Me sinto bastante responsável por uma ideia que, ao que parece, finalmente superará o desejo: a constituição de um Conselho Consultivo do Clube dos Prefeitos. Um Conselho Consultivo formado por agentes da sociedade. As informações ainda são precárias, não asseguram confiabilidade de aprofundamento da ação dos representantes da comunidade, mas não podem ser desconsideradas. Celso Daniel ficaria feliz com a notícia, Ele cansou de tentar sensibilizar outros prefeitos à iniciativa.
Não necessariamente a composição de um Conselho Consultivo daria ao Clube dos Prefeitos tudo de que precisa para, finalmente, formular novo referencial de diálogo com a sociedade. Tudo vai depender das atribuições dessa nova instância. E, principalmente, da representatividade dos indicados.
É relevante não confundir representatividade com representação. Representação é formalidade ditada por regras estatutárias para atender aos pressupostos legais forjados em períodos de corporativismo excludente do conjunto de interesses da sociedade.
Um exemplo clássico de representação: Milton Bigucci e o grupinho da Associação dos Construtores.
Representatividade é a inserção de ações corporativas nos respectivos segmentos e, nestes tempos de globalização com efeitos regionais intrigantes, mergulhos demorados em outros setores da sociedade.
Encontro dificuldades para citar um exemplo de representatividade. Talvez a turma do chamado Pólo de Decoração esteja mais próxima do que imagino, embora não tão próxima como pretendo. É uma novidade no espectro associativo na Província do Grande ABC, embora ainda fortemente classista. Temo que se reproduza no Clube dos Prefeitos a improdutividade geral e irrestrita da quase totalidade dos organismos associativos da Província do Grande ABC.
Ignorar que as organizações de classe da região são replicantes de incubadoras de equívocos, a confundir o específico de olhar para o próprio umbigo com o todo da regionalidade, é desprezar os fatos.
Será que não teremos no Clube dos Prefeitos, por si só um monumento de individualismo em meio a suposta integração regional, novos e múltiplos exemplares de municipalismos e de corporativismos?
Sei que não é fácil fugir ao enquadramento histórico de autarquismo de classe, que os vícios estão arraigados, que a mentalidade média é tacanha quando se olha para o conjunto dos municípios desta Província, sei de tudo isso. Aliás, todos sabem. Mais uma razão, portanto, para que não se transforme em festa, em suposto encontro das águas, uma deliberação que poderá fortalecer ímpetos corporativistas.
Combater embromadores da regionalidade que ostentam insígnias e discursos regionais mas agem malandramente em proveito próprio ou de uma suposta classe é o mínimo que o Clube dos Prefeitos deve promover para preencher o novo quadradinho do organograma.
Longe de mim desconfiar do secretário executivo do Clube dos Prefeitos, Luis Paulo Bresciani, executivo público de valor, mas o sucesso ou o fracasso da medida não poderá ser contabilizado exclusivamente na caderneta de poupança de seu currículo profissional e do atual presidente da entidade, Mário Reali, prefeito de Diadema. A gestão que culminará na composição do Conselho Consultivo é engenharia complicada. Os interesses são muitos. As forças de pressão se manifestarão fortemente.
É melhor manter olhos bem abertos, ouvidos atentos, mentes receptivas. Desconheço o modelo eleitoral que abrirá as portas da sociedade ao Conselho Consultivo do Clube dos Prefeitos. Sem anteparos conceituais teremos emenda pior que o soneto. Uma lista de prioridades que deverão ser obedecidas, tendo como cláusula pétrea a observância suprema do interesse regional, é questão vital.
O Clube dos Prefeitos não poderá deixar-se aprisionar também por representantes sociais alheios à obviedade de que não podemos ser menores que a soma de sete partes.
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26/01/2026 VEJA A SELEÇÃO DO PREFEITO PERFEITO