O técnico Márcio Araújo sofreu nova recaída ontem à tarde no Estádio Anacleto Campanella. O empate de
O que Márcio Araújo proporcionou de barbeiragem ontem seria o equivalente ao técnico Tite, num clássico, substituir um Douglas em tarde inspirada por um zagueiro reserva, Wallace, que se juntaria a Chicão e a Leandro Castán no meio da zaga ou se adiantaria um pouco à frente da zaga. Ou que um Valdívia em tarde relativamente genial fosse trocado por um zagueiro no Palmeiras apenas para sustentar uma vantagem escassa. No mínimo, Márcio Araújo foi temerário na mudança. A tendência em situações semelhantes é de o adversário encontrar o caminho das redes.
A psicologia do futebol é cortante: quando uma equipe percebe que a adversária, mesmo em casa, desistiu de atacar, ou que pretende confessadamente apenas contragolpear, o nível de respeito se esfarela. O Mirassol perdeu o respeito pelo São Caetano nos últimos 15 minutos.
Não fosse a derrapagem de Márcio Araújo possivelmente o São Caetano conseguiria uma vitória depois de seis jogos. Está certo que as dificuldades aumentavam, que o Mirassol apertava a marcação e seguia construindo ataques principalmente pelo setor esquerdo, onde o lateral/ala William Simões não encontrava barreiras, mas a substituição reforçou ainda mais o risco. Era preciso mexer pelo menos numa peça, no atacante Isael, já esgotado fisicamente e principalmente porque não tem habilidade para reter a bola coletivamente. Seria melhor e mais indicada opção um jogador menos ofensivo, mais técnico, capaz de impedir os avanços do lateral/ala esquerdo do Mirassol e de aumentar o tempo de posse de bola. Estaria interrompido o circuito por onde o adversário ameaçava constantemente.
Fechando os espaços
A escolha de Márcio Araújo foi um desastre e com isso proporcionou que o bom rendimento do São Caetano durante boa parte do jogo fosse maculado por conta da perda de dois pontos mais que certos. Ailton, o meia-articulador que deixou o campo bem antes da hora, foi o cérebro de um time que encontrou muitas dificuldades no primeiro tempo porque o Mirassol adotou rígida marcação no meio de campo, com três volantes, dois meias e apenas um atacante mais solto. O São Caetano só encontrava espaços nos avanços do lateral/ala Vicente, mas mesmo assim com muito empenho. O cerco à frente dos zagueiros do Mirassol era monolítico. O São Caetano não tinha paciência para troca de passes. A bola poderia girar mais tempo até encontrar um atalho.
O encaminhamento para um empate sem gols no primeiro tempo parecia inevitável até que Eli Sabiá interrompeu um ataque do Mirassol e passou imediatamente para Airton no meio de campo: o lançamento verticalizado e rasteiro em direção à grande área foi deslocado com categoria por Geovane para um Marcelo Costa que entrou nas costas do zagueiro, driblou o goleiro e chutou com precisão.
Mais ofensivo
Como era de se esperar, o Mirassol de Ivan Baitello, ex-auxiliar e técnico interino do São Caetano durante vários anos, voltou mais ofensivo. Vitor Dourado tomou o lugar do volante Sérgio Manoel e deu mais velocidade e opções ofensivas. Principalmente quando se deslocava à esquerda, em combinação com o lateral/ala William Simões. O empate logo aos dois minutos deve ser atribuído a erro do árbitro Guilherme Cereta de Lima. Ele viu infração do lateral Marcone
Não demorou mais de três minutos para o São Caetano voltar à vantagem no placar. E tudo começou nos pés de Airton, que fez novo passe vertical para a penetração no espaço vazio de Isael, deslocado pela esquerda. O cruzamento rasteiro encontrou o sempre letal Marcelo Costa, que fechava na pequena área. O Mirassol voltou a tomar a iniciativa do jogo, mas expunha-se defensivamente. Um prato cheio para a habilidade de Ailton. O meia que desta vez ocupava espaços mais à esquerda, sua especialidade, soube encontrar o caminho para dar agudeza aos contragolpes. Já no primeiro tempo, quando o setor de meio de campo estava congestionado, Ailton resolveu recuar um pouco e armar a equipe a partir da linha intermediária. Foi assim que o São Caetano melhorou. Marcelo Costa, Geovane e Isael estavam sempre atentos aos lançamentos e incomodavam o posicionamento dos zagueiros do Mirassol.
Aos 30 minutos do segundo tempo o técnico Márcio Araújo fez a opção errada e levou todo o time do Mirassol ao campo defensivo do São Caetano. Resistir seria uma proeza. Aos 43 minutos Augusto Recife fez um pênalti desnecessário em Henrique Dias, que Xuxa converteu. Depois de empatar com o Palmeiras no Pacaembu o São Caetano voltou à antiga síndrome de apequenar-se ante equipes de menor expressão. Márcio Araújo colaborou intensamente para isso.
Total de 992 matérias | Página 1
14/10/2025 SANTO ANDRÉ ANTECIPOU SAFIEL DO CORINTHIANS