A derrota do São Caetano para o Guarani sábado no Estádio Anacleto Campanella por 2 a 1 de virada pode ajudar a equipe a recolocar os pés no chão já a partir desta terça-feira ante o ASA de Arapiraca, nas Alagoas. Menos mal que a derrota não retirou a equipe do G-4, o grupo de quatro equipes que vão disputar a Série A do Campeonato Brasileiro do ano que vem. Mas para se dar bem na atual Série B, os pés no chão podem fazer mesmo a diferença.
Nos últimos jogos o time de Sérgio Guedes dava a impressão de que parecia acreditar na força do Sobrenatural da Silva para sustentar uma invencibilidade que durou 16 jogos. Foram os chutes certeiros do veterano Fumagalli, que entrou em campo sábado depois de quatro meses de afastamento por causa de contusão, que deram provável susto terapêutico no Azulão. O susto de que para chegar ao Acesso somente o melhor sistema defensivo não oferece nenhuma garantia.
Como tratar, então, de dar uma guinada na competição, melhorando a artilharia ofensiva? Não vai ter jeito senão dar mais liberdade aos laterais, soltar um dos volantes com mais frequência, manter Pedro Carmona como articulador com poder de agressividade, substituir o incansável mas persistentemente dispersivo Danielzinho e exigir que o centroavante, seja Leandrão, seja Somália, não fuja demais da zona de ataque, porque a função de marcação no meio de campo e até na defesa não é apropriada a quem sabe fazer gols mas está sempre disposto a cometer infrações. Caso do pênalti de Leandrão no volante Ademir Sopa, que originou o gol de empate do Guarani.
Goste-se ou não, e a deficiência vem sendo apontada há muito tempo, corroborada por estatísticas que não costumam mentir, o São Caetano precisa dar um jeito de equilibrar a eficiência defensiva com maior produtividade ofensiva. Os 25 gols marcados até agora no campeonato estão abaixo das três equipes que lhe são superiores na classificação e de outras seis que estão abaixo – além de quatro que empatam no critério.
Ajustes ofensivos
O jogo com o Guarani foi apenas mais um em que a equipe deu sinais de baixa competência ofensiva. Mesmo com o equilíbrio do primeiro tempo, foram poucas as oportunidades criadas antes e depois do gol de Eder aos 18 minutos quando, ao receber de Diego, fez um corte espetacular no marcador e chutou no canto oposto. Até ali o jogo estava igual e assim continuou por todo o primeiro tempo. O São Caetano dependia demais do avanço dos laterais Samuel Xavier e Diego, que não decepcionavam, mas esbarrava numa marcação cerrada do Guarani, com três volantes e sempre pronto para tomar a iniciativa pelas laterais.
O São Caetano poderia ter colocado a vantagem sob maior segurança se Danielzinho não decepcionasse em dois rápidos contragolpes. O atacante parece ter aversão a balançar as redes. Prefere sempre o pior caminho – e sempre se dá mal. Sem contar que não mantém um diálogo técnico dos mais brilhantes. Danielzinho é mesmo uma espécie de gladiador numa função em que, principalmente em jogos em casa, a exigência é de instrumentista refinado.
O segundo tempo mostrou um Guarani muito mais combativo, mais participativo e mais veloz. O São Caetano foi ainda mais moroso nos contragolpes, deixou de explorar os laterais agora mais bem marcados, isolou o centroavante Leandrão e perdeu o fôlego de Pedro Carmona. Os volantes Moradei e Augusto Recife não conseguiam deixar as funções exclusivamente defensivas enquanto a movimentação mais intensa dos atacantes de Campinas, Schwuenk e Rafael Oliveira, passou a contar com infiltrações mais constantes dos meias, dos laterais e até dos volantes. Com recomposição sempre lenta e longe da compactação de outros jogos, o sistema defensivo do São Caetano sofria constante assédio.
Sabor especial
Estava claro que o empate era questão de tempo porque aos poucos o Guarani ia acumulando estocadas. Aos 17 minutos um escanteio rebatido terminou com o deslocamento de Ademir Sopa por Leandrão. Pênalti que Fumagalli bateu com a classe de sempre. O mesmo Fumagalli, que entrara exatamente para a cobrança do pênalti, bateu uma falta rente à lateral-direita do São Caetano, e colocou na pequena área na cabeça do zagueiro Rodrigo Arroz, que pegou Luiz no contrapé. Eram 39 minutos. O Guarani estava com 10 jogadores após a expulsão de Rafael Oliveira e o São Caetano já fizera três mudanças que diminuíram ainda mais a força coletiva sem acrescentar melhora individual: Somália substituiu Leandrão, Geovane a Pedro Carmona e Vandinho a Danielzinho. Sem articulação, o time de Sérgio Guedes insistiu em bolas compridas ante um adversário sempre bem postado defensivamente.
O fim da invencibilidade de 16 jogos devolve o São Caetano ao planeta da Série B, uma competição que exige regularidade para quem quer subir e regularidade pressupõe preparo psicológico tanto para quem está fora do G-4 como quem está dentro. Talvez o São Caetano tenha se deslumbrado com o terceiro lugar e se esquecido que a competição tem muito de gangorra. Ganhar do ASA fora de casa será uma grande prova de poder de recuperação com sabor especial, porque o adversário o surpreendeu na abertura do campeonato em São Caetano.
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