Administração Pública

Até quando Grana vai conviver
com Máfia Imobiliária da região?

DANIEL LIMA - 05/11/2013

Não fosse um prefeito comprometido com tantas coisas, com mais coisas do que se imagina e se diz, o prefeito Carlos Grana não teria melhor oportunidade para se afirmar como o avesso do que se apresenta para pelo menos ganhar respeitabilidade da menor parcela do eleitorado de Santo André -- a faixa populacional que o elegeu, se contados os votos, nulos, em branco e dos adversários. Que oportunidade é essa? Mimetizar o prefeito paulistano, também petista, Fernando Haddad, e mandar apurar tim-tim-por-tim-tim o escândalo do Semasa durante a gestão do antecessor Aidan Ravin.


 


Nem que a vaca tussa Carlos Grana vai meter a mão nessa cumbuca. Há amigos do peito e de outras áreas corporais mais sensíveis que lhe dão sustentação política.  Sustentação política é tudo que existe de exagero nas relações entre Poder Público e supostos representantes da sociedade.


 


Que inveja os gataborrelheirescos andreenses devem estar a sentir dos paulistanos cinderelescos ao lerem a Folha de S. Paulo e o Estadão de hoje sobre as novas repercussões do escândalo do ISS no mercado imobiliário. O enredo não é apenas semelhante ao registrado em Santo André, tendo o caixa forte do Semasa como base de operações. Desconfia-se, porque dois dos integrantes do primeiro escalão de Aidan Ravin estão envolvidos nas investigações paulistanas, que Santo André tenha sido um ramal das contravenções. Tudo teria começado mesmo na Capital. Há controvérsias, é claro. O mercado imobiliário difere-se da prostituição, quando adentra o campo burocrático das administrações públicas, apenas porque o orgasmo fisiológico não pode ser comparado ao orgasmo financeiro. Se bem que uma coisa leva à outra. Se é que me entendem.


 


Denunciante esclarecedor


 


O que o prefeito Fernando Haddad pretende fazer em São Paulo o então denunciante do esquema de propinas no Semasa, advogado Antônio Calixto Júnior, homem de confiança do prefeito Aidan Ravin naquela autarquia de água e esgoto, mais de esgoto que de água, sugeriu que o Ministério Público realizasse em Santo André: abram as planilhas das maiores obras de Santo André nos últimos quatro anos e o abracadabra apresentará infinidade de roubalheiras. Palavra de quem conhecia o terreno pantanoso em que pisava.


 


Passou-se tanto tempo e nada, absolutamente nada, está sendo apurado, ou divulgado. O prefeito Carlos Grana ganhou as eleições e se faz de morto, embora o fazer de morto seja, para muitos, o retrato mais perfeito da Administração do petista.


 


Grana se faz de morto sobre os descaminhos no Semasa porque boa parte do entorno que o elegeu está envolvidíssima com o escândalo. Tanto quanto está ligadíssima ao secretário de Desenvolvimento Urbano que o prefeito de Santo André escolheu para comandar o destino do uso e ocupação do solo -- o empresário Paulo Piagentini, exatamente do ramo imobiliário.


 


O noticiário dos grandes jornais constrange a Província do Grande ABC em larga escala porque a divulgação de fatos e as tomadas de decisões das autoridades públicas, inclusive ministeriais, mostram um caminho diverso do escândalo do Semasa. Houve em Santo André uma corrida à manipulação das informações de modo que as denúncias de Antônio Calixto Júnior fossem gradualmente desmoralizadas ou colocadas sob suspeição. A tática funcionou, apesar das evidências de irregularidades.


 


Botando para quebrar


 


Em São Paulo, o que se dá conta no noticiário é que o prefeito Fernando Haddad vai botar mesmo para quebrar. Está no Estadão de hoje que 15 construtoras suspeitas de envolvimento no esquema de fraude no recolhimento de Imposto Sobre Serviços (ISS) serão chamadas para prestar esclarecimentos e ressarcir os cofres públicos.


 


Disse também o prefeito paulistano que as empresas responsáveis por grandes empreendimentos terão de apresentar as notas de pagamentos do tributo. E adiantou que será feita uma operação pente fino em todas as grandes obras da Capital. Tudo ou mais ou menos tudo o que sugeriu Antônio Calixto Filho no ano passado.


