existenciais no rebaixamento econômico da Classe Média Tradicional.
PLANO MARSHALL
O Grande ABC exigiria algo como um Plano Marshall para sair do encalacramento dos últimos 40 anos. Lulacá ficou alheio a tudo isso. E pior: o governo petista está patrocinando uma carnificina no setor automotivo que tem os predadores chineses como grandes protagonistas. O futuro que sempre chega vai provocar novas e profundas mudanças na região. Vai faltar espaço para macro favelas como a do Montanhão, em São Bernardo, gigantesco depósito de pobres e miseráveis de 120 mil habitantes. Um desenho de socialismo terceiro-mundista que rende muitos votos.
Os votos registrados ontem no Grande ABC mostram semelhanças com vários territórios nacionais. Nada surpreendente por causa da decadência econômica. O eleitorado regional de sete endereços mais distintos do que semelhantes entre si é um painel a ser observado com atenção porque retrata o que somos. A exceção em forma de qualidade de vida é mesmo São Caetano, espécie de Santa Catarina do Grande ABC. Acompanhem os resultados em cada Município da região. E entenda esse Grande ABC sem identidade própria e caudaloso em multiplicidades de perfiz estaduais.
ALAGOAS É AQUI
Como era de se esperar, Diadema foi às urnas ontem para honrar o titulo de cidadela mais lulista do Grande ABC. Forjada administrativamente por petistas e assemelhados que conseguiram a façanha de jogar no lixo a localização privilegiada em termos logísticos, Diadema degringolou ao longo dos anos. A igualdade tão difundida pelos socialistas tropicais não passa de rebaixamento coletivo e generalizado.
A maior diferença de votos registrada em Diadema entre os finalistas presidenciais é semelhante ao resultado final no Estado de Alagoas. Em Diadema, Lulacá obteve 61,04% dos votos válidos (156.935) ante 38,96% (100.154) de Flávio Bolsonaro. Do total de 268.063 eleitores, 23,12% votaram em branco (1,37%), anularam o voto (2,73%) ou se abstiveram (19,02%). No Estado de Alagoas, o resultado das urnas foi 60,77% para Lula da Silva e 39,23% para Flávio Bolsonaro.
MATO GROSSO É AQUI
O resultado mais apertado no Grande ABC coloca Ribeirão Pires com o perfil eleitoral do Estado do Mato Grosso do Sul. Do colégio eleitoral de 71.256 eleitores, 50,07% (34.096) optaram por Lulacá, enquanto 49,93% (33.994) preferiram Flávio Bolsonaro. Foram desperdiçados 21,36% dos votos totais, registrando-se 1.43% de votos em branco, 3,01% de votos nulos e 16,92 % de abstenções. No Mato Grosso do Sul, Lula da Silva obteve 50,43% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro 49,57%.
PARAÍBA É AQUI
Com quase quatro vezes mais eleitores em relação à vizinha Ribeirão Pires, num total de 250.011 votos, Mauá do prefeito petista Marcelo Oliveira garantiu 54,69% de votos (130.276) para Lulacá, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 45,31% (107.916). Um resultado semelhante ao da Paraíba, onde Lula da Silva ficou com 55,02% dos votos ante 44,98% de Flávio Bolsonaro. A soma de votos em branco (1,46%), de votos nulos (3,27%) e de abstenções (19,45%) representou 24,18% de votos desperdiçados.
SANTA CATARINA É AQUI
Mais uma vez São Caetano manteve a tradição de reduto mais conservador do Grande ABC e impôs a sexta derrota consecutiva ao PT, agora por 58,33% a 41,67% dos votos válidos. Uma diferença menos elástica do que se poderia imaginar. Mas nada que colocasse em risco a invencibilidade que vem desde 2006. Em 2002, sob os escombros da região durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o PT conseguiu 52% dos votos válidos em São Caetano. Ontem, Flavio Bolsonaro registrou 58,33% dos votos válidos (70.741) ante 41,67% (50.544) de Lulacá. O resultado se assemelha aos dados finais de Santa Catarina, onde Flavio Bolsonaro fez 57,84% dos votos válidos ante 42,16% de Lula da Silva. São Caetano conta com 126.104 eleitores cadastrados.
TOCANTINS É AQUI
O eleitorado de Santo André se assemelhou no resultado presidencial ao Estado de Tocantins. Flávio Bolsonaro venceu por margem mínima. Foram 50,29% dos votos válidos (219.136) ante 49,71% de Lulacá (216.589). A soma de votos em branco (1,30%), votos nulos (3,23%) e abstenções (20,42%) totaliza 24,95% dos inscritos. Praticamente um de cada voto de Santo André foi desperdiçado. Santo André conta com 456.367 eleitores. Em Tocantins, o resultado final das urnas foi favorável a Flávio Bolsonaro por 51,37% a 48,63%.
PARAÍBA É AQUI
A cara do eleitorado de São Bernardo é a cara do eleitorado da Paraíba. Do total de 507.988 eleitores cadastrados, 55,37% (268.963) preferiram Lulacá ante 44,63% (216.777) de Flávio Bolsonaro. Foram desperdiçados 23,30% dos votos disponíveis, dos quais 1,29% em branco, 3,08% nulos e 18,93% de abstenções. Lula da Silva contou na Paraíba com 55,02% dos votos válidos, ante 44,98% de Flávio Bolsonaro.
AMAZONAS É AQUI
Para completar, a pequena Rio Grande da Serra de 27.758 eleitores cadastrados registrou vitória de Lula da Silva com 58,01 dos votos (15.250) ante 41,99% (11.040) de Flávio Bolsonaro. A soma de votos em branco (1,74) de votos nulos (2,86%) e de abstenções (18,28%) significou o desperdício de 22,88% dos votos disponíveis .
Tenho mais a escrever sobre Lulacá e Lulacá nos próximos dias, meses e anos. É só esperar.
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23/10/2026 CARTA DE ALERTA AOS ELEITORES DA REGIÃO