Esportes

Perderam o respeito pelo Ramalhão,
e isso é bem pior que rebaixamento

DANIEL LIMA - 10/08/2011

Quem diria que algum dia o Ramalhão viraria motivo de desdém em plena Série C do Campeonato Brasileiro? Desdém sim, porque o que ouvi domingo numa emissora de Joinville, via Internet, foi o bastante para, sem acompanhar os jogos do Santo André, mas também com base em outras fontes, concluir que o rebaixamento à Série D é um caminho natural. E que tudo precisa ser feito para evitar novo vexame, embora nem eventual novo mergulho na hierarquia do futebol brasileiro altere a realidade. E a realidade é que a administração do Saged (Santo André Gestão Empresarial e Desportiva) é um desastre sem limites de agravamento após quatro anos de constantes fracassos.


Por razões óbvias, de selecionar os jogos de futebol que mais agregam valor às informações que julgo importante reunir, não tenho visto os jogos do Santo André. Como a Série C é quarto de despejos de emissoras de televisão, não resta saída senão acompanhar os resultados e os relatos sempre parcos do noticiário esportivo. O jornalismo impresso e digital cobre mal e porcamente a Série C. Na maioria dos casos, apenas registra os jogos realizados. Quando muito, repassam algumas informações superficiais.


Saber como foi o desempenho técnico e tático do Ramalhão a cada jogo na Série C do Campeonato Brasileiro é operação de guerra. Tenho algumas fontes locais. Mas fontes para traduzir jogos são confiáveis até determinada página. Nada melhor do que os olhos do crítico.


Chego à conclusão temporária, que espero superada nas próximas rodadas, de que o Santo André é um time sem futuro algum na competição, estando-lhe reservado provavelmente um novo rebaixamento.


Decidi ouvir em meu computador residencial uma parte da transmissão do jogo de domingo diante do Joinville, em Santa Catarina. Tive a ideia ao final do primeiro tempo do jogo que acompanhava na TV Globo, entre Atlético Paranaense e Corinthians. Subi ao escritório domiciliar e graças ao prodígio desse mundo tecnologicamente fantástico, sintonizei a Rádio Cultura de Joinville. O jogo também estava no intervalo. Zero a zero no placar.


O comentarista da emissora catarinense discorria sobre o primeiro tempo com fluência, como é comum entre os adoradores das latinhas. Tinha substância. Analisava taticamente o empate com serenidade. Fundamentava o domínio do time da casa. Dizia que o Santo André estava completamente entregue porque lhe faltava combustível ofensivo, agravado pela inoperância coletiva. O Ramalhão jogava apenas para não perder.


É claro que sempre desconfio de analistas locais. Eles costumam desclassificar os adversários. Só veem um time em campo. Aliás, a maioria dos analistas, mesmo das grandes emissoras de radio e de televisão, só observam um time em campo quando há confrontos entre grandes e médios ou grandes e pequenos. Quando jogam grandes versus grandes fazem contorcionismos circenses para manterem-se de bem com ouvintes e telespectadores dos dois lados da paixão. Falam eles tão mal de políticos que não fazem outra coisa senão tentar agradar o eleitorado, ou melhor, os ouvintes e telespectadores.


Se tinha dúvidas sobre a fidelidade das informações do comentarista da Radio Cultura de Joinville, uma entrevista com o técnico Rotta, do Ramalhão, antes que o segundo tempo se iniciasse, foi providencial. O treinador lamentava o péssimo futebol da equipe no primeiro tempo, a dificuldade de incomodar ofensivamente o adversário e a expectativa de melhora nos 45 minutos finais.


Voltei à sala para acompanhar o segundo tempo de Atlético Paranaense e Corinthians. Somente quase ao final do jogo, quando dois paranaenses bateram literalmente as cabeças numa jogada aérea, e enquanto o árbitro interrompia a disputa para atendimento médico, retornei ao escritório. O resultado foi anunciado pelo locutor. O Joinville vencia por 2 a 0.


Retornei à televisão. Terminado o jogo que retirou provisoriamente a liderança do Corinthians, voltei ao computador e à Rádio Cultura. O comentarista já havia dado conta do recado, mas ainda sobrou tempo para ouvir o técnico adversário, Arthurzinho. Ele foi educado, cuidadoso, comedido, mas era impossível não captar nas entrelinhas que esperava um adversário mais robusto, mais inquietante. O histórico do Ramalhão, até outro dia integrante da Série A do Campeonato Brasileiro, até outro dia vice-campeão paulista, ainda outro dia campeão da Copa do Brasil, evoca certos cuidados, mesmo quando se vê numa Terceira Divisão nacional.


O que ouvi do cuidadoso Arthurzinho foi algo depreciativo. O Santo André lhe causou generosa decepção. Quando um técnico admite que o time adversário não lhe causou maiores embaraços, contrastando com sua expectativa, não é preciso dizer mais nada.


Tudo, infelizmente, convergindo para as informações locais. O Ramalhão não tem futuro na Série C, exceto correr muito para tentar escapar de novo rebaixamento.


A corda no pescoço do Caxias, último colocado do Grupo D, é uma ilusão de ótica. O time gaúcho disputou um jogo a menos que o Ramalhão, atuou apenas uma vez em casa e, para pior a situação, vai jogar com a força de sua torcida contra a equipe do Grande ABC no segundo turno, numa eventual luta para fugir da degola. O último colocado vai direto para a Série D.


O Ramalhão está louco para regredir no analfabetismo do futebol. Da Série A para a Série B da Série B para a Série C e da Série C para a Série D.


Leiam também:


Embalado por prefeito, Azulão domina Goiás e ganha de virada


Leia mais matérias desta seção: Esportes

Total de 992 matérias | Página 1

14/10/2025 SANTO ANDRÉ ANTECIPOU SAFIEL DO CORINTHIANS
03/07/2025 LIVOLIS ILUMINA PRESENTE PARA PAULINHO BRILHAR
14/05/2025 SANTO ANDRÉ JOGA TUDO PARA SALVAR O FUTURO
08/05/2025 POSSE DE BOLA DISSUASIVA: VOCÊ SABE O QUE É ISSO?
11/03/2025 SÃO BERNARDO VALE MAIS QUE SANTO ANDRÉ
28/02/2025 MARCELO LIMA QUER FUTEBOL NA CIDADE
15/08/2024 Ramalhão prioriza SAF para barrar decadência
05/08/2024 Conselho da Salvação para o Santo André
26/07/2024 Futuro do Santo André entre o céu e o inferno
28/06/2024 Vinte anos depois, o que resta do Sansão regional?
11/03/2024 Santo André menos ruim que Santo André. Entenda
05/03/2024 Risco do Santo André cair é tudo isso mesmo?
01/03/2024 Só um milagre salva o Santo André da queda
29/02/2024 Santo André pode cair no submundo do futebol
23/02/2024 Santo André vai mesmo para a Segunda Divisão?
22/02/2024 Qual é o valor da torcida invisível de nossos times?
13/02/2024 O que o Santo André precisa para fugir do rebaixamento?
19/12/2023 Ano que vem do Santo André começou em 2004
15/12/2023 Santo André reage com “Esta é minha camisa”