 


Apenas para reforçar a informação, em 20 de agosto de 2012 publiquei nesta revista digital sob o título “Denunciante do caso Semasa vai ao MP com artilharia pesada” o encontro marcado entre o advogado Antonio Calixto Júnior e o promotor criminal Roberto Wider Filho sobre a Máfia do Semasa. O denunciante antecipou a este jornalista o que diria e disse ao promotor de Justiça. “Um dos pontos nucleares do depoimento de Calixto Antonio Júnior ao Ministério Público nesta terça-feira, segundo o adiantou com exclusividade para CapitalSocial, é o manancial de delitos à liberação de grandes empreendimentos imobiliários em Santo André nos últimos anos, durante o período mais fértil do setor embalado por muito crédito. Repetindo o que afirmara no depoimento no Legislativo de Santo André, Calixto vai reiterar ao MP que basta uma devassa nos trâmites burocráticos das 40 maiores obras privadas em Santo André nos últimos anos para escarafunchar meandros da corrupção que emanava, segundo afirma, do chefe do Executivo” – declarou.


 


Ondas frustrantes


 


Quem imaginou que a Província do Grande ABC iria surfar nas ondas de apuração dos fatos da Capital está se decepcionando porque não há reação alguma local. O Ministério Público não se manifesta sobre as operações que desenvolveu no escândalo do Semasa, o prefeito de Santo André ganhou administrativamente o formato e o sabor daquela fruta que dá em cachos e é vendida em feira livre mesmo em condições precárias e as instituições locais e regionais ficam na moita.


 


Tudo parece dominado por um pacto de conveniências alarmantes. O escândalo do Semasa poderia marcar a abertura de um período de ouro na Província do Grande ABC, porque colocaria a nocaute ou claramente em situação desmoralizadoras gente graduada que não cansa de sair em colunas sociais. Entretanto, o silêncio prevalece. E se incentivam novas modalidades de assalto aos cofres públicos.


 


No caso de Santo André, especificamente de Santo André, não houve roubalheiras apenas no ISS do mercado imobiliário, como denunciou Antonio Calixto Júnior. Outras áreas foram invadidas por bandidos juramentados que surrupiaram dos cofres públicos muito dinheiro de impostos pendentes que, como num passe de mágica, desapareceram das dívidas ativas.


 


Está certo que o mercado imobiliário nestes tempos de dinheiro farto para financiamentos é o pote de ouro dos malandros de plantão. Não é por outra razão que Calixto Júnior disse, parafraseando especialistas que sugerem que para se chegar aos corruptos basta seguir a rota do dinheiro, que, no caso do Semasa o indicado era selecionar as 40 maiores obras residenciais de Santo André para aferir a gravidade das denúncias. Exatamente o que o prefeito Fernando Haddad vai realizar na Capital.


 


Investigações sérias, transparentes e abrangentes vão provar que o ex-prefeito Aidan Ravin e o atual prefeito Carlos Grana brincam com os consumidores de informações na Província do Grande ABC quando sugerem que estão a disputar uma espécie de terceiro turno, com declarações aqui e acolá sobre deficiências administrativas e abusos na campanha eleitoral.


 


Aidan e Grana estão muito bem orientados a manterem um ringue de luta-livre dos tempos de Ted Boy Marino e tantos outros protagonistas de noites televisivas em que uma plateia de otários e telespectadores crédulos gritavam a cada golpe desferido pelo mocinho da vez. Tudo não passava de encenação.


 


O escândalo do Semasa poderia ser um divisor de águas na gestão pública da região, porque envolve servidores corruptos e mercadores imobiliários desalmados ou encalacrados entre aceitar o jogo pesado ou ficar fora da disputa. O que se tem visto, apesar da pressão externa do escândalo paulistano, é um completo mutismo, uma cara de pau generalizada. Até, quem sabe, que ramificações paulistanas implantadas na Administração Aidan Ravin, com um secretário e um subsecretário entre os suspeitos na Capital, cheguem até aqui.


 


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Denunciante do caso Semasa vai ao MP com artilharia pesada


 


Escândalo imobiliário: Grana repetirá coragem de Haddad?


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