A ausência do médio-volante Esley no jogo deste sábado às 18 horas em Araraquara contra a Ferroviária (com transmissão ao vivo pela Fox) aumenta o risco de o São Caetano ser despachado da final da Copa Paulista. Sem a liderança tática de um jogador de 37 anos que deveria ser homenageado pelo clube pelos ótimos serviços prestados, aumenta a possibilidade de o veloz, ágil e mobilizador time da Ferroviária chegar à vitória de que precisa para disputar a decisão contra o Rio Claro ou o XV de Piracicaba, que fazem o segundo jogo do mata-mata da semifinal.
É muito pouco provável que o técnico Luiz Carlos Martins deixará os cuidados defensivos de lado em Araraquara. A expectativa de que Esley terá como substituto um jogador das mesmas características (provavelmente Gercimar) ameniza a inquietação, mas preliminarmente não a dissolve.
O entrosamento de Esley com o grupo é resultado de uma história de titularidade que vem de longe. Nas poucas vezes em que o terceiro cartão amarelo ou raras contusões o tiraram do time o São Caetano redobrou cuidados para tentar executar defensivamente o que com Esley é compulsório. Ele tem o faro dos especialistas que sabem de cor e salteado o rumo de passes e lançamentos de adversários ávidos por chegar à última linha de defesa do São Caetano.
Pelas beiradas ou pelo miolo do gramado Esley é uma combinação de guerreiro e sábio. Não lhe peçam, entretanto, que execute com correção contínua e persistente as funções de volante-armador-articulador. Aí seria demais. Esley fica preso às funções que sabe exercer como poucos para dar liberdade ofensiva aos laterais e aos meias.
Ataque arrasador
Se ao atuar fora de casa na Copa Paulista a Ferroviária se provou um time indigesto, com a melhor campanha entre os visitantes (sete vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, com 17 gols marcados e quatro sofridos) imagine então diante de sua torcida. Nos 10 jogos das fases anteriores da Copa Paulista a Ferroviária venceu oito e empatou dois em seus domínios. Marcou 28 gols e sofreu apenas seis. Um time que marca quase três gols por jogo dentro de casa e só precisa da vantagem de um gol diante do São Caetano que, fora de casa, em nove jogos, só marcou 12 gols e sofreu cinco, é teoricamente candidatíssimo à finalíssima. A ausência de Esley, portanto, ganha conotação dramática.
Por isso mesmo a classificação do São Caetano em Araraquara não pode se prender exclusivamente aos dados retrospectivos. O condimento emocional de uma etapa de semifinal de mata-mata ganha potencialização enorme. O jogo de sábado no Estádio Anacleto Campanella, que terminou zero a zero, revelou uma deficiência coletiva que a Ferroviária incólume nos 20 jogos anteriores que disputou: por ser um time jovem, carrega o peso do desequilíbrio de desempenho.
Traduzindo a enfermidade própria dos times de pouca experiência da maioria de seus jogadores: houve um precipício no nível de atuação da equipe de Araraquara no primeiro tempo (sobretudo nos primeiros 20 minutos) quando confrontado com o segundo tempo. O São Caetano saiu de um sufoco no primeiro quarto do jogo para um equilíbrio seguido de completo controle, espaço de tempo no qual poderia ter alcançado a vitória.
Esse ponto é, portanto, o provável divisor de águas da decisão deste sábado em Araraquara. Será o São Caetano suficientemente mais experiente e organizado para neutralizar um adversário que, sobretudo em casa, tem rotina de destruição dos sistemas defensivos dos adversários?
Preparo de contragolpes
Mas não é apenas isso que importa nestas alturas do campeonato. Também entrará em campo – e isso decorre, claro, da condição emocional – um dos pontos mais cuidadosamente trabalhados pelo técnico Luiz Carlos Martins: a capacidade de transposição do campo de defesa ao ataque em poucos passes ou lançamentos e, com isso, surpreender o adversário que avança suas linhas. Não foram poucos os jogos fora de casa – e até mesmo em casa – nos quais o São Caetano chegou à vitória porque sugeriu ao adversário uma submissão tática que, no fundo, se converteu em esperteza.
Como estará o técnico da Ferroviária nestas horas que antecedem o jogo diante do dilema de manter o conceito de atacar sempre, porque é assim que sua equipe atuou durante toda a competição, sabendo que do outro lado está um adversário que em muitas situações finge que está encolhido, mas na verdade prepara um bote fatal? Não teria sido cuidadosamente articulado no jogo de sábado o chamamento ofensivo do adversário nos primeiros 20 minutos, de modo a desgastá-lo fisicamente a ponto de levá-lo à quase imobilidade coletiva no segundo tempo?
Se a ausência de Esley não for sentida no arranjo defensivo do qual ele é o grande maestro dentro de campo, não é estupidez afirmar que o São Caetano poderá voltar do Interior comemorando passagem à decisão, aproximando-se mais ainda de uma vaga no Campeonato Brasileiro da Série D do ano que vem. Eis aí um jogo especialmente interessante para se assistir. Como, aliás, foi o primeiro. Bem transmitido e bem comentado pelos profissionais da Fox – o que é quase uma exceção quando se trata de times pouco vistos pelos profissionais de televisão.
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