Esportes

Reestruturação tática dá sinais
de evolução no São Caetano

DANIEL LIMA - 28/01/2013

O segundo jogo do São Caetano na Série A do Campeonato Paulista, sábado último ante o Oeste de Itápolis, em São Carlos, sinalizou que as mudanças do técnico Ailton Silva começam a dar resultado. Contrariamente ao lugar-comum de que o São Caetano é um time pronto herdado da Série B do Campeonato Brasileiro do ano passado, há modificações em execução.


 


O empate de 1 a 1 com o Oeste levou a equipe a somar quatro pontos em dois jogos (fora de casa), o que é um bom começo de competição para quem quer chegar ao final da fase classificatória ocupando o G-8, o grupo das equipes que disputarão as quartas-de-final. Há novidades dentro de campo em relação ao time que jogou a maioria das partidas do segundo turno da Série B do Brasileiro. Pelo menos seis novos jogadores estiveram em campo em São Carlos: o goleiro Fábio (substituiu o contundido Luiz), o zagueiro Eli Sabiá (substituiu o também contundido Wagner), o lateral-esquerdo Fernandinho (contratado como reforço), o volante Leandro Carvalho (contratado como reforço e que ocupa o lugar de Augusto Recife, que se transferiu para o Joinville), o meia de articulação Pirão (contratado como reforço e que substitui o contundido Pedro Carmona) e o atacante Vandinho (que ficou no banco de reservas ou mesmo fora de jogo durante a maior parte dos jogos no ano passado). Isso tudo sem falar de Jobson, reforço de peso contratado junto ao Botafogo do Rio e que sábado estreou ao entrar aos 19 minutos do segundo tempo.


 


Com tantas alterações individuais, o conjunto acaba sofrendo as consequências. Mas há indicativos de que os reforços vão dar mais força ao São Caetano. Leandro Carvalho é um volante com maior capacidade de apoio e penetração que o combativo Augusto Recife. Jobson se somará ao experiente Rivaldo, pentacampeão do mundo, como opção ofensiva que evocará mais cuidados dos adversários. Fernandinho é um lateral ofensivo, Pirão um versátil ala que também atua no meio de campo e o goleiro Fábio deixou a reserva para dar mais segurança nas bolas aéreas. Ou seja, o São Caetano potencialmente é melhor que o da temporada passada.


 


Sistema definido


 


A mudança mais significativa na estrutura da equipe é a adoção do sistema 4-2-2-2, utilizado sem muita convicção em jogos do ano passado. O centroavante convencional que atua como pivô foi banido como prioridade pelo técnico Ailton Silva. Tanto que Somália voltou para o Rio de Janeiro e Leandrão foi liberado para jogar pelo Rio Branco de Americana. Com isso, nos dois primeiros jogos na Série A do Paulista, Danielzinho e Vandinho formaram a dupla de ataque, movimentando-se dentro e fora da área. Jobson não é diferente deles. Eduardo, que volta do futebol estrangeiro, e o jovem Jô, 1,94 metro de altura, são as alternativas de pivô centralizado, provavelmente a serem utilizados em momentos específicos. Tudo indica que o São Caetano tem propensão a ser um time com maior mobilidade.


 


E foi ante um adversário de muita mobilidade e campeão da Série C do Campeonato Brasileiro do ano passado que o São Caetano enfrentou dificuldades em São Carlos. O Oeste do técnico Luiz Carlos Martins esmerou-se em jogadas de aproximação, em triangulações laterais e centrais, em marcação cerrada e em ofensividade. Organizado e entrosado, o time de Itápolis compensa limitações individuais com conjunto azeitadíssimo.


 


Quando o São Caetano chegar ao nível coletivo do Oeste, em que as jogadas fluem com automatismo, velocidade, coesão, os adversários deverão sofrer as consequências. Por isso, chegar entre os oito primeiros colocados pode ser muito importante para a equipe entrar na Série B do Brasileiro desta temporada com vantagens comparativas ante a maioria dos adversários.


 


O time que Ailton Silva escalou no Interior sofreu as consequências do maior entrosamento do Oeste, mas não passou sufoco para voltar com o empate. Poderia até ter vencido, assim como poderia ter perdido. Os lances capitais foram poucos mas suficientes para que as duas equipes se dessem por satisfeitas pelo resultado final. O Oeste marcou primeiro aos 14 minutos, quando dominava o jogo e aproveitou um rebote de escanteio para abrir o placar. O zagueiro Dezinho subiu ao campo ofensivo para tentar um gol de cabeça e acabou por fazê-lo num chute forte, de fora da área, rasante, no canto. O São Caetano melhorou, avançou e chegou ao empate aos 24 minutos, também após escanteio: Danielzinho subiu entre os zagueiros, na pequena área, e desviou levemente de cabeça.


 


Virtudes e deficiências


 


As maiores virtudes do São Caetano foram a determinação na redução de espaços às penetrações curtas do adversário, bloqueando a entrada da área e esforçando-se pelas laterais, além da observação aguda do treinador Ailton Silva que soube dar mais força à equipe com as substituições no segundo tempo. Marcone deu mais consistência defensiva que Pirão e Jobson mais dinamismo ofensivo que Vandinho. Jobson ainda está fora de forma, mas fez o suficiente para verticalizar as jogadas e quase desempatou o jogo um minuto após pisar no gramado: recebeu em diagonal um lançamento perfeito de Fernandinho mas, por falta de ritmo, deixou a bolha lhe escapar ao controle, do que se aproveitou o goleiro adversário para saída providencial.


 


O São Caetano tem problemas a superar, além da falta de entrosamento que as mudanças individuais provocam. A equipe se excedeu em infrações desnecessárias na entrada da área, saiu com muita precipitação ao ataque, esquecendo-se que o meio de campo é o caminho mais inteligente para chegar com qualidade na última linha do adversário. Além disso, descuidou-se demais dos avanços do lateral/ala esquerdo Jefferson, e depois de seu substituto Samuel, que inclusive acertou uma cabeçada na trave no final do jogo. Também durante quase todo o primeiro tempo prendeu-se demais a ocupar o lado esquerdo do campo, onde Pirão e Ailton preferiram dividir os espaços. O deslocamento de Ailton à direita deu um pouco mais de equilíbrio no posicionamento da equipe.


 


A projeção para as próximas rodadas é de um São Caetano mais organizado, porque entrosamento vem aos poucos, o preparo físico de começo de temporada avança e o ritmo de jogo também acabará sendo apurado. Embora disponha de condições de nuances táticas, tudo indica que o sistema 4-2-2-2 será a base da equipe na competição, com Rivaldo e Jobson provavelmente como titulares. O primeiro como parceiro de Pedro Carmona e o segundo ao lado de Danielzinho. Só será preciso definir melhor ocupação do espaço ofensivo à direita, já que Danielzinho vai muito bem à esquerda do ataque. 


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