Esportes

São Caetano encara Ponte Preta
com tranquilidade após reação

DANIEL LIMA - 06/06/2011

O São Caetano que joga amanhã à noite no Anacleto Campanella contra a Ponte Preta de Campinas está fora da zona de classificação incômoda, embora a Série B do Campeonato Brasileiro esteja apenas começando. A vitória de sexta-feira ante do Bragantino, em Bragança Paulista, foi muito mais importante do que o placar de 2 a 1 pode sugerir. O time de Márcio Goiano jogou um futebol que, se não sofrer avarias, acena com a possibilidade de entusiasmar mesmo os mais céticos no decorrer da competição.


A vitória já seria suficiente para aplacar os mais reticentes, mas a forma com que a equipe se conduziu foi ainda melhor. O São Caetano ainda vai mudar muito durante o campeonato, porque a competição é longa, mas provavelmente não mudará tanto de um jogo para outro, de forma positiva, como em apenas uma semana, ao sair de uma derrota em casa para o Ituiutaba e vencer um tradicional e indigesto adversário fora de casa.


Até mesmo a escalação de dois centroavantes, casos de Nunes e Eduardo, não flertou com suicídio tático de Márcio Goiano. Primeiro porque eles se doaram o tempo todo, revezando-se como primeiro e segundo atacantes. Segundo porque criaram transtornos ao sistema 3-5-2 do Bragantino, ao disputarem cada palmo de terreno e de bola aérea com os três zagueiros de elevada estatura. Com isso, obrigaram o Bragantino a manter um volante fixo e também a deixar espaços livres para os meias-atacantes Fernandes e Ailton.


O São Caetano jogou no 4-4-2 com variável ao 4-2-2-2, contando com apoio constante dos laterais Arthur e Diego (que estreou muito bem), com dois volantes (Ricardo Conceição e Augusto Recife) mais preocupados em guardar posição, com dois meias (Ailton e Fernandes, que voltou após longa recuperação) em estado de graça, movimentando-se o tempo todo e temperando velocidade com cadência na medida exata, e os dois atacantes mais avançados.


A transformação tática e de ânimo do São Caetano em uma semana chega a ser inacreditável. Aquele time que venceu em Bragança não guarda qualquer relação com o da derrota em casa para o time mineiro. E olhe que estou esquecendo de destacar que a dupla defensiva interna, Eli Sabiá e Anderson Marques, portou-se muito melhor que Eli Sabiá e Thiago Martinelli. E explico: há complementaridade mais rentável de Eli Sabiá e Anderson entre outras razões porque Eli Sabiá joga onde está acostumado, pela direita, e Anderson Marques tem mais eficiência na antecipação, no jogo pesado, na bola dividida, que o mais técnico Thiago Martinelli.


Ganhar do Bragantino fora de casa é algo excepcional num campeonato tão disputado, porque o time de Marcelo Veiga joga duro, é matreiro, não entrega a rapadura jamais. O Azulão ganhou porque teve mais personalidade, mais qualidade técnica e mais organização tática.


Embora ainda longe do ideal — nem poderia ser diferente porque se está apenas começando uma disputa — o São Caetano mostrou determinação à compactação dos três compartimentos, deixando menos espaços entre a defesa e o meio de campo e entre o meio de campo e o ataque.


Somente nos últimos 15 minutos, diante de um adversário que foi para tudo ou nada, houve desarranjos à frente da área. Foi aí que o São Caetano cometeu excesso de faltas frontais.


O retorno de Fernandes é muito mais que um sopro de esperança de que o São Caetano encontrou ou reencontrou um meia-atacante pela esquerda que dá dinamismo à equipe e se oferece solidariamente tanto na marcação ao lateral/ala adversário quanto na projeção ao ataque. Fernandes é a certeza de que a mobilidade e a intensidade de seu futebol permitirão, como permitiram na sexta-feira, um alívio na marcação sobre Ailton, o que, em suma, levará o São Caetano cada vez mais próximo da área adversária.


A Ponte Preta é uma grande oportunidade para o São Caetano provar que está em evolução, ou seja, que o rendimento em Bragança Paulista não foi sazonal. Trata-se de um jogo em que cuidado e ousadia precisam conviver, porque o time de Campinas é especialista em atrair o adversário para contragolpear. Entretanto, deixa-ser levar pelo medo de não cometer deslizes é abandonar a fome de vitória.


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