O São Caetano não pode cometer na tarde desta terça-feira ante o Paraná no Estádio Anacleto Campanella o mesmo erro de leitura tática do jogo de sexta-feira em Fortaleza, quando foi derrotado por 4 a 2 pelo Ceará na abertura do segundo turno da Série B do Campeonato Brasileiro. A bobagem de fixar-se numa das máximas mais furadas do futebol, a de que não se mexe em time que está ganhando, custou caro. Cada jogo tem características próprias, por isso nem sempre uma vitória como a de 3 a 0 ante o ASA na terça-feira passada é referência para o jogo seguinte. Da mesma forma que um time derrotado não necessariamente deva ser descartado na rodada posterior. Não faltam exemplos na praça.
O grande erro do São Caetano em Fortaleza foi interpretar que, com o mesmo sistema tático da vitória contra o ASA, alcançaria sucesso. Um time por demais vulnerável na marcação diante de um adversário agressivo e com bons valores técnicos do meio de campo para frente só poderia mesmo correr sérios riscos. E foi o que se deu.
Agora, nesta terça-feira, não é porque jogará em casa que o São Caetano deva adotar a mesma tática da vitória ante o ASA. A equipe de Alagoas conta com uma das piores defesas da competição e está em posição intermediária na classificação, mais ameaçada de rebaixamento do que com possibilidades de chegar ao acesso. Já o Paraná ocupa a terceira posição com 65% de aproveitamento e conta com a melhor defesa entre os 20 concorrentes, tendo sofrido apenas 13 gols em 20 jogos. Ou seja: jogar em casa desta vez não dá ao São Caetano, vice-lanterna, a segurança de que deve procurar o gol sem cautela. O Paraná é especialista em contragolpes.
Simplificar, a saída
Enquanto o São Caetano não mobilizar-se em campo para atacar e defender com disposição e competência semelhantes, talvez o técnico Sérgio Guedes deva simplificar os planos. É muito pouco provável que um meio de campo com jogadores menos marcadores seja eficiente em jogos semelhantes aos de Fortaleza. A pressão adversária movida pela torcida sempre faz diferença. O fator campo não é uma abstração no futebol. Os mandantes sempre ganham mais pontos. As exceções confirmam a regra. O São Caetano que só não subiu por um empate no ano passado ganhou mais pontos fora do que dentro de casa. Normalmente, uma combinação de alto nível de rendimento em casa e fora de casa faz um vencedor, mas os números de mandante sempre são mais expressivos. Principalmente na luta contra o rebaixamento.
A simplicidade que poderia ser colocada em campo nesta terça-feira ante o Paraná passa por um São Caetano menos permissivo na marcação. Atuar com um volante de marcação como Moradei e contar com outros três jogadores menos defensivos não é exagero em casa, ainda mais na situação em que se encontra o São Caetano, que precisa da vitória. Mas isso não pode significar abrir mão de cautela. Haverá situações no jogo em que adensar a marcação será tão importante quanto ocupar o ataque. Esperar que a equipe tenha maturidade para entender o momento adequado é um desafio.
O que não pode é o São Caetano sair do oito e ir aos 80 como o fez no segundo tempo em Fortaleza. Em desvantagem de 2 a 0 no placar, o time foi para o tudo ou nada. Diminuiu para 2 a 1, sofreu o terceiro gol, marcou o segundo e voltou a sofrer novo tento. O jogo virou um salve-se-quem-puder tático que desconfigurou a programação inicial do técnico Sérgio Guedes. Entre a inoperância de um time ofensivo que jogou na defesa no primeiro tempo e de um time alterado e ofensivo que jogou totalmente no ataque no segundo tempo existe o meio termo que poderá ser indispensável diante do sólido Paraná. Extremos táticos não vão conduzir o São Caetano ao porto seguro da fuga do rebaixamento.
Jogo a se apagar
O jogo em Fortaleza foi o quarto sob o comando de Sérgio Guedes. Deve ser apagado do circuito de recuperação tática da equipe, independentemente dos resultados anteriores de duas derrotas e uma vitória. Possivelmente o treinador que na última passagem pelo São Caetano alcançou 62% de aproveitamento fez um teste de reação que deve ser entendido como exceção à regra de estabilidade. A goleada teria sido um ponto fora da curva do São Caetano porque de outra forma ficaria difícil acreditar que possa sair da situação delicada em que se encontra.
O Paraná tão inteligente na forma de atuar dentro e fora de casa talvez seja uma experiência demarcadora do território em que o São Caetano atuará nas 18 rodadas que restam ao encerramento da Série B do Brasileiro. O que se espera do comando da equipe é uma organização tática evolutiva dos jogos iniciais. Dar segurança defensiva é fundamental para o São Caetano imaginar-se fora do rebaixamento, mas atacar é indispensável para sair da enrascada em que se meteu.
É sobre essa ponte estreitíssima que o time deverá se mover de agora em diante. Ceder às tentações do coração e do voluntarismo seria tão nocivo quanto prender-se demais a amarras táticas. Talvez o ponto que deva fazer a diferença e o sucesso do São Caetano nos jogos que restam é a escalação do time de acordo com o contexto da competição. O Paraná não é o ASA nem tampouco o Ceará. É simplesmente o terceiro colocado, candidatíssimo a subir. Não se brinca com um adversário assim. Nem tampouco se deva temê-lo em excesso.
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