Esportes

São Caetano muda de perfil, vence
Atlético-GO e melhora perspectiva

DANIEL LIMA - 05/06/2013

O São Caetano mudou da água da força bruta para o vinho da organização tática mais talentosa e venceu o Atlético Goianiense ontem à noite no Estádio Anacleto Campanella pela Série B do Campeonato Brasileiro. O resultado de 4 a 2 retrata o jogo: muita disposição coletiva de balançar as redes. O São Caetano viveu momentos de euforia e de preocupação, porque chegou a vencer de 2 a 0 e sofreu empate no começo do segundo tempo. O placar coloca a equipe na décima posição, a quatro pontos do G-4 mas a apenas um ponto da precocemente chamada zona de rebaixamento. 


 


O perfil do técnico Marcelo Veiga, remetido a esquema fechado, principalmente o 3-5-2, sofreu reviravolta ontem à noite. Ele abandonou experiências de jogos anteriores (um 3-5-2 híbrido em que o volante Leandro Carvalho se transforma em terceiro zagueiro e um 4-2-2-2 com dois atacantes, dois meias e dois volantes) e levou a campo o mais equilibrado 4-2-3-1 de viés ofensivo. Uma composição tática que, para funcionar bem, dispensa o atacante Danielzinho, que ficou no banco de reservas. Com Danilo Bueno, Renato Ribeiro e Geovane à frente dos volantes Leandro Carvalho e Pirão, e com Jael atuando mais enfiado, como pivô, o São Caetano trocou os passes longos e previsíveis dos jogos anteriores pela valorização da posse de bola, dos deslocamentos, das infiltrações por aproximação.


 


Da mesma forma que o São Caetano surpreendeu o vice-campeão goiano com dois gols nos primeiros 11 minutos do primeiro tempo, o adversário reagiu e empatou nos primeiros 12 minutos do segundo tempo. O que diferenciou as duas equipes foram os últimos 30 minutos do jogo: o São Caetano foi eficiente nos contragolpes enquanto o adversário, que se lançou todo em busca da vitória, esbarrou nos cuidados defensivos que o técnico Marcelo Veiga introduziu depois dos 3 a 2 aos 17 minutos do segundo tempo.


 


Lições preciosas


 


O São Caetano tem algumas lições a tirar do resultado. Primeiro não se ganha Série B dispensando o talento dos melhores jogadores. Marcar o tempo todo é indispensável, mas é preciso criar. O meia-atacante Geovane é exemplo disso: foi o melhor em campo porque atuou onde se dá bem, entre a intermediária e a grande área adversária, movimentando-se entre as duas extremidades de campo e sempre a contar com o suporte de laterais e de meias, no caso Danilo Bueno e Renato Ribeiro. Mais compactado no meio de campo, mais tranquilo na troca de passes, o São Caetano chegou com eficiência ao gol adversário. Poderia ter feito mais.


 


A segunda lição ao São Caetano é que, mesmo virando o primeiro tempo com vantagem de dois gols em casa, não se deve subestimar adversário nenhum, porque a Série B é muito equilibrada. Bastaram 15 minutos de descuidos no segundo tempo para o time goiano empatar e quase virar o placar. Tudo porque o técnico Waldemar Lemos surpreendeu com duas substituições no intervalo, dando mais agressividade à equipe. Principalmente porque retirou o apático centroavante Ricardo Jesus, presa fácil do bom zagueiro Fred, e escalou o sempre bem posicionado Willian Barbio. O Atlético voltou sem centroavante fixo, movimentou-se muito no ataque e confundiu a marcação do São Caetano. Quando se deu conta do atropelo, o técnico Marcelo Veiga viu o resultado de igualdade consumado.


 


Evolução surpreendente


 


Para quem acompanhou os três primeiros jogos do São Caetano no campeonato (dois empates e uma derrota), a evolução tática de ontem à noite foi surpreendente. Mas nada de anormal, quando se observa o sistema tático e os jogadores que o compuseram.  Com Danielzinho é pouco producente jogar no 4-2-3-1, sistema preferido por muitos clubes brasileiros e europeus. O jogador que veio do São Caetano é um segundo atacante, não um meia-atacante. A velocidade é seu ponto forte, não o recuo para ajudar a construir ataques. Com Danielzinho e Jael no ataque, é preciso sacrificar alguém na organização da equipe.


 


Danilo Bueno, Renato Ribeiro e Geovane harmonizaram a equipe ontem e podem repetir a dose em outros jogos. Fora de casa é provável que Pirão, segundo volante escalado ontem, ceda lugar a Dudu ou a Moradei, mais defensivos, que entraram durante o jogo de ontem para sustentar a vantagem no placar. O São Caetano não pode correr o risco de tornar-se vulnerável a contragolpes. Ainda mais que os laterais Samuel Xavier e Diego estão permanentemente no ataque.


 


Os descuidos no começo do segundo tempo poderiam ter causado um grande transtorno ao São Caetano se o Atlético Goianiense não fosse com muita sede ao pote para ganhar os três pontos. O técnico Waldemar Lemos manteve o time na frente, intensificou a agressividade e deu o que o São Caetano tanto queria -- contragolpes em profusão. Os 4 a 2 acabaram de bom tamanho para distinguir a diferença entre as duas equipes. O São Caetano foi mais inteligente na ocupação de espaços do que o adversário.


 


Longe do sufoco?


 


Nem a ausência do contundido zagueiro Luiz Eduardo, substituído por Fred, tornou a defesa do São Caetano mais vulnerável, exceto nos primeiros 15 minutos do segundo tempo. Fred e Douglas Grolli completaram-se em qualificações, o primeiro mais técnico e bem posicionado, o segundo mais intenso na marcação. Mas ainda há acertos no setor, mesmo com todo o apoio que os meias Danilo Bueno e Renato Ribeiro deram durante quase todo o tempo na marcação pelas laterais e por dentro. O meia-atacante Willian Barbio, do Atlético, jogou muito livre ao entrar no segundo tempo, sempre às costas de um dos volantes e solto principalmente pela esquerda.  Menos mal que o atleticano não tem velocidade, que poderia ser fatal em penetrações em diagonal.


 


Ao terminar a quarta rodada em 10º lugar na classificação, com cinco pontos ganhos em 12 disputados, quatro gols a favor e três contra, o São Caetano acena com a possibilidade de, nos dois jogos restantes (Bragantino e Oeste fora de casa) encerrar a primeira fase do campeonato provavelmente longe da zona de rebaixamento e quem sabe próximo da área de classificação. Como se sabe, o campeonato será interrompido por conta da Copa das Confederações. Um período providencial para apurar o condicionamento físico de alguns jogadores que parecem abaixo dos demais e também o equilíbrio tático voltado para o talento aliado à competitividade.


 


Seria ótimo se, nas três semanas de intervalo à retomada da competição, o São Caetano não tenha de conviver com o trauma do rebaixamento à Série B do Campeonato Paulista, completamente esquecido e sufocado ontem à noite. Nada que o talento harmônico e bem distribuído em campo não resolva. A expectativa de que finalmente o São Caetano consiga ser coletivamente pelo menos a soma das individualidades lubrifica o sonho de voltar à Série A do Campeonato Brasileiro.


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