Administração Pública

Modelo Fuabc vai às manchetes como
síntese da falência da saúde pública

DANIEL LIMA - 06/06/2013

Está nos jornais de ontem, quarta-feira, o resumo da ópera do modelo de gerenciamento e operacionalização da saúde pública na Província do Grande ABC sob o guarda chuva da mais que suspeita Fundação do ABC. Deu no Estadão e também no Diário do Grande ABC o modus operandi da Fuabc. Se não bastasse reunir imensa gama de potenciais irregularidades administrativas e financeiras, a Fundação do ABC, dirigida por Maurício Xangola Mindrisz, peca também naquilo que poderia amenizar a inoperância: o atendimento.

 

Só não enxerga quem não quer e não age quem provavelmente desconheça o potencial de inconformidades no manuseio do dinheiro público repassado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A Fundação do ABC é um prato cheio e bombástico a uma faxina em regra. Para tanto é mais que indispensável vontade política, que sempre faltará entre os donos do Poder Público da região que compartilham benesses proporcionadas pela Fundação do ABC.

 

É inadiável que pelo menos alguns segmentos da sociedade saiam da covardia juramentada. Casos das instâncias da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Ou de entidades empresariais como a Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) que, em outros tempos, pelo menos fingiam preocupar-se com o futuro da região. Qualquer coisa que se faça seria importante para despertar a atenção de instâncias judiciais. O ritual fúnebre é a confirmação de que a Província do Grande ABC caiu na gandaia do descaso e do desinteresse, entre outras razões porque faltam lideranças sem compromissos com mandachuvas políticos e econômicos.

 

A ineficiência nos jornais

 

O Diário do Grande ABC de ontem publicou em manchete de página do caderno SeteCidades: “Prontos-socorros da região estão em estado precário”. Lamentavelmente, apenas num parágrafo complementar, sem destaque editorial, acrescentou-se àquela notícia a precariedade da instituição que chefia a saúde pública regional. Os equipamentos em estado falimentar de atendimento são administrados pela Fundação do ABC. Vamos aos principais parágrafos da matéria do jornal:

 

 Quatro equipamentos da Saúde que oferecem serviços de urgência e emergência no Grande ABC funcionam em condições precárias, segundo levantamento feito pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). O órgão avaliou 71 prontos-socorros em todo o Estado com atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e constatou problemas como macas nos corredores, dificuldade para transferência dos doentes e equipes médicas incompletas. As visitas foram realizadas por equipe do Cremesp entre fevereiro e abril em unidades selecionadas com base na localização, porte de atendimento ou denúncias do MP (Ministério Público), médicos e população. Na região, passaram pela avaliação o Hospital de Clínicas e a Santa Casa de Mauá, ambos em Mauá, o CHM (Centro Hospitalar Municipal) de Santo André e o PS Municipal de São Bernardo. O órgão listou nove problemas encontrados nos prontos-socorros. Destes, a única deficiência não constatada entre as unidades da região é a falta de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Já o velho cenário de lotação, ou seja, pacientes em macas nos corredores, só foi constatado no Nardini. Em contrapartida, os quatro centros de saúde da região apresentaram problemas no referenciamento, ou seja, dificuldade em encaminhar pacientes para outros serviços, além de falta de pelo menos um material classificado como permanente crítico em lista de 28 itens.

 

O caos do sistema público de saúde também virou manchete de página no Estadão de ontem: “58% dos hospitais públicos de SP têm macas no corredor” – foi o título. Alguns trechos da matéria:

 

 Mais da metade dos prontos-socorros públicos do Estado de São Paulo está superlotada – com macas espalhadas nos corredores – não consegue transferir pacientes para serviços de referência, tem equipes médicas incompletas e não possui um médico responsável de plantão. A situação precária das unidades de saúde foi constatada após fiscalização do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), entre fevereiro e abril deste ano, em 71 unidades (23 da Capital e 48 em 35 cidades do Interior) em uma única visita a cada uma delas. A amostra representa 10% do total de prontos-socorros do Estado e o critério de escolha foi o tamanho, a localização e as reclamações. Entre os 23 hospitais da Capital, seis são administrados por Organizações Sociais (SOs).

 

Cadê a transparência?

 

O presidente da Fuabc, uma Organização Social de Saúde sob controle político, administrativo e econômico das prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano, certamente não mexe uma palha sequer para prestar contas à sociedade. Ele só bota a cara para fora do gabinete que o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, lhe deu em pagamento aos préstimos ideológicos, quando lhe interessa. E quando lhe interessa significa os almoços e os jantares de sempre em redutos políticos que possam pavimentar uma carreira durante muitos anos a reboque de Celso Daniel e esticada à sombra da agora ministra Miriam Belchior.

 

Numa situação como a que se apresenta, na qual a Fundação do ABC está envolvidíssima num noticiário que em tradução objetiva significa a falência do modelo adotado para terceirizar a saúde pública da Província do Grande ABC, o mínimo que se esperaria é que o presidente da instituição se apresentasse ao público com explicações. Qual nada. Como ninguém lhe opõe a menor resistência, Maurício Xangola Mindrisz segue de nariz empinado, atribuindo a questões outras os motivos de, finalmente, começar a ter a função de interesse público questionada. Seus antecessores, igualmente protegidos por interesses interpartidários, foram mais felizes, porque puderam fazer e desfazer sem incômodos. Mas também jamais foram politicamente tão despudoradamente blindados.

 

O compadrismo e o protecionismo político-partidário integram a marca registrada de Maurício Xangola Mindrisz nas esferas públicas. Esperar que tome iniciativas que ao menos retifiquem o rumo de desgoverno em uma área tão sensível à população é pecar por otimismo estúpido. Maurício Xangola Mindrisz prefere mesmo, como publicamos ainda outro dia (veja link abaixo) transmitir informações falsas e manipuladas sobre a qualidade dos serviços prestados pela Fuabc.

 

O que se pergunta é até quando a Fundação do ABC continuará a ser ignorada por instituições que têm por função colocar a saúde pública longe de índices de atendimento e operação tão calamitosos a custos extravagantes, forjados em planilhas que compõem uma imensa caixa-preta a ser apurada com rigor.



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