Apesar da morosidade do técnico Márcio Araújo, o São Caetano estreou com vitória na Série A do Campeonato Paulista ontem à noite no Estádio Anacleto Campanella. Depois de um primeiro tempo em que controlou taticamente o adversário, marcou um gol e perdeu pelo menos três outras grandes oportunidades, o São Caetano caiu fisicamente pela tabela no segundo tempo sob olhares complacentes do técnico que só efetivou uma das três alterações possíveis e necessárias por conta do início da temporada -- e mesmo assim equivocadamente e ao final do jogo.
Márcio Araújo ajudou a salvar o São Caetano do rebaixamento à Série C do Campeonato Brasileiro do ano passado, parece um homem abençoado mas exagera na sorte. É impossível (ou não seria impossível no caso dele?) incidir persistentemente em erros de avaliação, principalmente durante quase todos os jogos.
Ver a Ponte Preta tomar conta do jogo durante um tempo inteiro e seguir impassível à beira do campo é exceder-se em generosidade ao adversário. A pressão só não foi traduzida em pelo menos um gol porque o sistema defensivo do São Caetano fez das tripas coração para se safar, a trave ajudou e os atacantes da Ponte Preta pareciam não acreditar no que viam.
Dois tempos diferentes
Uma pena que o São Caetano de Márcio Araújo tenha se comportado de maneira tão radicalmente oposta nos dois tempos. O primeiro tempo foi de completo domínio tático, embora a Ponte Preta chegasse até mesmo a ter maior volume de jogo. A boa notícia do primeiro tempo, a melhor de todas, é que o São Caetano parece, finalmente, ter descoberto uma grande qualidade para a temporada, algo que faltou durante todo o ano passado: uma capacidade imensa de defender-se bem sem fragilizar o sistema ofensivo.
Os contragolpes foram mortais, mesmo com o time ainda acusando as dores de um início de temporada de baixa mobilidade física e de entrosamento comprometido com novos titulares. Um preço a pagar pela reformulação parcial do elenco, mas cuja rentabilidade pode ser compensadora.
Márcio Araújo moldou o São Caetano num 4-3-2-1 ainda pouco mobilizador, mas de boas perspectivas. Com praticamente os mesmos zagueiros do ano passado (Só Diego é novidade como titular, embora constasse do grupo da temporada passada), o meio de campo ganhou mais força de marcação com a manutenção de Augusto Recife, o retorno de Moradei, então no Corinthians, e a contratação de Anselmo, esculpido nas equipes de base do Palmeiras. Geovane e Marcelo Costa articularam os ataques e contragolpes para um centroavante Betinho sempre disposto a atrapalhar os zagueiros. Anselmo conseguiu se desdobrar também na articulação. Chutou três vezes a gol com perigo.
Foi assim, com um time só aparentemente retrancado, que o São Caetano foi minando a resistência de uma Ponte Preta mais ofensiva. O time campineiro, que vai disputar este ano a Série A do Campeonato Brasileiro, reforçou-se para a temporada. É um dos potenciais classificados aos mata-matas do Campeonato Paulista. Um teste especialmente produtivo para o sistema de contragolpe do São Caetano.
Só uma alteração
O técnico Márcio Araújo deixou de levar tudo isso em consideração no segundo tempo, quando viu a Ponte Preta ocupar todos os espaços e assistiu passivamente as alterações técnicas e táticas do adversário, que substituiu três jogadores desgastados antes que se completassem 25 minutos. Anselmo, o melhor em campo no primeiro tempo, Marcelo Costa e Betinho estavam exaustos, mas Márcio Araújo preferiu substituir um Geovane fomentador de contra-ataques. Fez uma única mudança e mesmo assim equivocadamente.
Os três pontos conquistados pelo São Caetano ante um antigo freguês de caderneta (a Ponte Preta só venceu o Azulão em seis dos 31 jogos disputados até agora ao longo da história) são muito importantes numa competição em que equipes médias precisam em primeiro plano escapar da ameaça de rebaixamento e, em seguida, lutar por uma das oito vagas classificatórias. Mas que Márcio Araújo abusa da sorte, não resta dúvida.
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