Administração Pública

Grupo De Nadai atolado na Máfia
da Merenda denunciada pelo MP

DANIEL LIMA - 04/04/2011

Enquanto membros da família fazem movimento para criar organização socioeconômica que supostamente atenuaria carências dos necessitados, prática comum entre abastados com dor de consciência, o Grupo De Nadai está em apuros com o Ministério Público, segundo divulgou o jornal Estadão no final de semana. Adivinhe de onde veem as ramificações dos problemas? Da merenda escolar, é claro.


Poderiam vir também das quentinhas das penitenciárias, que iniciaram a montanha de dinheiro da fortuna às próximas cinco gerações da família que tem em Sérgio De Nadai maior expoente e também maior ego por centímetro quadrado. Não procurem informações sobre o assunto na maioria da mídia regional porque os tentáculos dos De Nadai são profundos. E atingem também quem ousa explicitar aos leitores irregularidades cometidas segundo autoridades do Estado.


Para que não haja dúvida alguma sobre o desdobramento do caso das merendas, que os jornais paulistanos vem divulgando já há algum tempo, selecionei sem sacrificar absolutamente nada em termos de autenticidade e compreensão alguns trechos da matéria publicada pelo Estadão sob o título “Investigação sobre a máfia da merenda mostra atuação em três gestões de SP”.


 O Ministério Público de São Paulo (MPE) apura supostos pagamentos de propina da chamada máfia da merenda que teria atuado nas gestões de Marta Suplicy (PT), José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD) na Prefeitura de São Paulo. Documentos, planilhas e a delação premiada do sócio de uma das empresas investigadas são as provas da promotoria de que o esquema de corrupção teria passado de uma gestão a outra na cidade.


  O Estado teve acesso a sete dos depoimentos do empresário (Genivaldo Marques do Santos, sócio da empresa Vendurama, envolvida no esquema). Eles levaram à abertura ou à apreensão de novas provas sobre supostos pagamentos a políticos e funcionários públicos, incluindo planilhas detalhadas.


  O empresário contou que as empresas da merenda formavam um cartel. A Vendurama, da qual ele era sócio, na verdade pertencia ao empresário Eloízo Durães, dona da SP Alimentação, a maior empresa do ramo do País. Durães estaria também por trás da Gourmaitre. Essas empresas, a Nutriplus, a Geraldo J. Coan e a Convida (Grupo De Nadai) combinavam os preços e áreas de atuação no País. Usariam notas frias para encobrir pagamentos de propina e obter verbas federais para a merenda — entre 2008 e 2010 o esquema teria movimentado R$ 280 milhões.


  Genivaldo Santos confirmou aos promotores que o financiamento ilícito das campanhas era feito em troca do compromisso do candidato de, se eleito, terceirizar o fornecimento de merenda escolar. E assim o esquema de corrupção se perpetuava.


  Na gestão de Marta Suplicy foi iniciada a terceirização da merenda — 30% do total. O processo continuou nas gestões Serra e Kassab até chegar a 90%. Além de pagar propina sobre o faturamento ou um valor fixo mensal, as empresas são acusadas de servir merenda de má qualidade. O número de refeições seria inflado.


  O empresário Durães seria o responsável por entregar o dinheiro. Mas Durães, segundo Santos, arrecadava 7% entre os colegas do suposto cartel e ficava com 2%. Por causa disso, teria sido substituído na gestão Serra pelo empresário Fabrício De Nadai. Todos negam as acusações.


  A propina, segundo a testemunha, deixou de ser de 5% do contrato para ser de R$ 600 mil por mês. Cada empresa contribuiria com R$ 100 mil. O dinheiro seria entregue todo dia 10 por dois emissários num escritório da Nutriplus, na Avenida Ibirapuera, zona sul da Capital.


Quem conhece bem o mercado de refeições coletivas e, principalmente, os subsetores de merenda escolar e quentinhas para o sistema penitenciário, sabe que não há razão alguma, exceto certo grau de protecionismo, à utilização da condicionalidade de “suposto” para qualificar a atuação das empresas denunciadas, por mais que se trate nesse caso de uma formalidade jurídica, negada em outras situações muito menos explicitamente irregulares.


O que se tem nos dois casos — de merenda escolar e do sistema penitenciário — são situações típicas de lubrificação da engrenagem que junta a fome da política partidária mais nociva à democracia à vontade de comer de gananciosos que não medem esforços para multiplicar cada vez mais fortunas e, em seguida, receberem aplausos de estúpidos que sabem muito bem a origem de determinados dinheiros mas não se mostram éticos quando apanham as migalhas oferecidas para projetos sociais badalados por mídias igualmente manipuláveis.


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