Esportes

Tabela indigesta é grande desafio
ao São Caetano contra rebaixamento

DANIEL LIMA - 26/08/2014

Superestimei o bom senso no futebol brasileiro e escrevi ontem que o São Caetano faria três jogos em casa e três fora de casa nas seis últimas rodadas da Série C do Campeonato Brasileiro. Cai feito patinho na armadilha da CBF. O São Caetano que divide com o Guarani as maiores preocupações com o rebaixamento, já que o Duque de Caxias do Rio de Janeiro dificilmente escapará, fará quatro jogos como visitante e apenas dois como mandante até que se encerre a fase classificatória. Como desgraça estatística é pouca, o time de Campinas faz trajetória exatamente oposta: jogará quatro vezes em casa e duas fora.


 


Convenhamos que jogar mais vezes fora de casa na reta de chegada de uma competição é presente de grego. Não adianta conversa mole de que ao final da competição todos terão jogado igual número de compromissos dentro e fora de casa. Isso não cola. Três pontos disputados enquanto a competição está morna e três pontos quando o desespero bate à porta são situações completamente diferentes.


 


Até porque, outros interesses costumam entrar em campo. As malas brancas, por exemplo? A pressão da torcida mais desperta para os riscos ou o sucesso que a equipe de preferência leva a campo? A arbitragem mais incomodada? Tudo isso ajuda a ferver o caldo contra os visitantes. Não fossem diferentes uma situação e outra, não haveria preocupação dos próprios organizadores das competições em estabelecer equilíbrio na distribuição de jogos entre mandantes e visitantes.


 


Além do São Caetano, apenas o Madureira do Rio de Janeiro, que disputa um lugar na fase de mata-mata, jogará semelhantemente quatro vezes fora de casa e duas em casa nas rodadas que restam. Quando restarem apenas quatro rodadas, o desequilíbrio permanecerá às duas equipes: três jogos como visitantes e um como mandantes.


 


Grupo equilibrado


 


O Grupo B da Série C do Campeonato Brasileiro é o mais equilibrado entre todas as competições promovidas pela Confederação Brasileira de Futebol. Os mandantes têm o menor índice de vitórias e os visitantes têm a maior margem de triunfos. Essa é uma boa notícia para o São Caetano, é verdade, mas precisa ser relativizada. Estatisticamente, considerando-se as 12 rodadas já disputadas e o total de 60 partidas, os mandantes venceram 41,6% dos jogos que disputaram. Os visitantes conseguiram voltar para casa somando um ponto ou três pontos em 59% das oportunidades. Em 25% dos jogos voltaram com três pontos.  Como precisa de vitórias para fugir do rebaixamento, o São Caetano terá somente 25% da estatística a seu lado. Os outros 33,33% referem-se às possibilidades de empatar.


 


Sei que não se pode reduzir o futebol a números, a estatísticas, mas convém não desprezar o que os dados oferecem à reflexão. O São Caetano é exemplo às próprias ações futuras: como mandante conquistou oito pontos dos 21 possíveis (aproveitamento de 38%) e como visitante só voltou com os três pontos da vitória sobre o Guarani em Campinas e com o ponto do empate com o Guaratinguetá no Vale do Paraíba (26,66% de aproveitamento em cinco jogos disputados).


 


Com 12 pontos ganhos (como o Guarani) e uma vitória a mais que o time campineiro (três contra duas) o ideal para o São Caetano respirar menos estressado nas seis rodadas que faltam seria contar com a companhia de pelo menos mais uma equipe na briga contra o descenso, além do Guarani e considerando o Duque de Caxias já rebaixado. Há as opções do Guaratinguetá e do Juventude, com 16 e 17 pontos ganhos. A diferença do índice de aproveitamento ainda não sugere que uma ou as duas equipes sejam chamadas ao entorno da zona do rebaixamento. Talvez tudo mude nesta próxima rodada: o Guarani joga em casa com o Juventude, o São Caetano enfrenta o líder Mogi-Mirim no Interior e o Guaratinguetá visita o Duque de Caxias no Rio.


 


Como o jogo com o Mogi Mirim vai ser realizado domingo à tarde, o São Caetano entrará em campo conhecendo o resultado do jogo do Guaratinguetá no Rio de Janeiro, marcado para sábado à tarde. Então, o time de Paulo Roberto dos Santos ficará na torcida pelo resultado do jogo entre Guarani e Juventude, programado para segunda-feira à noite. Se vencer o Mogi Mirim o São Caetano poderá ser beneficiado com uma vitória do Guarani ante o Juventude, porque assim o time do Rio Grande do Sul entraria na briga para fugir do descenso. Um tropeço do Guarani também seria interessante, porque o São Caetano livraria três pontos de vantagem, sempre considerando possível vitória em Mogi Mirim. Aí restariam cinco rodadas para o final do campeonato e a distorção da tabela não seria tão pronunciada. O São Caetano teria dois jogos em casa e três fora enquanto o Guarani atuaria três vezes em casa e duas fora.



Acertar contragolpes


 


O que provavelmente mais embala a expectativa de que, tabela à parte, o São Caetano possa sair da enrascada em que se meteu na Série C do Campeonato Brasileiro é que seu sistema defensivo, importantíssimo nos jogos como visitante, está cada vez mais arrumado. Principalmente depois que Moradei ganhou mais ritmo de jogo. Ele forma com Esley e Ramalho espécie de 4-3-1-2 formulada pelo técnico Paulo Roberto dos Santos. Se acertar a mão no ataque, contando para tanto com a criatividade de Helton Luiz, os deslocamentos de Robson Fernandes e a provável titularidade de Marcelo Soares, além do apoio dos laterais, o São Caetano pode sim surpreender mais como visitante. Como o fez ante o Guarani, embora jogasse abaixo da média de controle tático da maioria dos jogos sob o comando de Paulo Roberto.


 


Mesmo considerando sim que a tabela do Campeonato Brasileiro é um obstáculo a mais para o São Caetano, quem sabe o técnico Paulo Roberto faça do limão de dificuldades a limonada de resoluções com um esquema tático que glorifique o contra-ataque?


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