O São Caetano poderia ter alcançado uma folga mesmo que mínima na classificação da Série B do Campeonato Brasileiro na luta com o Atlético Paranaense pela última vaga à Série A do ano que vem. A diferença de um ponto favorável ao time do Paraná poderia ter sido revertida ao faltarem apenas seis rodadas para o encerramento da competição. O Atlético só empatou em casa com o Guarani por 1 a 1 num jogo encerrado às 17h, enquanto o São Caetano, que enfrentou o lanterninha Ipatinga no Estádio Anacleto Campanella, a partir das 19h30, acabou surpreendido com empate também de 1 a 1. É evidente que as duas equipes estão com os nervos à flor da pele e que o fator emocional deverá prevalecer nas rodadas que restam.
Apenas a rodada deste final de semana separa o confronto direto entre São Caetano e Atlético Paranaense, programado para o sábado seguinte no Estádio Anacleto Campanella. A perspectiva de que o São Caetano poderá assumir a quarta vaga em caso de vitória no confronto direto ainda corre risco. Os jogos deste final de semana favorecem a possibilidade de o Atlético abrir quatro pontos de dianteira, porque enfrenta o Guaratinguetá em casa e o São Caetano vai a Salvador enfrentar o praticamente classificado Vitória. Como tem duas vitórias a menos que os paranaenses, o São Caetano só assumirá a quarta vaga quando faltarem quatro rodadas para o final, ou seja, após o jogo com o Atlético, se ficar no máximo dois pontos abaixo do adversário após a próxima rodada.
Oportunidades perdidas
O empate de ontem à noite mostrou um São Caetano dualístico: teve pouca inspiração coletiva, voltou a cometer falhas de organização tática mas mesmo assim construiu oportunidades de gols que poderiam fazer a diferença. Já o Ipatinga atuou muito acima do que inspiraria a lanterninha no campeonato: foi um time mais organizado ofensivamente, teve personalidade para revezar-se no controle do jogo e também criou boas oportunidades. Nem parecia o confronto de equipes que ocupam posições antagônicas na classificação. Possivelmente o burburinho que dava conta de que o Atlético Paranaense lubrificou a engrenagem motivacional dos mineiros não era infundado. Nessa reta de chegada a mala branca é objeto de adoração.
O que mais preocupa no desempenho do São Caetano é a filosofia do técnico Emerson Leão. Contra o Ipatinga o treinador voltou a improvisar Augusto Recife na lateral-direita, ante a ausência por contusão do titular Samuel Xavier. O experimento não foi desastroso como das outras vezes, mas ficou distante do necessário. Augusto Recife não tem velocidade e técnica específica para exercer a função. Muito menos vivência tática. As funções de volante e de lateral são diferentes demais para se acreditar que possam ser exercidas com a mesma qualidade. É preciso muito treinamento para adaptação. Não é o caso de Augusto Recife.
Tanto não é o caso que o gol marcado por Rogélio aos 26 minutos do primeiro tempo, num fulminante contragolpe do Ipatinga, teve a marca da ausência de Augusto Recife na cobertura defensiva pela direita. A jogada adversária foi fulminante, à centro-direita do ataque, e colheu o centroavante às costas dos zagueiros de área. Fosse treinado e adaptado como lateral, Augusto Recife estaria mais recuado, fechando em diagonal, e não adiante, apenas observando, como volante.
O São Caetano sofreu o gol quando mais tinha o controle do jogo. Danielzinho e Leandrão perderam gols praticamente certos. A desvantagem intranquilizou a equipe já ansiosa demais com a perspectiva de chegar ao quarto lugar, por isso quase sofreu o segundo gol logo depois, agora com Leandro Brasília.
Tudo ou nada
Emerson Leão foi para o tudo ou nada no segundo tempo ao substituir Danielzinho contundido e o volante Marcone. Entraram Geovane, muito melhor na condução da bola e nas infiltrações que todos os demais titulares, e Luciano Mandi, ainda sem ritmo de jogo.
Como no começo do primeiro tempo, o São Caetano foi todo à frente e poderia ter empatado com Geovane logo aos quatro minutos, num chute no canto que o goleiro desviou com os pés. Logo depois, aos seis, o zagueiro Wagner empatou depois de um bate-rebate na área que começou com cruzamento de Eder, desvio de um zagueiro e cabeceio do avançado Eli Sabiá.
O empate animou o São Caetano que apertou a marcação, pressionou a saída de bola e impôs a autoridade de time mandante. Mas não demorou mais que 15, 20 minutos, para a equipe perder a intensidade. Ainda houve tempo para um ataque perigoso do adversário e um contragolpe fulminante com Somália, que substituiu a Leandrão, mas o empate acabou por prevalecer. O Ipatinga saiu comemorando um resultado que não altera praticamente nada a parte inferior da tabela, com o iminente rebaixamento. Nada mais indicativo de que havia dinheiro de mala branca disponível em alguma conta bancária.
Por essas e por outras prognósticos na reta final da Série B não podem seguir a lógica ortodoxa da classificação dos competidores como medida de potencialidade nos gramados. Equipes praticamente sem horizontes na competição são anabolizadas no sentido de que só têm a ganhar enquanto os adversários sofrem ante a pressão por vitória a qualquer custo.
O Guaratinguetá que enfrenta o Atlético Paranaense neste sábado saiu da zona de rebaixamento depois de vencer o ABC de Natal, mas pode voltar para o agrupamento dos desesperados se perder e o Bragantino, primeiro entre os integrantes do chamado Z-4, vencer o ASA na rodada. Já o Vitória, adversário do São Caetano, está a um ponto do líder Criciúma e tem como questão de honra conquistar o título da competição. No ano passado, à beira do rebaixamento na penúltima rodada, o São Caetano virou o jogo no Barradão por 2 a 1 e praticamente afundou o adversário então prestes a comemorar o acesso, mantendo-o na Série B.
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