O supersecretário Nilson Bonome, titular de Gabinete e de Saúde, vai surpreender o funcionalismo público de Santo André e causará desconforto a secretários da administração Aidan Ravin quando oficializar nesta quinta-feira a sugestão de reajuste salarial dos servidores em 14%. O índice é mais que o dobro dos 6% propostos pelas secretarias de Orçamento e Planejamento e de Administração. Mais que isso: a decisão de Nilson Bonome possivelmente definirá que posição o prefeito Aidan Ravin ocupa na tentativa de dar à gestão de Santo André a dinamicidade desejada. Se ficar com Bonome, a leitura é que Aidan Ravin não repetirá mais do mesmo da gestão petista acusada pelo Sindicato dos Servidores Públicos de provocar perdas que chegariam a 61,94% desde 1997, primeiro ano do segundo mandato de Celso Daniel.
Ex-secretário de Finanças da gestão Aidan Ravin, Nilson Bonome tem familiaridade íntima com os números orçamentários da Prefeitura de Santo André. E justamente por isso que, segundo informações do Paço Municipal, apresentou ao prefeito Aidan Ravin proposta de reajuste de 14% aos servidores. Bonome estaria pronto para responder com planilha de custos que a medida não afetaria o equilíbrio da Administração. Ou seja: não transferiria recursos financeiros aos servidores públicos em detrimento de investimentos ao conjunto da sociedade. Com o reajuste de 14%, os custos com o quadro de servidores alcançariam a 41% da Receita Corrente Líquida. Absolutamente dentro do conceito e das amarras da Lei de Responsabilidade Fiscal. Há perto de 12 mil servidores públicos municipais em Santo André.
Nilson Bonome provavelmente se manifestará sobre a proposta que entregou ao prefeito. O assédio da mídia deverá tentar envolvê-lo num debate pouco confortável senão para o prefeito Aidan Ravin, principalmente para os secretários Arnaldo de Moraes Silveira, de Orçamento e Planejamento, e Milton Barreiro, de Administração e Modernização. Eles seriam radicalmente contrários à primeira recomposição salarial do funcionalismo, uma das promessas eleitorais de Aidan Ravin.
O que vai pesar mesmo à consumação ou não da sugestão de Nilson Bonome é a avaliação do prefeito. Acredita-se que não é exagero a figura de imagem de que se trata da batalha da ponte entre os dois principais executivos da administração de Santo André. Se o prefeito aliar-se aos secretários Milton Barreiro e Arnaldo Augusto Pereira, tudo indica que azedaria o relacionamento com Nilson Bonome.
A assessores mais próximos e mesmo a parlamentares que dão suporte à gestão petebista em Santo André, Nilson Bonome teria confidenciado que seria inadmissível a Prefeitura repetir a política salarial do PT tanto quanto apenas minimizá-la com recuperações muito aquém da defasagem histórica.
O reajuste salarial com base na inflação dos últimos 12 meses não atenderia o mínimo necessário para dar maior impulso de comprometimento e produtividade do funcionalismo público.
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